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Campo Grande, Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019

16/02/2019 07:35

Abelhas: o agronegócio precisa de polinizadoras

Por José Luiz Tejon Megido (*)

Você gosta das abelhas?

Elas são vitais para a vida na Terra. E não pense nisso por causa apenas do doce e maravilhoso mel. As abelhas são as principais polinizadoras das plantas.

Dizem os pesquisadores que as abelhas fazem a relação sexual e a procriação do mundo vegetal. Polinizam plantas. Logo, são sagradas para a nossa flora e para os alimentos e tudo o que comemos.

Abelha é sinônimo de vida. E o que está acontecendo com elas no mundo? Diminuindo. A razão? Perda de habitat.

Com o crescimento das cidades e condomínios, a urbanização, os efeitos das mudanças climáticas, e também na agropecuária quando não se faz o uso correto das práticas conservacionistas, diminuímos o habitat das abelhas.

Pois bem. E agora? O doutor pesquisador da Embrapa Soja de Londrina, Decio Luiz Gazzoni, também membro do CCAS (Conselho Científico Agro Sustentável), se dedica há cerca de cinco anos em um estudo espetacular para o Brasil e o mundo.

E esse estudo está chegando ao final. Conversei com ele, e o Dr. Decio descobriu mais de mil plantas diferentes que são atrativas para as abelhas. Catalogou e está preparando um livro.

E para qual principal objetivo? O Brasil tem o Código Florestal, e o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Em todas as propriedades rurais do país haverá necessidade de manutenção ou reconstrução de um percentual da área com a mata nativa.

Então, dessa constatação das abelhas estarem desaparecendo, precisamos e vivemos das abelhas como polinizadoras essenciais do reino vegetal; e temos uma lei que nos obriga a manter áreas nativas, por que não plantar exatamente as plantas altamente atraentes pelas quais as abelhas se apaixonam para a criação de um habitat natural que recrie e preserve esse ser tão prodigioso?

Além de realizar a sagrada polinização, uma multiplicação dos ‘pães’ dentro da vegetação, significa da mesma forma, uma cadeia produtiva de um valor calculado no mundo de mais de 600 bilhões de dólares, e aqui no Brasil um segmento oculto.

Que belíssima obra essa. O pesquisador Decio Gazzoni é também do Conselho Científico da Ong Associação Brasileira de Estudos das Abelhas A.B.E.L.H.A.

É hora de povoar as áreas de preservação das propriedades rurais brasileiras, com essas cerca de mil plantas atrativas para as abelhas; e com isso, proteger a polinização, fundamental para a sustentabilidade integrada da produção brasileira.

Gisele Bündchen, nossa embaixadora mundial do meio ambiente, aí está uma bela ideia para apoiar e 100% nacional.

(*) José Luiz Tejon Megido é mestre em Educação Arte e História da Cultura pelo Mackenzie, doutor em Educação pela UDE/Uruguai e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS).

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