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Campo Grande, Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018

29/09/2018 18:21

#EleNão e #EleSim levam ao menos 1,4 mil manifestantes para as ruas

Dia foi de protestos em dois pontos distintos de Campo Grande

Humberto Marques, Mirian Machado e Ricardo Campos Jr.
Caminhada contra Bolsonaro começou por volta das 16h e teve cerca de 800 participantes, segundo a organização (Foto: Mirian Machado)Caminhada contra Bolsonaro começou por volta das 16h e teve cerca de 800 participantes, segundo a organização (Foto: Mirian Machado)
Manifestação a favor de Bolsonaro nos altos da avenida Afonso Pena, com ao menos 600 pessoas (Foto: Henrique Kawaminami)Manifestação a favor de Bolsonaro nos altos da avenida Afonso Pena, com ao menos 600 pessoas (Foto: Henrique Kawaminami)

Dois atos em diferentes regiões de Campo Grande reuniram centenas de manifestantes contrários e a favor do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) na tarde deste sábado (29). A PM (Polícia Militar) não quis fazer estimativa de público em nenhum dos dois protestos.

Convocados por meio de redes sociais e alinhados a manifestações promovidas em todo o país, o “#EleNão” –em protesto a posicionamentos do presidenciável avaliados como contrários a direitos humanos ou sua plataforma de governo – e o “#EleSim” (de defensores da candidatura do deputado federal ao Planalto e seus projetos, sobretudo em áreas como segurança pública) transcorreram sem grandes problemas na cidade.

Atos semelhantes se repetiram pelo país, tendo começado a partir do surgimento do grupo “Mulheres contra Bolsonaro” na rede social Facebook, que chegou a cerca de quatro milhões de participantes. A partir dele, foram convocados atos em reação ao presidenciável do PSL e, ao mesmo tempo, geraram reações de eleitores favoráveis a Bolsonaro –que subiram a hashtag “#EleSim e também iniciaram mobilizações.

Na Capital, os dois atos demandaram intervenções da Justiça, uma vez que haviam sido marcados para a região central da cidade. Portaria da 8ª Zona Eleitoral proíbe atos políticos no quadrilátero formado pelas Avenidas Fernando Corrêa da Costa, Ernesto Geisel e Mato Grosso e a Rua Bahia. Com isso, decidiu-se pela realização dos protestos em locais distantes, evitando também proximidade entre os manifestantes.

A organização do ato alusivo ao #EleNão estima que pelo menos 800 pessoas partiram da Praça Cuiabá, no Amambaí, em caminhada pela Orla Morena (na Planalto). Os organizadores esperavam cerca de 2 mil pessoas e a passeata ocupou espaço de cerca de três quadras da Orla Morena.

Assista a alguns vídeos da manifestação #EleNão:

O ato seguiu pacificamente, sem registro de confusões ou mesmo presença de políticos em campanha e, também conforme seus organizadores, chegou a reunir duas mil pessoas.

A caminhada teve início por volta das 16h, sendo encerrada cerca de uma hora depois no mesmo local de partida. Empunhando faixas alusivas ao direito das mulheres, homossexuais e outros temas alvos de declarações polêmicas por parte de Bolsonaro. Várias palavras de ordem foram cantadas pela multidão que, ao final da passeata, concentrou-se nas imediações, onde um carro de som manteve as mobilizações.

A jornalista Mila Rodrigues justificou a presença afirmando protestar “primeiro pela minha filha”. A criança, de dois anos, e o marido, também estavam no ato. Segundo ela, o maior problema sobre Bolsonaro “é o retrocesso. Estamos correndo o risco de a política diminuir direitos básicos e civis”, declarou, criticando ainda o perfil “separatista e excludente” do presidenciável e sua propostas em áreas como segurança pública.

Mila, porém, revelou não se sentir representada pelos outros candidatos. “Apesar de não termos opções que nos representem, pois o Brasil está de mãos atadas, nossa obrigação é não votar nele”.

Também presente, a advogada Jacqueline Hildebrand e o marido, Willian Pontes, seguiram pela passeata argumentando que “lutam pela igualdade de todos”. Sobre o motivo de se manifestar, Jacqueline disse “abominar” propostas que tratam da liberação do porte de armas. “Precisamos investir mais em educação do que em armas”, sustentou.

Veja mais imagens do #EleNão na galeria:


A manifestação em favor de Bolsonaro, também segundo seus organizadores, reuniu cerca de 600 pessoas em frente à Cidade do Natal, incluindo famílias inteiras, sendo realizada também adesivagem de veículos de apoiadores do candidato. O ato também não demandou atuação das autoridades –apenas um participante, mais exaltado, foi retirado do local por supostamente estar embriagado.

A concentração começou a partir das 16h, reunindo cerca de meia hora depois 100 manifestantes e atingindo o contingente máximo de pessoas às 17h. Na Afonso Pena, houve diversas manifestações de apoio de motoristas, com buzinaço. Já no local da concentração, coreografias e orientações para os apoiadores de Bolsonaro foram constantes durante o ato.

Morgana Lima, uma das organizadoras, rebateu alegações das mulheres que se manifestaram contra o presidenciável. “Não existe contradição nenhuma nisso. Muitas mulheres também apoiam o candidato”, afirmou. Ela também rechaçou as críticas a propostas de Bolsonaro que focam o porte de armas ou que seriam incentivo à violência.

“Bolsonaro não prega que absolutamente todos tenham uma arma. As pessoas argumentam que querem armas para se defender. Eu mesma não seria uma das pessoas que compraria uma”, afirmou Morgana. “E, ao contrário do que a opinião pública está sendo levada a pensar, o aumento na quantidade de armas não tende a aumentar os crimes, pois os bandidos ficariam com medo de cometer assaltos. Isso tende a reduzir os roubos à mão armada”, prosseguiu, afirmando, ainda, acreditar na vitória de seu candidato no primeiro turno.

Participantes do movimento também foram orientados a não comparecerem nos locais de votação usando camisetas com a imagem de Bolsonaro –o que pode configurar boca de urna e resultar em punições para o candidato e os eleitores. Pedidos ao microfone foram para que usassem camisetas da Seleção Brasileira ou amarelas. Os candidatos Soraya Thronicke (PSL), ao Senado, e Capitão Contar (PSL), a deputado estadual, participaram das mobilizações.

Veja a coletânea de vídeos do #EleSim:

   

Veja mais fotos do protesto nos altos da Afonso Pena:


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