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Na Íntegra

Vander quer atrair eleitorado além do PT em estratégia para chegar ao Senado

Candidato acredita que atuação focada em ajudar prefeituras deve reverter em votos para alcançar uma das vagas

Por Maristela Brunetto | 22/09/2026 10:05

Chegando à conclusão de seis mandatos consecutivos como deputado federal, Vander Loubet (PT) tenta trocar a Câmara dos Deputados pelo Senado. Na reta final da campanha, o parlamentar aposta na experiência acumulada desde 2003, na proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e na relação com prefeitos para conquistar uma das duas vagas de Mato Grosso do Sul.

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Deputado federal pelo PT há seis mandatos consecutivos, Vander Loubet disputa uma das duas vagas ao Senado por Mato Grosso do Sul e aposta na experiência desde 2003, na proximidade com Lula e no apoio de prefeitos. Sua estratégia inclui buscar o segundo voto fora da base petista, ampliar presença nas maiores cidades do estado e usar a interlocução com o governo federal como argumento para conquistar eleitores de diferentes grupos políticos.

Em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, o candidato afirmou que pretende concentrar os últimos dias de campanha principalmente nas maiores cidades do Estado (Campo Grande, Dourados, Ponta Porã, Corumbá e Três Lagoas) e ampliar a busca pelo chamado segundo voto para senador.

Segundo Loubet,  a estratégia inclui caminhadas durante o dia, reuniões à noite e atuação nas redes sociais. Uma das dificuldades reconhecidas pelo próprio candidato é ir além do eleitorado tradicional do PT. Vander afirmou que pretende vincular sua candidatura à de Lula e buscar eleitores que apoiam o presidente, mas não necessariamente votam habitualmente no partido, assim como quem terá como primeiro voto ao Senado candidato de outros grupos políticos.

Nesta eleição, os eleitores escolherão 2 senadores. Trata-se de um cargo majoritário, com escolha pelos votos totais, a exemplo de governador e presidente. Cada Estado tem 3 representantes, com votação para definição de 2 membros em uma eleição e o outro na eleição seguinte. Neste ano, encerram-se os mandatos de Nelson Trad Filho (PSD), que desistiu de concorrer, e de Soraya Thronicke (PSB), da mesma coligação de Loubet.

 “Eu preciso chegar nos 40 mais 20 que faltam do Lula, que é o voto progressista, que é o voto que extrapola o PT. O Lula extrapola o PT”, afirmou. Segundo ele, o objetivo da reta final é transformar parte dos votos dados ao presidente em votos para sua candidatura ao Senado.

Eu já tenho seis mandatos como deputado. Cumpri minha etapa, tinha minha consciência tranquila. Eu não queria mais ser candidato a deputado. E eu me propus.”

 A tentativa de avançar para além da base petista também passa pelas prefeituras. Loubet afirma ter abertura para receber apoio de integrantes das administrações municipais de 67 prefeitos e prefeitas, ainda que nem todos estejam formalmente ao seu lado. Na entrevista, citou manifestações de apoio ou aproximação de lideranças de diferentes municípios.

O petista atribui parte dessa aproximação ao perfil de articulação que construiu durante os anos em Brasília. Na campanha, tenta apresentar a relação com o governo federal como argumento para conquistar o segundo voto inclusive de eleitores ligados a prefeitos de outros grupos políticos.

Ao explicar essa estratégia, Loubet citou a atuação após o temporal que atingiu Campo Grande. Segundo ele, mesmo sem ter o apoio da prefeita Adriane Lopes (PP), procurou ajudar na interlocução com o governo federal para a liberação de recursos destinados à recuperação dos danos. O candidato usa o episódio para sustentar que sua atuação parlamentar não estaria condicionada à filiação partidária dos gestores municipais.

Essa qualidade que eu tenho, e que todo mundo sabe que eu sou do PT, mas sabe que eu abro portas e que eu sou uma pessoa que respeita quem pensa diferente. E acho que, com essa polarização, é muito importante esse perfil para ajudar os municípios, para ajudar os movimentos sociais, para ajudar os empresários e, principalmente, para ajudar o Estado."

A disputa deste ano também representa uma mudança importante na trajetória política de Loubet. Em vez de tentar a sétima eleição consecutiva para deputado federal, ele decidiu concorrer ao Senado.

Na entrevista, ele relacionou a decisão a mudanças ocorridas na formação das chapas para o Senado ao longo do ano. Ele citou, entre outros fatores, a saída de Simone Tebet (PSB) do cenário estadual para disputar o Senado em São Paulo (SP) e a decisão de Nelsinho Trad (PSD) de não manter uma candidatura à reeleição. Na avaliação do candidato, essas movimentações abriram espaço para que ele buscasse apoio de prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas.

 Loubet reconhece que o partido é alvo de rejeição, especialmente em um estado com tradição conservadora. Ao comparar sua situação com a de outros nomes que poderiam disputar o Senado, afirmou que o PT enfrenta resistência em parte do eleitorado e que isso torna mais importante a busca pelo segundo voto fora da base tradicional da legenda.


Além da estratégia eleitoral, a entrevista passou por temas que deverão chegar ao Senado na próxima legislatura. Sobre as apostas esportivas, Loubet defendeu regras mais rígidas e aumento da tributação das empresas do setor. Para ele, parte dessa arrecadação deveria financiar áreas como saúde e educação.

O candidato também defendeu mudanças relacionadas ao STF (Supremo Tribunal Federal), que se encontra no centro de um escândalo, com nomes de ministros citados no Caso Master, entre elas a criação de um código de ética e conduta para ministros. Loubet afirmou ainda que integrantes da Corte que tenham crimes comprovados devem estar sujeitos aos mecanismos legais de responsabilização, incluindo impeachment.

Nós precisávamos retomar a disputa de hegemonia aqui no Estado, que nós perdemos nos últimos 12 anos, desde 2014. E a gente, com o Fábio (Trad), comigo, senador, com a própria senadora Soraya, nós constituímos uma chapa que defende o programa e o projeto de reeleição do presidente Lula.”

Na reta final, porém, o foco declarado está menos nas pautas nacionais e mais na matemática eleitoral de Mato Grosso do Sul e o esforço para ser o segundo voto de quem não é eleitor do PT.

Para isso, ele usará justamente o ativo construído ao longo dos 6 mandatos na Câmara: a relação com municípios e a interlocução com Brasília. “Eu quero ser senador para levar lá para o Senado principalmente essa experiência”, afirmou.