El Niño aumenta chuva no centro-sul de MS e favorece cheias no Pantanal
Enquanto áreas do Centro-Oeste podem ter menos precipitação, porção do Estado tem previsão acima da média

Mato Grosso do Sul deve atravessar os últimos três meses de 2026 em uma condição diferente de parte do Centro-Oeste. Enquanto áreas de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal têm previsão de chuva abaixo da média, o centro e o sul de MS apresentam tendência de precipitação acima da média entre outubro e dezembro. No Pantanal, a expectativa é de vazões acima da média no Alto Rio Paraguai e maior risco de cheias.
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Mato Grosso do Sul deve ter chuva acima da média no centro e no sul entre outubro e dezembro de 2026, ao contrário de partes de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, segundo o Painel El Niño 2026-2027. No Alto Rio Paraguai, no Pantanal, há previsão de vazões acima da média e maior risco de cheias. As temperaturas seguem elevadas. O El Niño, confirmado desde junho, tem probabilidade superior a 95% de ser muito forte, segundo a NOAA.
As projeções constam da quarta edição do Painel El Niño 2026-2027, divulgado nesta terça-feira (30), e mostram que os efeitos esperados no Brasil não são uniformes. Para os últimos três meses, a previsão sazonal indica maior probabilidade de chuva acima da faixa normal no Sul, em partes do Sudeste e no leste do Nordeste. Em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, a tendência é de precipitação abaixo da faixa normal.
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MS destoa - Quando o recorte é feito para Mato Grosso do Sul, porém, a projeção apresenta diferenças. A previsão do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia) indica chuva acima da média no centro e sul do Estado durante o trimestre. Nas demais áreas do Pantanal, a tendência é de precipitação próxima da média. As temperaturas, por outro lado, devem permanecer acima da média.
O quadro contrasta principalmente com o centro e o norte de Mato Grosso, o norte de Goiás e o Distrito Federal. Nessas áreas, a combinação de chuva abaixo da média e temperaturas elevadas pode reduzir a disponibilidade de água no solo e dificultar o estabelecimento inicial de culturas como soja, milho e feijão.
Nas áreas analisadas do Centro-Oeste, o painel aponta recuperação da umidade do solo a partir de novembro. Em dezembro, o aumento das chuvas poderá provocar excesso de umidade, elevando o risco de doenças fúngicas e dificultando operações agrícolas.
A indicação genérica de chuva abaixo da média para áreas do Centro-Oeste, portanto, não deve ser aplicada indistintamente a Mato Grosso do Sul. Dentro da própria região, o painel apresenta comportamentos diferentes, com previsão de precipitação acima da média no centro e sul de MS.
Rio Paraguai - A diferença também aparece nas previsões para os rios. Na maior parte do Brasil, a expectativa é de vazões abaixo da média até dezembro. O boletim chama atenção para as bacias dos rios Branco e Negro, áreas do Norte e Nordeste e algumas cabeceiras do Centro-Oeste, onde há risco de persistência da estiagem.
No Alto Rio Paraguai, que abrange o Pantanal, o sinal é inverso. O painel prevê vazões acima da média e maior risco de cheias, condição que tende a diminuir até dezembro.
O documento não estima a magnitude de uma eventual cheia e ressalta que as projeções representam tendências sazonais, cujos impactos em cada local dependem da evolução das condições meteorológicas. Por isso, recomenda o monitoramento contínuo dos rios e reservatórios para orientar medidas de prevenção e resposta.
Também não há previsão de chuva acima da média para todo o Pantanal. Enquanto o centro e o sul de MS apresentam esse sinal, as demais áreas pantaneiras aparecem com precipitação próxima da média. Ainda assim, a previsão para o Alto Paraguai é de vazões superiores à média.
Calor e risco de fogo - Apesar da previsão de vazões acima da média no Alto Paraguai, as temperaturas devem permanecer acima da média em Mato Grosso do Sul e em praticamente todo o País. O painel também mantém áreas do Centro-Oeste entre as regiões críticas para ocorrência de fogo entre outubro e dezembro. O documento, porém, não detalha nessa análise quais áreas de Mato Grosso do Sul estão incluídas nas diferentes classificações de risco.
O painel também faz uma ressalva sobre os dados usados na análise das condições logísticas do Pantanal. Segundo o documento, a representação da região é parcial porque nem todas as localidades virtuais de Mato Grosso do Sul estavam incluídas no SipamHidro. Com isso, os indicadores dessa seção não abrangem integralmente o território sul-mato-grossense.
El Niño muito forte - O fenômeno está confirmado desde junho e deve continuar pelo menos até o início de 2027. Segundo o painel, os centros internacionais de previsão indicam continuidade e intensificação do aquecimento do Pacífico.
Para o trimestre de outubro a dezembro, o CPC (Centro de Previsão Climática) da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) aponta probabilidade superior a 95% de um El Niño muito forte. O boletim registra ainda que, segundo a NOAA, há possibilidade de o episódio ser o mais forte desde 1950, com anomalia de temperatura no Pacífico superior a 2,5°C.
Recomendações - O boletim orienta estados e municípios a atualizar planos de contingência, reforçar o monitoramento e os sistemas de alerta e identificar previamente recursos e estruturas disponíveis para responder aos possíveis impactos do El Niño.
O painel de setembro foi elaborado por órgãos federais, entre eles Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), SGB (Serviço Geológico do Brasil) e Censipam.
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