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No meio do "caos silencioso", paineiras floridas são respiro na paisagem

Meio Ambiente

No meio do "caos silencioso", paineiras floridas são respiro na paisagem

Cenário comum nesta época do ano, as árvores que margeiam o Córrego Prosa estão floridas, mas nem todo mundo pode ver

Por Marta Ferreira e Lucas Mamédio | 25/03/2020 08:43
O contraste do céu azul com a cor das flores melhora a paisagem. (Fotos: Kísie Ainoã)
O contraste do céu azul com a cor das flores melhora a paisagem. (Fotos: Kísie Ainoã)

“Parede” cor de rosa, do lado de cá e do lado de lá na margem do córrego Prosa. Cena de todo ano nesta época, as paineiras floridas num trecho de um quilômetro da Avenida Ricardo Brandão, em Campo Grande, são, em 2020, alívio para os olhos, em meio ao clima de cidade em suspenso, por causa da pandemia de novo coronavírus, que esvaziou as ruas e mandou quem pode para dentro de casa.

Da janela do apartamento onde vive, à frente do córrego, o empresário Marcos Teixeira Silva, 34 anos, acostumou-se com a paisagem sazonal, mas este ano, testemunha, ela tem impacto diferente. “Acalma”, traduz.

Teixeira afirma estar triste de viver tempos como os de hoje, “em que todo mundo está com medo de pegar o coronavírus”.  Mas, diante das flores, balançadas de leve pelo vento, comenta o “privilégio” de viver numa cidade com tanta arborização.

O cenário fica ainda mais bonito pela manhã, com os raios de sol entre as flores. No chão, o tapete florido.

Vizinho do canteiro de paineiras que se estende pela avenida e todo ano chama a atenção pela beleza, o morador foi a única pessoa que a reportagem encontrou por ali nesta manhã. Hoje, a quarentena decretada em Campo Grande para conter o contágio da Covid-19 entra no quinto dia de toque de recolher.

Para o observador “solitário” das árvores de flor cor-de-rosa, a companhia era o cão, levado para passear.

A rua, no entorno, vazio cortado por poucos veículos. O repórter contou cinco carros no semáforo, num trecho normalmente movimentado, entre a Rua Bahia e a Rio Grande do Sul.

Chão forrado de flores que caíram das "barrigudas" à margem do Córrego Prosa.
Chão forrado de flores que caíram das "barrigudas" à margem do Córrego Prosa.

Que planta é essa – De nome científico Ceiba speciosa, a paineira tem outros apelidos, como barriguda, por causa das protuberâncias pontudas no caule, árvore-de-lã, arvore-de-paina, paina-de-seda ou ainda paineira de espinho.

nativa de um região extensa no País, que vai da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul até Santa Catarina.

 Chega à altura superior a vinte metros. As folhas caem na época da floração e por isso fica a copa florida. Tem frutos em forma de cápsulas verdes,  que quando maduras explodem e deixam à vista sementes envoltas em fibras finas e brancas. Elas se espalham e, garantem o cenário florido ano a ano.