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Campo Grande, Domingo, 15 de Setembro de 2019


12/09/2019 06:39

Cordilheira dos Andes, uma aventura ao alcance de Mato Grosso do Sul

Com previsão de ficar pronta em 2023, a rota bioceânica será o caminho para conhecer a maior cadeia de montanhas do mundo

Paulo Nonato de Souza
A rodovia Los Caracolles, desafio e também atrativo na travessia da Cordilheira dos Andes, a maior cadeia de montanhas do mundo (Foto: Sandra Enumo/Tripadvisor)A rodovia Los Caracolles, desafio e também atrativo na travessia da Cordilheira dos Andes, a maior cadeia de montanhas do mundo (Foto: Sandra Enumo/Tripadvisor)

A Cordilheira dos Andes, mais do que aventura, um caminho de descobertas. É o mínimo que se pode esperar de um dos grandes desafios, e também um dos atrativos mais belos e interessantes da Rota Bioceânica, uma rodovia que ligará o Brasil ao Chile, cruzando o Paraguai e a Argentina, e colocará Mato Grosso do Sul na honrosa condição de ponto central da América do Sul.

Quando a rota ficar pronta em 2023, conforme as previsões governamentais, Campo Grande será ponto de partida, via Porto Murtinho, região sudoeste de Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai, para quem quiser viajar de carro até o Chile, na Costa do Pacífico Sul, e de lá para outros países do continente.

“Quando tudo estiver funcionando seremos a melhor alternativa rodoviária de cruzar fronteiras sul-americanas para os turistas brasileiros estrangeiros ”, prevê o presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, Bruno Wendling.

Com Mato Grosso do Sul no centro da América do Sul, a Cordilheira dos Andes estará no meio do caminho dos viajantes no sentido mais apropriado da palavra, ou seja, não como um estorvo, mas como um passeio imperdível e inesquecível. De carro desde Santiago do Chile até Mendonza, na Argentina, por exemplo, você irá encarar a Ruta CH-60, a rodovia Los Caracolles

O nome como a rodovia é conhecida já faz presumir o que você terá pela frente. São muitas curvas, cada uma mais desafiadora que a outra. “Sem dúvida uma das estradas mais fascinantes do mundo, uma emoção diferente em cada curva. Amo dirigir, pegar estradas, e fiz o trajeto em 2016 em um carro alugado em Santiago. Com a rota bioceânica vou poder conhecer muito mais lugares da América do Sul”, disse o douradense radicado em Campo Grande, Thiago Lemes Soares.

A Cordilheira dos Andes se estende desde a Venezuela até a Patagônia, e se destaca na paisagem do Chile, Argentina, Bolívia, Peru, Equador e Colômbia, países sul-americanos que formam a chamada América Andina. É uma grande cadeia montanhosa considerada a maior do mundo em comprimento com aproximadamente 8 mil km de extensão.

Lugar de beleza natural, a Cordilheira dos Andes faz valer a pena. A riqueza ecológica é abundante com fauna e flora. Grande parte da vegetação é rasteira, formada basicamente por uma espécie de capim chamada de “ichu”, que serve de alimento para diversos animais.

Se viaja com tempo, é indispensável parar para observar e fotografar lhamas, alpacas, guanacos, vicunhas e alguns tipos de aves que não se vê em outros lugares, como o Condor, uma ave típica dos Andes.

De junho a outubro, o Valle Nevado é o ponto de encontro de quem gosta de curtir a neve, a 40 km de Santiago (Foto: Reprodução)De junho a outubro, o Valle Nevado é o ponto de encontro de quem gosta de curtir a neve, a 40 km de Santiago (Foto: Reprodução)

O Valle Nevado - A Cordilheira dos Andes cerca a capital chilena. Qualquer que seja o lado da sua janela você estará sempre de frente para a gigantesca cadeira de montanhas. Entre junho a outubro a atração é a neve, e um destino imperdível é o Valle Nevado, uma estação de esqui a 3.200 metros de altura, distante apenas 40 km de Santiago. É um bom lugar para praticar esportes de inverno ou simplesmente passar um dia ou algumas horas para curtir a neve.

O acesso é gratuito, mas ainda assim há custos para chegar lá. Não é recomendável fazer o trajeto por conta própria, especialmente no período de inverno, quando há risco de nevascas e a estrada se torna muito perigosa. Por isso, é melhor contratar um serviço de transfer com guia para o passeio. Algumas opções de transporte oferecem pacotes com refeição e tíquetes para as pistas, ou se preferir você pode comprar os pacotes na própria estação de esqui.

Se você vai de transfer, antes da subida da serra tem uma parada, que deve ser obrigatória no roteiro do motorista. É uma loja de aluguel de equipamentos apropriados para encarar a neve. Lá e possível alugar roupas, botas, luvas, esquis, enfim, tudo que é preciso para se manter em pé na neve.

Depois disso, logo vem a subida que leva em torno de 1h30. São 60 curvas e paisagens deslumbrantes pelo caminho. Quem sofre de mal estar com curvas ou altura, melhor ir preparado. Se for de carro, melhor prestar atenção às regras de segurança, como usar correntes nas rodas para não ter problemas na subida e na descida, e também nos horários de subidas e descidas.

Perto de virar realidade - Para um projeto de aproximação viária entre os oceanos Atlântico e Pacífico, que se arrasta desde 1933, esperar mais três ou quatro anos até que duas obras essenciais para o funcionamento da rota sejam concluídas é praticamente nada.

Uma delas, a pavimentação do trecho de 227 km da rodovia que liga as cidades de Carmelo Peralta, no lado paraguaio da fronteira com Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Loma Plata, na fronteira paraguaia com a Argentina, começou na segunda quinzena de julho e tem previsão de ser concluída em junho de 2022. A outra obra, a ponte de 680 metros de comprimento entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, deve ficar pronta em 2023.

Quando tudo estiver funcionando, de Campo Grande a San Pedro de Atacama, um dos destinos chilenos mais visitados por turistas de Mato Grosso do Sul, serão 1.250 km no trajeto via Porto Murtinho, pouco mais que a distância até São Paulo. Atualmente, a mesma viagem por Foz do Iguaçu, tem percurso de 2.654 km.

A pavimentação do trecho de 227 km da rodovia que liga as cidades de Carmelo Peralta, no lado paraguaio da fronteira com Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Loma Plata, na fronteira paraguaia com a Argentina, deve ficar pronta até junho de 2022 (Foto: Marcos Medeiros)A pavimentação do trecho de 227 km da rodovia que liga as cidades de Carmelo Peralta, no lado paraguaio da fronteira com Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Loma Plata, na fronteira paraguaia com a Argentina, deve ficar pronta até junho de 2022 (Foto: Marcos Medeiros)
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