Você fala com seu pet pela câmera? Veterinário explica os riscos
Recurso se tornou aliado de tutores, porém o uso exige cautela e pode aumentar a ansiedade dos animais
Quem nunca abriu a câmera do pet no meio do expediente só para ver se o cachorro está dormindo ou o gato aprontando pela casa? As babás eletrônicas viraram uma febre entre os tutores, mas especialistas alertam que o monitoramento tem benefícios e também alguns limites.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O Lado B conversou com o médico veterinário Mário Cinato para entender quando a tecnologia ajuda e quando ela pode acabar atrapalhando.
“São extremamente úteis. Elas funcionam como os ‘olhos’ do tutor quando a casa está vazia. Elas são eficientes na identificação de gatilhos de estresse, pois ajudam a descobrir se o pet chora, uiva ou late assim que o tutor sai, sinais de ansiedade de separação”.
Muitos tutores acreditam que o animal fica tranquilo após a saída de casa, mas as imagens podem mostrar outra realidade. As câmeras ajudam a acompanhar se o pet está se locomovendo normalmente, se sofreu alguma queda ou se está se alimentando e se hidratando adequadamente. O equipamento também é um aliado para quem convive com animais idosos ou em recuperação de cirurgias e doenças.
Mas atenção: Mário ressalta que elas devem ser encaradas como ferramentas de apoio, e não como substitutas da prevenção. "Não podem substituir a presença do tutor”.
“O monitoramento por câmera pode dar uma falsa sensação de segurança porque a câmera apenas registra o evento. Ela não impede que o acidente aconteça. Se um tutor vê o pet engasgado ou ingerindo algo tóxico e está a 40 minutos de casa, o dispositivo serve apenas para documentar a emergência, não para evitá-la. O ambiente seguro continua sendo a única linha de defesa real”.
Segundo o veterinário, os maiores perigos para os pets também estão dentro de casa. Os acidentes mais frequentes envolvem quedas, intoxicações e ingestão de corpos estranhos. Fios, tomadas e carregadores, por exemplo, representam risco de choque elétrico e podem provocar queimaduras graves na boca, edema pulmonar e até parada cardíaca.
Plantas comuns, como lírios, espada-de-são-jorge e jiboia, também exigem atenção e podem causar desde irritação oral até insuficiência renal ou hepática grave. Janelas e sacadas apresentam outro risco conhecido como "síndrome do gato paraquedista". “Isso pode resultar em fraturas múltiplas, traumas internos ou até óbito”, completa o veterinário da clínica Bourgelat.
O fogão é outro ponto de perigo, seja pelas queimaduras nas patas de gatos que costumam subir nas superfícies ou por incêndios provocados por cães de grande porte que acionam os botões de gás. Além disso, objetos pequenos, como fios de costura, elásticos de cabelo, moedas e pedaços de brinquedos, podem causar engasgos ou obstruções intestinais que muitas vezes exigem cirurgia de emergência.
E as câmeras com áudio? São uma boa solução? Mário explica que o recurso de falar com o animal à distância exige cautela.
“Na maioria das vezes, não é recomendado. Ouvir a voz do tutor vinda de uma caixinha de plástico sem a presença física dele costuma gerar confusão e piorar a ansiedade. O pet ouve a voz, procura pelo tutor, não o encontra e pode entrar em um estado de frustração e agitação ainda maior”.
Embora pareça uma forma de tranquilizar o pet, ouvir a voz do tutor sem encontrá-lo fisicamente pode provocar o efeito contrário. “Use o áudio apenas se o animal já for muito bem treinado e acostumado a esse estímulo, ou em caso de emergência extrema para tentar interromper um comportamento perigoso imediatamente”.
Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.



