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Saúde e Bem-Estar

HU de Dourados retoma captação de órgãos após 2 anos e "salva vidas" em MS e RS

Cirurgia realizada no início de fevereiro destinou fígado a Campo Grande e rins ao Rio Grande do Sul

Por Jhefferson Gamarra | 19/02/2026 15:38
HU de Dourados retoma captação de órgãos após 2 anos e "salva vidas" em MS e RS
Órgão transportados em recipente com gelo para implante (Foto: Divulgação/UFGD)

Após mais de dois anos sem realizar o procedimento, o HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) voltou a fazer uma captação de órgãos, beneficiando três pacientes um de Mato Grosso do Sul e dois do Rio Grande do Sul. A cirurgia ocorreu no dia 4 de fevereiro e marcou a retomada desse tipo de operação na unidade.

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O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) realizou sua primeira captação de órgãos após dois anos, beneficiando três pacientes. A doadora, uma mulher de 44 anos com morte encefálica, teve seu fígado destinado a um paciente de Campo Grande e seus rins enviados a receptores do Rio Grande do Sul. A cirurgia, realizada em 4 de fevereiro, envolveu uma extensa rede de profissionais e durou aproximadamente três horas. A doação foi possível graças à manifestação prévia do desejo da paciente, ressaltando a importância da discussão familiar sobre o tema da doação de órgãos.

Vinculado à Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalar), o hospital realizou a captação a partir de uma doadora de 44 anos, que teve morte encefálica. O fígado foi destinado a um paciente de Campo Grande, enquanto os rins foram encaminhados, por meio da Central Nacional, a receptores do Rio Grande do Sul.

HU de Dourados retoma captação de órgãos após 2 anos e "salva vidas" em MS e RS
Logística preparada para o transporte dos órgãos aos receptores (Foto: Divulgação)

A paciente estava internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) adulto desde o dia 27 de janeiro, em estado grave. Segundo a psicóloga hospitalar Larissa Beatriz Andreatta, com a confirmação da morte cerebral foi acionada a equipe responsável pelo processo de doação.

“Com a morte cerebral, acionamos a equipe do hospital que trabalha nesta função e, junto com os profissionais da UTI, acolhemos a família e informamos sobre a possibilidade e oportunidade de doação”, explicou.

A equipe mencionada é a Equipe Hospitalar de Doação de Transplante, antiga Cihdott. O grupo atua na identificação e diagnóstico de potenciais doadores, na notificação dos casos e no acolhimento das famílias para autorização. Além disso, acompanha todo o processo, esclarece dúvidas, capacita profissionais do próprio hospital e de outras instituições e promove ações de conscientização sobre a doação de órgãos.

De acordo com a coordenadora da equipe, a enfermeira assistencial Ely Bueno da Silva Bispo, a família autorizou a doação porque a paciente já havia manifestado em vida o desejo de ser doadora. Ela ressaltou, no entanto, que nem sempre há autorização.

“Ainda encontramos dificuldades, pois é um assunto pouco discutido em casa. Algumas famílias recusam a doação por desconhecer qual seria o desejo do paciente, por isso é fundamental avisar a família sobre o desejo de ser doador”, afirmou.

O processo de captação envolve uma rede ampla de profissionais. Segundo Ely, participam equipes assistenciais das UTIs, as e-DOTs, a Organização de Procura de Órgãos do Sistema Nacional de Transplantes, além das equipes responsáveis pela cirurgia e pela logística de transporte. “Há uma logística muito grande para este trabalho”, resumiu.

HU de Dourados retoma captação de órgãos após 2 anos e "salva vidas" em MS e RS
Equipe responsável pela captação dos órgãos no HU-UFGD (Foto: Divulgação)

A cirurgia de captação durou cerca de três horas e foi realizada por uma equipe de Campo Grande, formada pelo médico-cirurgião Gustavo Rapassi, um instrumentador cirúrgico e um residente em Medicina, com suporte da estrutura e dos profissionais do HU-UFGD.

Responsável pelo programa de transplante de fígado de Mato Grosso do Sul, Rapassi explicou que o fígado foi destinado a um paciente de Campo Grande que aguardava há bastante tempo na fila. Já os rins foram disponibilizados para receptores do Rio Grande do Sul, conforme definição da Central Nacional. “O paciente que vai receber o fígado estava na fila há bastante tempo, então essa doação vai ser muito importante”, destacou.

Segundo o médico, a conscientização da população é fundamental para ampliar o número de transplantes. Ele ressaltou que, mesmo quando o órgão não é utilizado na própria região, é possível beneficiar pacientes de outras partes do país, graças à articulação do sistema nacional. Da mesma forma, receptores locais também são atendidos com órgãos captados em outros estados. “Isso é organizado pelo Sistema Nacional de Transplante e a gente consegue minimizar as perdas de órgãos pelas grandes dimensões do nosso país”, afirmou.

Esta foi a primeira captação realizada pelo hospital desde outubro de 2023. Na ocasião anterior, a família de um paciente de três anos, vítima de afogamento, autorizou a doação, e os órgãos viáveis foram encaminhados para Minas Gerais, conforme a compatibilidade dos receptores.