Apreensões por suspeita de compra de votos já somam R$ 1,17 milhão em MS
Flagrantes aconteceram em Iguatemi, Corumbá, Campo Grande e Ponta Porã nos últimos 10 dias
A quatro dias da eleição, que acontece neste domingo (4), Mato Grosso do Sul já registra quatro casos de apreensão de dinheiro em espécie em ocorrências que levantaram suspeitas de relação com crimes eleitorais. Somando tudo, a soma é de R$ 1.178.700.
RESUMO
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A quatro dias da eleição, Mato Grosso do Sul registra quatro apreensões de dinheiro em espécie com suspeita de ligação com crimes eleitorais. Em Japorã, um homem foi preso com mais de R$ 127 mil e material de campanha, após oferecer suborno a policiais. Em Corumbá, a Polícia Federal apreendeu R$ 1.700 e santinhos. Em Campo Grande, foram apreendidos mais de R$ 250 mil ligados ao deputado Márcio Fernandes, que nega compra de votos. Em Ponta Porã, uma mulher foi presa com R$ 800 mil. Todos os casos seguem sob investigação.
O episódio mais recente ocorreu em Iguatemi, onde o ex-presidente da Câmara de Mundo Novo, José Antônio Pires de Souza, foi preso na quarta-feira (30) com mais de R$ 127 mil em espécie distribuídos em envelopes, além de materiais de propaganda eleitoral. Também houve apreensões em Corumbá, Campo Grande e Ponta Porã.
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Em Iguatemi, a abordagem foi feita pela Polícia Militar, quando José Antônio, conhecido como "Zé Bocão", seguia para Japorã. Ex-vereador, com 5 mandatos, ele foi parado após uma denúncia anônima informar que veículo estaria trafegando em alta velocidade pela área urbana e seguiria em direção ao município.
Durante a abordagem, realizada nas proximidades do Bar Último Gole, os policiais fizeram busca no veículo. Na parte traseira, encontraram mochila preta com 10 pacotes de cor marrom com dinheiro em espécie, nomes do destinatário e município. Segundo o registro policial, a maioria apresentava anotações com valores individualizados.
Um dos pacotes foi aberto e tinha R$ 14 mil em cédulas de R$ 50 e R$ 100. Questionado, José Antônio afirmou acreditar que os demais volumes somariam entre R$ 60 mil e R$ 100 mil. Os outros pacotes não foram abertos e contabilizados naquele momento.
Além do dinheiro, os policiais encontraram no veículo diversos materiais de propaganda eleitoral, como santinhos, faixas e adesivos de candidato a deputado estadual.
Segundo o registro da ocorrência, José Antônio afirmou que levaria os valores e os materiais para Mundo Novo. Ele, porém, não soube esclarecer a origem do dinheiro.
Ainda conforme o registro, o homem ofereceu R$ 5 mil a cada um dos dois policiais que o abordaram, para que não prosseguissem com a averiguação. Diante disso, ele recebeu voz de prisão por tentativa de suborno.
José Antônio foi levado para a Delegacia de Polícia de Iguatemi, juntamente com o veículo, o dinheiro, os materiais de campanha e um celular. O aparelho estava desligado e sem bateria e, posteriormente, foi colocado em modo avião para ser apresentado à autoridade policial.
Dinheiro e santinhos em Corumbá - Também na quarta-feira (30), a Polícia Federal encaminhou uma mulher para a Delegacia de Polícia Federal em Corumbá para prestar esclarecimentos em uma investigação sobre suspeita de compra de votos.
A ação começou depois que a corporação recebeu informações sobre possíveis locais destinados à entrega de dinheiro em espécie a eleitores no município. Durante as diligências, foram apreendidos R$ 1.700 e materiais de propaganda eleitoral, incluindo santinhos de candidato.
Mais de R$ 250 mil apreendidos em Campo Grande - Antes dos casos registrados em Japorã e Corumbá, a Polícia Federal havia apreendido mais de R$ 250 mil em dinheiro durante a Operação Jogo Limpo, realizada em 25 de setembro em Campo Grande.
As buscas ocorreram no comitê e no apartamento do deputado estadual e candidato à reeleição Márcio Fernandes (PL). Além do dinheiro, foram apreendidos celulares, um pendrive e materiais de campanha. Segundo a Polícia Federal, a origem e a eventual destinação dos valores seriam apuradas no decorrer da investigação.
Márcio Fernandes apresentou versão diferente sobre o dinheiro. Ao Campo Grande News, afirmou que o dinheiro somava R$ 100 mil, retirado de sua própria conta bancária e que seria utilizado para pagar despesas de suas fazendas.
Segundo o deputado, o dinheiro era proveniente da venda de gado realizada dois dias antes da operação. Ele afirmou que precisava dos recursos em espécie para pagar funcionários e prestadores de serviço das propriedades rurais, incluindo despesas com reforma de mangueiro e conserto de um poço artesiano.
O parlamentar negou que o dinheiro tivesse relação com compra de votos e afirmou que a origem dos recursos poderia ser comprovada pela movimentação bancária.

Funcionária é presa com R$ 800 mil - O quarto caso ocorreu em 23 de setembro, em Ponta Porã, onde funcionária de uma universidade com sede no Paraguai foi presa em flagrante com R$ 800 mil em espécie.
Segundo a Polícia Federal, o dinheiro havia sido sacado de uma conta bancária mantida pela universidade e foi encontrado com a mulher quando ela deixava agência bancária em território brasileiro. A ação contou com apoio da CGU (Controladoria-Geral da União).
A mulher foi presa sob suspeita, em tese, de tentativa de evasão de divisas. A investigação busca esclarecer a origem, a propriedade e o destino dos R$ 800 mil, além das circunstâncias da movimentação e se havia intenção de levar o dinheiro irregularmente para o Paraguai.
A defesa afirmou que o dinheiro tinha finalidade comercial e seria utilizado para pagar dois ônibus adquiridos pela empresa. Documentos relacionados à compra dos veículos foram entregues à Polícia Federal.


