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Direção diz que falha em atendimento nos postos de saúde superlota Santa Casa

No embate com a Sesau, hospital cita casos como de gestante hipertensa que chegou com infecção urinária por falha no pré-natal

Por Silvia Frias | 24/09/2020 12:50
Filho de mãe com quadro de hipertensão e infecção, bebê está internado no centro obstétrico (Foto/Divulgação)
Filho de mãe com quadro de hipertensão e infecção, bebê está internado no centro obstétrico (Foto/Divulgação)

No centro obstétrico da Santa Casa de Campo Grande, um bebê está “internado”, em estado grave, já que todos os 8 leitos de UTI neonatal estão ocupados. A mãe chegou para o parto com quadro de hipertensão e infecção urinária, uma paciente “descompensada” no jargão médico. É, segundo o hospital, exemplo de acompanhamento que deixou de ser feito na rede básica de saúde e culminou na internação na instituição.

Falhas de atendimento na rede básica de saúde seria um dos fatores determinantes para superlotação da Santa Casa de Campo Grande. Na maternidade, por exemplo, 70% das pacientes eram da classificação verde ou azul, que deveriam ter passado por unidades de saúde, mas chegam com alterações significativas, obrigando internação e ocupando leitos que seriam destinados a casos mais graves. No pronto-socorro, dos 23.684 atendimentos, 18,29% entram nas mesmas categorias (branco, verde e azul), o que totaliza 4.332 casos.

Esta é mais uma argumentação apresentada pelo hospital para rebater a prefeitura de Campo Grande, que contesta a alegada superlotação da Santa Casa. O embate já originou abertura de duas auditorias pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).

“Existe conflito entre o que a Sesau diz e o que nós estamos passando na Santa Casa”, contesta o supervisor da Ginecologia e Obstetrícia da Santa Casa, William Leite Lemos Junior. O médico diz que a média de atendimento de 250 partos/mês não caiu com a pandemia, ao contrário: ganhou reforço com os casos que não teriam sido atendidos nos postos de saúde.

De abril até a data de hoje a maternidade fez 4.088 atendimentos. Destes, 2.744 foram classificados como verdes e 216 azul. São 2.960 atendimentos nas cores que indicam casos de menores gravidade. “Poderiam ter sido atendidos na unidade básica”, disse.

As pacientes relatam que não conseguiram passar pelas consultas ou nos exames de pré-natal na rede básica. Chegam “descompensadas” na Santa Casa, ou seja, com alterações significativas que culminam no agravamento do caso.

Nesta lista, diabetes gestacional, o que resulta no aumento do tamanho dos bebês, situação que se tornou mais recorrente; pacientes hipertensas e gestante com infecções urinárias que têm como conseqüência interrupção da gestação ou parto prematuro. “São pacientes que procuraram na atenção básica, precisam de remédios, exames e não conseguiram”, diz o obstetra. Nestes casos, acabam ocupando leitos de UTIs

Hoje, todos os oito leitos de UTI neonatal estão ocupados. Além deles, o bebê de caso grave, “internado” no centro obstétrico.

Emergência – a alegada superlotação se repete nos outros setores da Santa Casa. A médica intensivista Patrícia Berg explica que a instituição recebeu a demanda de pacientes crônicos do Hospital Regional, que precisou abrir espaço para tornar-se referência no tratamento da covid-19 em Mato Grosso do Sul.

“São pacientes de doenças crônicas que não estão sendo acompanhados ambulatorialmente”, disse a médica, citando como exemplo doentes cardiológicos que chegam com dores toráxicas. A demanda, que já era grande com casos de politraumatismo, neurológicos e de cirurgia geral também foi acrescida de casos de intoxicação e acidentes ofídicos (envenenamento por cobra), antes, direcionados ao HR.

Atendimento - Santa Casa e prefeitura de Campo Grande tem travado uma guerra de informações nos últimos dias. Ontem, o secretário municipal de saúde disse que estão em andamento duas auditorias para analisar problemas recorrentes no hospital, que na terça reclamou publicamente de continuar recebendo pacientes mesmo com "vaga zero".

Hoje o hospital partiu para o contra-ataque, mas aSesau voltou a alegar o que havia divulgado em nota anterior: nega que falha na assistência, mas admite aumento na demanda. “Campo Grande registrou aumento nos atendimentos de pré-natal de aproximadamente 40% neste ano”.

“Vale ressaltar que durante a pandemia nenhum atendimento de pré-natal foi suspenso, tendo a gestante toda a assistência com atendimentos médicos, de enfermagem, realização de exames e demais procedimentos necessários”.

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