Avanço das cidades empurra vida silvestre em MS para perto dos moradores
Aparições recentes de animais em áreas urbanas mostram os riscos da perda de habitat para a fauna no Estado
RESUMO
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Um jacaré de grande porte foi capturado em Nova Andradina e um filhote de tamanduá-mirim apareceu em um posto de combustíveis de Campo Grande nesta semana. Segundo especialistas, perda de habitat, expansão urbana e condições climáticas explicam a presença de animais silvestres nas cidades de Mato Grosso do Sul. O risco para a população é baixo, se não houver provocação. Orienta-se manter distância e acionar a Polícia Militar Ambiental pelo telefone (67) 99984-5013.
Jacaré de grande porte encontrado no portão de uma casa em Nova Andradina e filhote de tamanduá-mirim que apareceu em um posto de combustíveis de Campo Grande chamaram a atenção nesta semana. E apesar de despertarem curiosidade e preocupação, essas situações não são consideradas raras em Mato Grosso do Sul.
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Especialistas explicaram ao Campo Grande News que a perda de habitat, a expansão urbana e as condições climáticas ajudam a explicar a presença de animais silvestres nas cidades.
Na quinta-feira (5), a aparição de um jacaré mobilizou 6 agentes da PMA (Polícia Militar Ambiental) e do Corpo de Bombeiros no Bairro Angemiro Ortega, em Nova Andradina. O animal resistiu à captura, mas foi contido com rede, pano e imobilizador. Ninguém ficou ferido e, após o resgate, ele foi devolvido à natureza. Veja o vídeo acima.
Segundo o morador Marcos Donzeli, o jacaré apareceu a cerca de 200 metros de um lago artificial que recebe águas das enxurradas dos bairros Morada do Sol e Cristo Rei. O reservatório foi construído para conter a erosão em uma propriedade rural e costuma permanecer cheio por longos períodos após chuvas intensas.
Marcos relatou que a captura ocorreu a aproximadamente 100 metros de sua casa, durante uma forte chuva. Ele acredita que o animal possa ter saído do lago e seguido para a área urbana, mas a origem não foi confirmada.
Na manhã desta sexta-feira (6), um filhote de tamanduá-mirim foi encontrado no pátio de um posto de combustíveis na Avenida Eduardo Elias Zahran, no Jardim TV Morena, em Campo Grande. Uma bióloga e clientes ajudaram a conter o animal enquanto aguardavam a chegada da PMA.
Por que isso acontece? – O médico-veterinário Diego Viana, pesquisador e doutorando em Ecologia e Conservação pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), explica que a expansão das cidades sobre áreas naturais, a fragmentação dos habitats e a disponibilidade de água, alimento e abrigo favorecem a circulação dessas espécies em regiões urbanizadas.
As condições climáticas também influenciam. Durante as chuvas, alguns animais podem se deslocar para outras áreas, enquanto o calor e a seca intensificam a procura por água e locais adequados para sobreviver.
A bióloga Flávia Miranda, fundadora do Instituto Tamanduá, aponta a perda de habitat como um dos principais fatores. Segundo ela, o avanço imobiliário e das monoculturas reduz o espaço disponível para a fauna. "A gente está cada vez mais perdendo espaço para a especulação imobiliária e para a monocultura", explicou.
Flávia destaca que os tamanduás precisam de um território para circular, procurar alimento e sobreviver, conhecido como home range, ou área de vida. Com a redução desse espaço, podem acabar chegando às cidades. No caso dos jacarés, ela também relaciona os deslocamentos às mudanças climáticas e às alterações no ambiente natural.
Quais são os riscos? – Para a população, o perigo costuma ser baixo, desde que os animais não sejam provocados. Diego explica que eles podem reagir para se defender quando se sentem ameaçados, encurralados ou são manipulados.
Segundo Flávia, os maiores riscos são para os próprios animais, que ficam expostos a atropelamentos, acidentes e à dificuldade de encontrar ambientes adequados para sobreviver. Mesmo após o resgate, a adaptação a um novo local pode ser complicada. "O risco para a população é mínimo. O risco maior é para os animais, que perdem seu ambiente, não têm para onde voltar e acabam indo para centros de resgate", afirmou a bióloga.
Apesar dos registros recentes, Diego ressalta que ainda não é possível afirmar que a presença de animais silvestres nas cidades esteja aumentando. Para isso, seria necessário analisar dados históricos de monitoramento e resgates.
O subcomandante da PMA, major Gabriel Gomes da Rocha, também destaca a necessidade de consultar os registros para confirmar eventual crescimento. Segundo ele, Campo Grande concentra o maior número de capturas de animais silvestres em Mato Grosso do Sul.
Orientação – Ao encontrar um animal silvestre, a população deve manter distância e não tentar tocá-lo, alimentá-lo ou capturá-lo. Nem sempre o resgate é necessário, pois muitos conseguem retornar sozinhos ao ambiente natural. A intervenção é indicada quando há ferimentos ou riscos para o animal e para as pessoas. A PMA pode ser acionada pelo telefone (67) 99984-5013 para avaliar a situação.
Para Diego, esses episódios reforçam a importância do planejamento urbano e da preservação ambiental. "Precisamos compreender que as cidades também fazem parte de uma paisagem compartilhada com a fauna silvestre. O desafio é planejar melhor nossos espaços urbanos e promover uma coexistência mais segura entre as pessoas e a biodiversidade", concluiu.
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