Campo Grande planta solução contra alagamentos e colhe cidade mais sustentável
Projeto reúne universidade e prefeitura e une técnica, paisagismo e educação ambiental

Entre concreto e rotina acelerada, um novo elemento começa a ganhar espaço em Campo Grande: a água da chuva sendo tratada como aliada, e não problema. A Capital deu um passo silencioso, mas simbólico, ao implantar o primeiro jardim de chuva em área pública, instalado na Central de Atendimento ao Cidadão (CAC).
RESUMO
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Mais do que um canteiro diferente, o espaço funciona como uma pequena engenharia verde. Ali, a água que antes escorria rapidamente pelo asfalto agora encontra solo preparado, camadas drenantes e vegetação capaz de absorver, filtrar e devolver esse volume à natureza de forma controlada. Na prática, menos enxurrada nas ruas e mais equilíbrio no sistema urbano.
A iniciativa nasce de uma parceria entre a Universidade Anhanguera-Uniderp e a Semades, unindo conhecimento técnico e ação pública. O projeto também envolveu acadêmicos de Arquitetura e Engenharia Civil, além de profissionais da área paisagística, transformando a obra em um laboratório vivo de soluções sustentáveis.
Segundo a professora Gisele Yallouz, a estrutura foi pensada milimetricamente para cumprir duas funções ao mesmo tempo: eficiência e estética. O jardim combina camadas que facilitam a infiltração da água com espécies vegetais adaptadas, criando um espaço funcional, mas também visualmente integrado ao ambiente urbano. A proposta inclui ainda uma placa educativa, explicando ao cidadão comum como aquele sistema funciona.
A execução exigiu mais do que técnica. Foi também um exercício coletivo: alunos e professores participaram desde a retirada do pavimento até o plantio, colocando a mão na terra para construir, literalmente, uma nova forma de pensar a cidade.
Para o secretário municipal Ademar Silva Junior, o projeto representa uma mudança de lógica. Em vez de combater a água com obras pesadas e impermeabilização, a cidade começa a absorvê-la, desacelerando o escoamento e reduzindo riscos de alagamento — um dos problemas recorrentes em períodos de chuva intensa.
Mas o impacto vai além da drenagem. O jardim de chuva também cumpre um papel educativo, ao mostrar que soluções simples, quando bem planejadas, podem transformar o espaço urbano e fortalecer a consciência ambiental.
Ainda é um primeiro passo, discreto diante do tamanho da cidade. Mas a ideia é que ele não fique sozinho. A expectativa é que novos jardins de chuva surjam em outros pontos de Campo Grande, ampliando o uso de infraestruturas verdes e redesenhando, pouco a pouco, a relação entre cidade e natureza.
No meio do concreto, a Capital começa a abrir espaço para respirar — e, agora, também para absorver a própria chuva.

