A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2017

21/01/2012 08:05

Construindo a cidadania

Por Luiz Gonzaga Bertelli*

Há algumas décadas, o Brasil frequentava as listas das nações com um dos mais elevados índices de jovens e adultos analfabetos puros. Ainda na categoria de país subdesenvolvido, em que afloravam as desigualdades sociais e regionais, grande parte das crianças não ia para a escola e partia para o trabalho pesado no campo ou nas grandes cidades. Depois da intervenção do poder público – após o período de redemocratização, com políticas públicas, como programa Comunidade Solidária, lançado durante o governo Fernando Henrique pela primeira-dama Ruth Cardoso, precursora de dois dos maiores programas sociais do País, o Bolsa-Escola e o Bolsa-Família (por esses e outros méritos ela foi escolhida para receber o primeiro Prêmio Professor Emérito CIEE-Estadão) – a alfabetização de jovens e adultos virou bandeira política e prioridade para os estados.

Com esses e outros incentivos governamentais e a expansão da rede particular de ensino, o Brasil universalizou o acesso à educação básica, colocando na escola praticamente todas as crianças na faixa dos 7 anos de idade. O impacto desse movimento está sendo colhido agora, com o decréscimo nos índices de analfabetismo. Entre 1970 e 1990, o índice da população sem nenhuma instrução caiu de 33,6% para 20%. E no início dos anos 2000, já era de 13,6%. Nos últimos anos, a queda vem sendo mais lenta. Em 2006, a Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios (Pnad) indicou a existência de 14 milhões de analfabetos, ou seja, 10,3% da população.

Apesar de todos os esforços e da seguida queda nos índices, o número ainda é alarmante, já que esses cidadãos, que não conseguem nem assinar o nome, não podem exercer plenamente o direito à cidadania. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o analfabeto puro brasileiro é, na sua maioria, nordestino, negro, com baixa renda e com idade entre 40 e 45 anos.

Preocupado com esse elevado déficit educacional, o CIEE criou em 1997, o programa de Alfabetização e Suplência Gratuita para Adultos, destinada a possibilitar que pessoas acima dos 15 anos concluam os 12 anos do ensino fundamental e médio, com certificação reconhecida pelo MEC. Para assegurar condições para um aprendizado de qualidade, os alunos recebem, sem nenhum custo, kit com material escolar, uniforme, vale-transporte e lanche, num programa de assistência social que já beneficiou mais de 50 mil pessoas, trazendo a eles a melhora da autoestima e a aptidão para se tornarem mais competitivos no mercado de trabalho. Quem lê pode se informar, evitar manipulação, buscar seus direitos com autonomia, votar com mais consciência e usufrui assim o pleno direito de cidadania.

(*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.

A bolha da saúde brasileira está prestes a explodir
A crise econômica e o crescente índice de desemprego da população brasileira refletiram diretamente no setor da saúde. Recente estudo revelou que mai...
Marchinhas do coração
Sei que existem as marchinhas preferidas do coração. São as do passado ou do presente, mas não é delas que quero falar, e, sim, do sofrido coração br...
Reforma da Previdência: aprofundando o deserto na vida dos trabalhadores
O cinema enquanto “sétima arte” muitas vezes busca retratar realidades cotidianas na telona. Não foi diferente o filme “Eu, Daniel Blake”, ganhador d...
O dilema das prisões brasileiras
No último mês de janeiro assistimos, estarrecidos, às rebeliões nos presídios de Manaus, Boa Vista e Natal. As cenas de corpos sem cabeças chocaram a...



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions