Uma semana após cirurgia experimental, jovem tetraplégico sente reações na perna
Operação injetou polilaminina, medicamento desenvolvido há 25 anos por pesquisadora brasileira
RESUMO
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Jovem de 19 anos, primeira pessoa em Mato Grosso do Sul a receber tratamento experimental com polilaminina, apresenta sinais de evolução uma semana após a cirurgia. Tetraplégico devido a um tiro acidental em outubro de 2025, Luiz Otávio Santos Nunez relata capacidade de movimentar nervos na região da coxa. O procedimento, realizado no Hospital Militar de Campo Grande, é o 13º caso no Brasil autorizado por via judicial. Segundo o neurocirurgião Bruno Cortez, todos os pacientes que receberam o tratamento apresentaram algum grau de melhora. A polilaminina, ainda em fase de testes clínicos, foi desenvolvida pela UFRJ ao longo de 25 anos de pesquisa.
Primeira pessoa em Mato Grosso do Sul a fazer uma cirurgia experimental com uso de polilaminina, Luiz Otávio Santos Nunez, 19 anos, está reagindo. A operação ocorreu há apenas uma semana no Hospital Militar de Área de Campo Grande, junto a outro procedimento de rotina na coluna já programado.
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Tetraplégico, mas com alguns movimentos nos braços recuperados anteriormente, o jovem relatou nesta terça-feira (27) que continua sem sensibilidade total nas pernas, mas sente espasmos e percebeu a capacidade de mover nervos da região da coxa.
“Fazendo força com a minha mente, eu consegui fazer aquele movimento. Por mais que eu não sinta, mandei o comando para aquilo acontecer”, afirmou.

Neurocirurgião da Capital que acompanhou a cirurgia e segue cuidando do paciente, Wolnei Zeviani confirma a evolução. "Eu coloquei a mão e vi que ele tem um padrão de contração muscular, mas que ainda não desenvolve movimento. Agora a gente precisa dar tempo ao tempo", disse.
Mais de três meses - A melhor janela para o uso do medicamento é de até 72 horas após uma lesão na medula. No caso de Luiz, ela ocorreu em 4 de outubro de 2025 após um tiro acidental.
Segundo a equipe do Rio de Janeiro (RJ) ligada à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), onde o medicamento começou a ser estudado há 25 anos, mesmo assim é possível crer em resultados porque a lesão não está no estágio crônico e a medula ferida ainda tem condições de se regenerar.
Mãe de Luiz e servidora pública, Viviane Goreti Ponciano dos Santos tenta olhar de forma sóbria para o processo porque a polilaminina ainda não é aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e está em fase de testes clínicos, mas fica emocionada com cada pequeno sinal de melhora. "Mesmo num cenário em que ainda existem dúvidas, nós confiamos no conhecimento, na pesquisa séria e nas pessoas que dedicam suas vidas a buscar respostas", falou.
Afastada do trabalho e numa situação financeira difícil após ter que vender bens para mudar-se com a família de Fátima do Sul para Campo Grande e dedicar-se ao tratamento, ela está esperançosa. "Falei para o Luiz: filho, se precisar, eu te ensino de novo a andar e a comer. Eu acredito que é possível", disse.
A polilaminina foi fornecida gratuitamente pelo laboratório carioca Cristália, que produz a droga em parceria com a universidade. Mas os gastos com tudo o que foi necessário desde o acidente e durante essa fase de recuperação são elevados.
O paciente começou sessões de fisioterapia em casa, por enquanto. Elas serão o foco do tratamento daqui em diante, na tentativa de fazer o cérebro do tetraplégico reaprender os movimentos enquanto a medula se regenera.
Ordem judicial - O jovem foi o 13º a realizar a cirurgia no Brasil por ordem judicial. Foi necessário procurar a Justiça para obter autorização para usar o medicamento em fase de estudos. O neurocirurgião do Hospital Souza Aguiar, do Rio de Janeiro, Bruno Cortez, que esteve em Campo Grande para operar Luiz, alega que houve resultados em todos. "Todos eles tiveram já algum grau de melhora e até melhora precoce, o que surpreendeu a gente, tanto do ponto de vista sensível como no motor. Foi mais rápido do que a gente esperava", disse.
A família de Luiz conseguiu contato direto por e-mail com a pesquisadora da UFRJ que lidera os estudos da polilaminina desde o início, Tatiana Sampaio, o que agilizou os trâmites necessários para pedir a liberação judicial.
"Ficamos sabendo por uma reportagem na TV. A partir daquele momento, nasceu uma esperança. O Marcio Nunez, pai do Luiz, entrou em contato com médicos, buscou informações técnicas e reuniu, em tempo recorde, toda a documentação para viabilizar o tratamento. Foram dias de intensa mobilização", conta a mãe.
O acidente - Luiz é soldado do Exército e presta serviço em Dourados. Num dia de folga, acabou atingido no pescoço por um disparo de pistola feito acidentalmente pelo colega militar Vitor Dias Ferreira Batista, 24 anos, em 4 de outubro de 2025.
Eles seguiam para uma pescaria num veículo do modelo Celta até o município de Laguna Carapã. Fernando Nunez, 20 anos, irmão do jovem estava no banco de trás.

O motorista era Luiz e Vitor estava no banco do passageiro. A arma manuseada pelo colega acabou disparando quando o carro passou por um obstáculo. O projétil quebrou o vidro da porta do motorista e o carro saiu da pista, avançando cerca de 200 metros até parar em uma área de palhada de milho. Ao perceber a gravidade da situação, o autor do disparo atirou contra a própria cabeça e morreu no local.
Luiz foi levado primeiro para o Hospital da Vida, onde passou por uma primeira cirurgia para estabilizar a coluna lesionada. Depois, precisou ser transferido para o Hospital Militar de Campo Grande. Passou bastante tempo na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por ter adquirido uma infecção e, ao todo, três meses internado.
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Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelos telefones 141 e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.




