MS está no top 5 da vacinação contra HPV, mas tem desafio entre meninos
Questões culturais, mitos, falta de informação e rotina corrida atrapalham avanço dos índices
HPV é a sigla para papilomavírus humano, com o qual 80% das pessoas terão contato em algum momento da vida sexual, segundo estima a OMS (Organização Mundial da Saúde). O maior risco envolvido no contágio é o câncer, sendo o de colo do útero o mais conhecido, mas não o único: ele também pode surgir no pênis, garganta, boca e ânus.
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A vacinação é a principal forma de prevenir esse desfecho e está disponível de graça desde 2014 para crianças e adolescentes. Mato Grosso do Sul tem melhorado os índices de cobertura nos últimos anos e está no top 5 da lista dos que mais vacinaram no ano passado, além de liderar na região Centro-Oeste. Porém, o Estado continua com o desafio de vencer mitos, questões culturais, a rotina atribulada de quase todo mundo e vacinar mais meninos.
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Desde que foi instituída a dose única contra o HPV, em 2024, houve um ganho. O índice aumentou significativamente no Estado, como atesta a coordenadora de Imunização da SES (Secretaria Estadual de Saúde), Ana Paula Goldfinger.
"Foi uma boa estratégia. Sempre que qualquer vacina é em dose é única, vai ser outra a cobertura, porque é muito mais fácil. Nossos índices começaram a subir a partir daquele ano", diz.
Meninos - Quando se destrincham os últimos dados da cobertura geral do Ministério da Saúde e são comparados os dados de vacinação de meninas x meninos, elas lideram com 81,75%. Eles ficam com 76,20%.
Questões culturais podem explicar essa diferença, além do câncer de colo de útero acabar se sobressaindo na hora de divulgar a importância da vacina.
Pode ser que a menina seja a mais cuidada e protegida e haja um pensamento sobre a fragilidade maior da mulher, de vulnerabilidade. Outra coisa é que a gente fala mais da relação entre o HPV e o câncer de colo de útero, já que ele é o mais predominante, associando mais o vírus à doença que pode causar na mulher. Mas precisamos falar mais que o homem pode ter câncer associado ao vírus também", afirma Ana Paula.
Não vacinados - Publicado em fevereiro deste ano na revista Ciência e Saúde Coletiva, um estudo de pesquisadores da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) analisou dados de 2019 do PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) e apontou a Bahia e Mato Grosso do Sul como os estados com maior proporção de meninas adolescentes não vacinadas entre os grupos mais ricos, "o que configura um padrão inesperado", de acordo com a publicação científica.
Como a SES e o Ministério da Saúde não produzem dados socioeconômicos sobre a vacinação, a coordenadora de Imunização não sabe informar com precisão se essa é a realidade no Estado. O que ela confirma é que negacionismo, falta de informação, mitos sobre a vacina do HPV e questões triviais como esquecimento e falta de tempo são problemas, em geral.
Ela reforça que teorias sobre iniciação precoce da sexualidade, desenvolvimento acelerado do corpo ou qualquer outra que vá nessa mesma linha, não fazem sentido quando confrontadas com os fatos sobre a vacina contra o HPV.
"A vacina não vai provocar nenhuma alteração hormonal. As vacinas elas são feitas de pequena partículas de vírus vivo ou morto só para o corpo reconhecer e ativar o sistema imune. É quantitativo mínimo, não vai de alguma forma ativar a doença", explica.
Nas escolas - Estratégia que também auxilia os índices a melhorarem em Mato Grosso do Sul, ainda conforme a coordenadora, é o programa Aluno Imunizado realizado pela SES e pela SED (Secretaria Estadual de Educação) há três anos.
Ele prevê a ida de profissionais de saúde até as instituições para vacinar estudantes, mediante autorização prévia dos pais. A campanha começará em maio. Diretores interessados em levar a iniciativa à sua escola podem procurar a SED.
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