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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Junho de 2018

14/12/2017 08:56

Como escrever um livro

Por Pedro Panhoca da Silva (*)

Dizem que para tudo o mais difícil é o começo. Isso se aplica perfeitamente para um livro. Mas por mais difícil que isso possa parecer, nos tempos atuais publicar um livro ficou mais fácil.

As pessoas confundem publicar um livro com publicar um best-seller. Se o intuito da publicação é lucrar com isso, as chances de o plano funcionar são bem menores que uma publicação despretensiosa. Mas assim como um bom jogador de futebol pode começar sua carreira de sucesso já num time grande ou crescer aos poucos em times menores até chegar onde se deseja, um futuro escritor profissional também se verá nesse dilema: almejar logo de início uma editora de renome ou publicar os primeiros textos em editoras menores? O certo é que ele vai escrever bastante!

De fato, será a sua raridade que o fará se destacar entre os outros milhares de aspirantes. Editoras precisam de divulgação para suas vendas, e tanto as resenhas como as 5 estrelas de sites e redes sociais podem projetar o escritor para ambições maiores.

Estudar a trajetória de gente que atingiu o sucesso pode abrir o horizonte do jovem escritor sobre o assunto que vende mais ou é mais procurado pelos leitores. Os temas são, via de regra, sempre os mesmos (traição, punição, morte, amor, vingança, etc.), mas o que os diferencia é o modo de como são transmitidos.

Por piores que possam parecer, guardar os textos produzidos e os livros lidos desde a escola pode ajudar o escritor a perceber como evoluiu, os clichês que persiste em usar, os temas recorrentes, os assuntos preferidos, entre outros.

No meu humilde caso, minha intenção era compilar e imortalizar estórias marcantes de minha vida e de quem fez parte dela, como amigos e familiares (sabe aquele avô que tem estórias e causos sobrando? Por que esperar a idade dele para só então começar a contar?). Mas sendo um cidadão comum, busquei as estórias mais ímpares e mais cheias de humor, as quais classifiquei como sendo “só minhas”. Esses filtros que me impus me renderam mais de 200 páginas de situações inusitadas que eu achei que mereciam ser registradas para sempre, como as estórias de criança que faz cocô em lugares indevidos (todo mundo tem uma!), malandragens que geraram fugas de polícia, traquinagens escolares, traumas “saudáveis” e até uso de magia negra, vividas por mim ou conhecidos meus (um escritor nunca revela seus segredos). A partir daí, outra questão me surgiu: quem aceitaria uma coletânea tosca de crônicas desse tipo numa época em que o politicamente correto impera e oprime a criatividade do ser humano?

Como já havia ganhado alguns concursos literários (e o blog http://concursos-literarios.blogspot.com.br/ é uma ótima ponte para os mais diversos deles, no Brasil e no mundo), certa vez ganhei um promovido pela editora Kazuá, a qual se interessou pelo meu texto, concedeu-lhe um belo trato editorial e materializou o meu sonho.

Meu objetivo era distribuir a pessoas do meu círculo de amizade, as quais ajudaram ou aprontaram as estórias por mim compiladas. E, durante a leitura, elas gargalhavam!

Então, minha primeira ambição foi cumprida – a de divertir as pessoas -, e se eu vender mais de um exemplar para leitores por mim desconhecidos e que também adorarem os textos, já saio no lucro.

Mal posso esperar para ver o colega leitor se aventurando nisso. Só não cometa o mesmo erro que o meu: esperar tempo demais por vergonha ou falta de autoestima.

(*) Pedro Panhoca da Silva é mestrando em Literatura no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Vida Social da Unesp/Assis e autor do livro “Traumas e Tabus” (2016, editora Kazuá), além de ter poemas publicados em revistas acadêmicas, coletâneas literárias e outros ebooks.

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