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Cidades

"Criminoso vai levar a pior", diz delegado após mortes de faccionados

Operação Leviatã cumpriu mandados de prisão temporária após ataques em guerra do PCC e Comando Vermelho

Por Ana Paula Chuva e Geniffer Valeriano | 12/06/2026 12:06
"Criminoso vai levar a pior", diz delegado após mortes de faccionados
Delegado afirmou que polícia não está preocupada com sigla e sim em combater o crime (Foto: Geniffer Valeriano)

“Se for tentar confrontar policiais, nós vamos confrontar. E se Deus permitir, quem vai levar a pior será o criminoso, não será nenhum policial do estado do Mato Grosso do Sul.” O aviso em tom de tolerância zero foi dado pelo delegado Roberto Oliveira Guimarães, que responde interinamente pelo comando da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros), após uma ofensiva interestadual terminar com dois suspeitos mortos em Rondonópolis (MT) e um preso em Coxim (MS).

RESUMO

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A Operação Leviatã 2, realizada pela Garras e pelo Dracco em Mato Grosso do Sul, resultou na morte de dois suspeitos em Rondonópolis e na prisão de um homem em Coxim. A ação mirou a expansão do Comando Vermelho no norte do estado, que usa armamento de alto calibre para disputar território com o PCC. A Sejusp enviou equipes do Choque e do BOPE para reforçar o policiamento na região por tempo indeterminado.

Com as duas mortes durante a Operação Leviatã 2, realizada ontem (11) entre a Garras e o Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), o Estado alcançou 60 mortes decorrentes de intervenção policial em 2026.

A ação mirou o plano de expansão territorial da facção CV (Comando Vermelho) na região Norte de Mato Grosso do Sul e revelou que os criminosos estão utilizando armamento de ponta, com calibres idênticos aos empregados pelas forças policiais especializadas.

No cumprimento dos mandados de prisão temporária expedidos pela Vara Criminal de Coxim, os investigadores deslocaram-se até o estado vizinho. Ao tentarem abordar uma das bases da organização criminosa em Mato Grosso, as equipes foram recebidas a tiros.

Pablo de Vez Martins, o “Sete Belo”, de 23 anos, e Vitor Hugo Gomes Andrade, de 22 anos, apontaram armas contra as equipes, foram baleados e morreram após serem socorridos ao hospital local. Com eles, a polícia apreendeu uma pistola Glock calibre 9mm e um revólver calibre .38.

Armas de elite

Durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira, o delegado Roberto Guimarães explicou que a inteligência da Polícia Civil apontou que os integrantes do Comando Vermelho que atuam na região Norte de MS estão utilizando armamentos modernos, de calibres idênticos aos empregados pelas próprias unidades policiais especializadas.

Esse poder de fogo vem sendo usado para sustentar uma disputa por território contra o PCC, facção rival. Segundo as investigações, os alvos da operação têm participação direta em homicídios e tentativas de homicídio registrados nos municípios da região.

Ainda conforme o delegado, o setor de inteligência da Polícia Civil identificou que o avanço geopolítico do Comando Vermelho visa estabelecer uma rota que desça do Norte do Estado, passe por municípios como Maracaju e alcance a fronteira com o Paraguai, facilitando o recebimento de armas e drogas.

O esquema logístico interestadual funciona em quatro etapas principais: a facção envia articuladores para cidades como Coxim, Aparecida do Taboado e Chapadão do Sul. Lá, eles cooptam moradores que já têm algum envolvimento no crime para integrarem a facção. Essas pessoas assumem a responsabilidade de alugar casas que vão servir de base para o grupo criminoso e, em seguida, os executores vêm para o Estado cometer os atentados.

"Criminoso vai levar a pior", diz delegado após mortes de faccionados
Policiais da Garras e do Dracco no local onde houve confronto (Foto: Divulgação | PCMS)

Reforço

Como desdobramento da operação e dos conflitos na região, a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) determinou o envio de equipes do Batalhão de Choque e do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) para reforçar o policiamento ostensivo nas cidades do Norte por tempo indeterminado.

O delegado Roberto Guimarães ressaltou que as forças de segurança atuarão de forma repressiva contra qualquer organização criminosa, independentemente da identificação do grupo.

"Nós não estamos preocupados com sigla. A polícia não está preocupada se é integrante de Comando Vermelho ou se é integrante do PCC. Nós estamos preocupados com a atuação de criminoso, seja ele de facção criminosa ou não. Nós vamos combater com todos os rigores da lei. E se for tentar confrontar policiais, nós vamos confrontar. E se Deus permitir, quem vai levar a pior será o criminoso, não será nenhum policial do estado do Mato Grosso do Sul. Nós vamos atuar com o rigor da lei e com toda a firmeza que for necessária", concluiu a autoridade policial.

Operação 

Deflagrada de forma conjunta pela Garras e pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), a segunda fase da Operação Leviatã teve como foco central conter o plano de expansão territorial da facção Comando Vermelho em Mato Grosso do Sul.

Ao todo, as equipes mobilizadas cumpriram quatro mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão temporária expedidos para as cidades de Coxim (MS) e Rondonópolis (MT), visando reunir novas provas materiais, asfixiar a estrutura logística interestadual do grupo e frear a sequência de crimes violentos motivados por disputas entre facções rivais na região Norte do Estado.

Durante a ação, Pablo de Vez Martins, o “Sete Belo”, de 23 anos, e Vitor Hugo Gomes Andrade, de 22 anos, reagiram à abordagem apontando armas contra as equipes. Eles foram baleados, socorridos ao hospital local, mas não resistiram aos ferimentos. Com eles, a polícia apreendeu uma pistola Glock calibre 9mm e um revólver calibre .38.

Em Coxim, a 253 quilômetros de Campo Grande, Anderson Carlos Silva Santos, de 42 anos, foi preso em cumprimento a outro mandado da mesma operação. Luan de Oliveira Lima, Pablo, Eneias Franco de Souza Junior e Túlio Noleto Vitor de Araújo foram apontados como autores de um ataque na cidade sul-mato-grossense em 10 de abril deste ano. Vitor Hugo não era alvo da ação.

"Criminoso vai levar a pior", diz delegado após mortes de faccionados
Pablo de Vez e Vitor Hugo reagiram à abordagem e acabaram mortos (Foto: Direto MT)


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