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Cidades

Com 31 anos de uso, elevadores e climatização do HR não suportam mais manutenção

Reclamações de pacientes são recorrentes e prazos e o hospital não deu prazos para solução

Por Lucia Morel | 01/04/2026 16:26
Com 31 anos de uso, elevadores e climatização do HR não suportam mais manutenção
Projeto de como ficará o Hospoital Regional com a expansão. (Foto: Reprodução)

Com elevadores obsoletos e 31 anos de uso — instalados ainda em 1995 —, o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) já não suporta a demanda da unidade. Reparos e manutenções constantes não têm sido suficientes para manter os equipamentos em operação, situação que se repete no sistema de climatização, com apenas 1 de 3 resfriadores funcionando. O cenário, revelado em duas licitações distintas — uma para a reforma geral e construção de uma nova ala, via PPP (Parceria Público-Privada), e outra exclusiva para a substituição dos elevadores —, expõe a gravidade da infraestrutura.

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O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul enfrenta graves problemas de infraestrutura, com elevadores instalados em 1995 e sistema de climatização deteriorado, restando apenas um dos três resfriadores em funcionamento. Duas licitações foram abertas para solucionar os problemas: uma para troca dos cinco elevadores, adjudicada por R$ 6,1 milhões, e uma PPP de R$ 5,6 bilhões para reforma geral do hospital, com obras previstas para 30 anos.

Com frequência, o Campo Grande News recebe reclamações de pacientes ou seus familiares e até de servidores sobre os dois serviços. A última foi na semana passada, quando uma funcionária, que preferiu não se identificar, contou sobre o calor incessante no hospital e a necessidade dos usuários levarem ventiladores de casa para enfrentar a situação no Pronto-Socorro, que estava sem o ar-condicionado.

Sobre os elevadores, a concorrência mais antiga prevê a troca de todos os cinco aparelhos da estrutura atual, sendo dois sociais e três para macas. No edital, a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) detalha que equipamentos com mais de 25 anos estão sujeitos a falhas graves, exigindo manutenção frequente, “o que pode levar a problemas recorrentes, como: alto consumo de energia elétrica; falhas e interrupções constantes no serviço; passageiros presos nas cabines com certa frequência; desnível entre o andar e cabine; barulhos altos e solavancos; e ainda falta de peças”.

O mesmo certame esclarece que “a atividade preventiva e corretiva atualmente executada não supre o nível de qualidade, segurança e desempenho de elevadores ‘modernos’ e, no aspecto estético, apresenta acessórios de modelos antigos e arranhões em suas paredes e portas”.

A licitação, aberta em 2024, teve o resultado homologado em 22 de dezembro de 2025, elegendo a Poligonal Engenharia e Construções para realizar os serviços por R$ 6.176.966,42. No entanto, desde a homologação, não houve nova movimentação no processo.

Paralelamente, o contrato com a empresa Elevadores Atlas Schindler Ltda., que realiza a manutenção preventiva e corretiva com reposição de peças desde 2021, segue sendo renovado e vence em julho deste ano. Somente em 2026, conforme dados do Portal da Transparência do Governo de Mato Grosso do Sul, foram realizados quatro serviços entre 23 de janeiro e 18 de março — nesta última data, foi empenhado um pagamento de R$ 9,5 mil.

Parceria Público-Privada – O segundo projeto, que visa a renovação total do hospital e a construção de uma quarta ala, será executado pela Construcap CCPS Engenharia e Comércio S.A., vencedora do leilão. A proposta prevê R$ 5,6 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos. O último andamento do processo ocorreu em 6 de dezembro do ano passado, com a homologação da licitação.

Documentos da PPP (Parceria Público-Privada) sobre o Programa de Necessidades Consolidado confirmam que os gargalos críticos do HRMS são, de fato, a climatização e os elevadores.

Com 31 anos de uso, elevadores e climatização do HR não suportam mais manutenção
Poços e cabos dos elevadores do hospital. (Foto: Reprodução)

“O HRMS enfrenta diversos desafios e limitações que impactam diretamente a qualidade e a eficiência dos serviços prestados. As principais dificuldades identificadas dizem respeito à infraestrutura obsoleta (sistema de climatização e elevadores, manutenção predial e equipamentos), superlotação, falta de equipamentos modernos, custo operacional elevado com peso de 27% do pessoal administrativo, uso de prontuários físicos e necessidade de modernização abrangente.”

Além da questão dos elevadores, o sistema de climatização é apontado como obsoleto. “(...) o sistema de HVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar-Condicionado) se deteriorou ao longo dos anos. No projeto original, o HRMS contava com um sistema de 03 (três) chilleres (resfriadores) e atualmente apenas 01 (um) encontra-se em funcionamento (parcial).”

O documento informa ainda que o hospital passou por diversas alterações com a implantação de novos equipamentos “que demandam altas potências” e, assim, “o sistema elétrico e a rede lógica passaram a apresentar deficiência na oferta, o que tem gerado recorrentes manutenções”.

A concorrência da PPP foi alvo de denúncia no TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) por um advogado de Sorocaba (SP). Na representação à Corte, ele alega falta de competitividade em um dos itens do edital, apontando o risco de o Estado arcar com gastos superiores aos previstos, ainda que os valores iniciais pareçam vantajosos.

O Campo Grande News procurou o Hospital Regional na segunda-feira e novamente na sexta-feira para tratar das deficiências e obter prazos sobre as obras, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem.

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