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Campo Grande, Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

25/04/2016 09:56

Agronegócio de porteira aberta

Por Jeffrey Abrahams (*)

A agricultura sempre representou um setor com vantagens competitivas globais para o Brasil e uma válvula de escape da economia brasileira, ainda mais em tempos como o que vivemos hoje, de juros altos, câmbio elevado, inadimplência crescente, fatores esses que corroboram para uma economia congelada em graus negativos, tal como nosso PIB. Imaginem o PIB de 2016 se não fosse as movimentações agrárias. Um setor que venceu pelo trabalho e pelo uso da mais avançada tecnologia manufatureira.

Nos últimos trimestres, um velho conhecido agravante voltou a tirar o sono do mercado: o desemprego. As taxas de desocupação sobem a cada nova mensuração, atreladas à baixa confiança do empresariado e ao baixíssimo poder de consumo da sociedade. A mais recente medição do IBGE deu conta de 9,6 milhões de desempregados, referentes a 9,5% da população economicamente ativa, um recorde histórico da pesquisa, iniciada em 2012.

Alguns setores, naturalmente, sofrem mais e primeiro que outros, como é o caso da construção civil e da indústria automotiva, por exemplo. Mas, a curto e médio prazo, não há quem fique imune às intempéries econômicas e políticas de um governo fragilizado.

Diariamente, faço contato com executivos brilhantes que estão em busca de uma recolocação profissional, vitimas de setores baleados pela crise. É aí que o agronegócio, mais uma vez, volta a figurar como um rumo certo numa estrada incerta. O segmento tem sido uma opção para aqueles que buscam oportunidades de trabalho em posições operacionais e técnicas, chegando às cadeiras de gerência e C-Level. Tudo isso calçado em remunerações competitivas com os demais segmentos. Porém, esses executivos precisam estar dispostos a mudar para regiões no centro do Brasil ou mesmo para em outras áreas onde há mercado.

Foi-se o tempo em que as fronteiras do agronegócio estavam abertas exclusivamente aos que migravam do próprio setor. Já liderei muitas contratações de executivos que vinham de outras indústrias afins e até do mercado financeiro. É claro que quem carrega a bagagem agronômica, veterinária ou zootécnica tem um diferencial em seu currículo, mas não há nada que não possa ser lapidado. De um lado, aprende-se o negócio e, do outro, ensina-se finanças e gestão de grandes equipes.

A estabilidade é um ponto positivo no mercado de trabalho do agronegócio. Mais da metade dos profissionais permanecem por mais de cinco anos na mesma empresa. O setor hoje busca aqueles perfis mais resilientes, com facilidade de relacionamento e capacidade de adaptação, vocações essas preparadas para resolver problemas e, claro, de malas prontas.

(*) Jeffrey Abrahams é graduado em Agronomia, Agricultura Internacional e Ciência do Solo pela Califórnia State Polytechnic University, na Califórnia, e pós–graduado em Administração Rural pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). É responsável pela prática de Agronegócio, Bens de Consumo e Farma da Fesa, consultoria especializada em busca e seleção de altos executivos.

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