Obra do novo plenário da Assembleia chega a 10% e prevê 5 gabinetes extras
Estrutura foi adaptada para acompanhar possível aumento no número de deputados e deve ser concluída até 2028
A construção do novo plenário da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) atingiu cerca de 10% de execução e prevê, além da nova estrutura para as sessões, espaço para cinco gabinetes extras caso o Estado passe a ter mais deputados. A informação foi dada nesta segunda-feira (10) pelo primeiro-secretário da Casa, deputado Paulo Corrêa (PL), que explicou que a estrutura está sendo planejada para atender uma eventual ampliação da bancada estadual.
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Segundo Corrêa, a obra enfrentou uma alteração na etapa de fundação, o que provocou um atraso estimado em cerca de 40 dias. A mudança ocorreu porque as estacas precisaram ser perfuradas individualmente para adequar a fundação ao projeto. Apesar do atraso nessa fase, o deputado afirma que a construção segue dentro do cronograma estabelecido após a alteração. “Eu acho que a gente tem 10% já concluído”, afirmou Paulo Corrêa ao comentar o andamento da obra.
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A fundação foi modificada para receber a estrutura metálica que será utilizada na construção do novo plenário. De acordo com o primeiro-secretário, a opção deve permitir maior velocidade nas etapas seguintes da obra, já que a estrutura poderá ser montada e, posteriormente, receber os revestimentos.
A previsão é de que a construção seja concluída em aproximadamente 24 meses. Com isso, a entrega deve ocorrer entre o fim de 2027 e o início de 2028. O cronograma, portanto, não permitirá que o novo plenário seja concluído a tempo das comemorações dos 50 anos de Mato Grosso do Sul, celebrados em 2027.
O projeto prevê aproximadamente 11.382 metros quadrados de área construída e capacidade para cerca de 700 pessoas, mais que o dobro do plenário atual, que comporta aproximadamente 300 pessoas.
A nova estrutura terá formato circular e uma cúpula sobre o plenário. O projeto inclui galerias para o público, mesa diretora com acessos privativos, salas técnicas de taquigrafia, cerimonial e assessoria, além de estúdios da TV e da Rádio Assembleia, salas de imprensa, sala VIP, sala médica acessível, recepção com triagem e controle eletrônico de acesso, sanitários acessíveis, copa, depósitos e sala de CPD.
Também estão previstos sistemas de climatização central com renovação de ar, iluminação técnica, rede lógica de dados, sonorização, votação eletrônica, painéis de LED e estrutura para transmissão digital. A parte elétrica contará com subestação, quadros de energia, nobreaks e geradores.
A estrutura metálica, segundo Corrêa, ficará encoberta pelos revestimentos e não deverá alterar visualmente o padrão arquitetônico do Parque dos Poderes. “Vai ser toda encoberta. Você não vai perceber”, explicou.

Cinco novos gabinetes - Além de ampliar o espaço destinado às sessões e ao público, o projeto foi planejado para uma possível mudança no número de deputados estaduais de Mato Grosso do Sul. Segundo Paulo Corrêa, a Assembleia já deixou uma área preparada para a construção futura de cinco gabinetes.
Atualmente, cada gabinete tem aproximadamente 89 metros quadrados. A previsão é reservar uma área de cerca de 450 metros quadrados para os cinco novos espaços, considerando aproximadamente 90 metros quadrados por gabinete.
A medida leva em consideração o crescimento populacional de Mato Grosso do Sul e a possibilidade de alteração na composição da Assembleia. Paulo Corrêa citou que o Estado já se aproxima da marca de 3,2 milhões de habitantes e que o estado vizinho, Mato Grosso, por ter ultrapassado a marca populacional necessária, passou a ter direito a mais três deputados estaduais.
Nesse cenário, a Assembleia de Mato Grosso do Sul busca deixar a estrutura preparada para uma eventual ampliação futura. A previsão de cinco gabinetes, portanto, não representa a criação imediata de novas vagas, mas uma reserva de espaço para uma possível mudança no número de parlamentares.
A estrutura do novo prédio também será conectada ao edifício atual da Assembleia. Conforme explicou Corrêa, o prédio existente tem configuração semelhante à letra “H”, e o novo espaço será ligado à estrutura antiga por um corredor localizado na área central.
A parte superior da nova construção deverá concentrar os espaços destinados aos deputados, incluindo a área reservada para os futuros gabinetes.

Energia solar - Outro ponto previsto no projeto é a utilização de energia solar para dar maior autonomia ao novo plenário. A preocupação está relacionada principalmente à continuidade das sessões em caso de interrupção no fornecimento convencional de energia.
Segundo Paulo Corrêa, a Assembleia já trabalha com geração solar e prevê a ampliação das placas e o uso de baterias para garantir o funcionamento do plenário. A intenção é evitar que uma eventual falta de energia interrompa uma sessão legislativa. “Você está tocando a sessão, faltou luz, parou tudo”, explicou o primeiro-secretário.
A nova estrutura deverá contar ainda com sistemas de energia redundante, incluindo nobreaks e geradores, além da geração solar prevista no projeto.
Obra de R$ 102 milhões - O contrato para a construção do novo plenário foi firmado com as empresas Paulitec Construções Ltda. e Tecnoedil S.A. Constructora, que formam o Consórcio Novo Plenário. O valor contratado é de R$ 102 milhões e o prazo originalmente estabelecido para execução é de um ano e meio a partir da assinatura da ordem de serviço.
O consórcio já atua em Mato Grosso do Sul na construção da Ponte Internacional da Rota Bioceânica, que ligará Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai.
A contratação contempla materiais e mão de obra e inclui todas as etapas necessárias para a entrega da estrutura pronta para funcionamento. Entre os serviços estão fundações, terraplenagem, estrutura metálica, impermeabilização, fechamentos, cobertura, instalações elétricas e hidrossanitárias, prevenção contra incêndio, revestimentos, pintura, vidros, urbanização, acessos e limpeza final.
O projeto arquitetônico foi aprovado pela Mesa Diretora em março de 2025. A proposta surgiu em meio à necessidade de ampliar a capacidade de atendimento ao público durante sessões e audiências de grande repercussão. Um dos exemplos citados pela Assembleia foi o debate sobre a proposta de proibição da pesca no Estado, quando parte do público precisou acompanhar os trabalhos do lado de fora.
A previsão de ampliação também considera a necessidade de modernizar a estrutura tecnológica da Casa, com equipamentos para transmissão, votação eletrônica, sonorização e comunicação.
Segundo a Assembleia, o projeto foi elaborado com base nos sistemas de referência Sinapi, da Caixa Econômica Federal, e Agesul, atualizados para janeiro de 2025. Para itens sem padronização, foram utilizadas composições próprias desenvolvidas por técnicos habilitados. No orçamento, foi aplicado BDI de 23,53%, percentual destinado a bonificações e despesas indiretas em obras públicas de alta complexidade.
A mobilização para tirar o projeto do papel começou ainda em 2024, com visitas técnicas às assembleias de Mato Grosso e Goiás e antecipação do recesso legislativo para permitir o início dos levantamentos necessários.


