Ex-deputado de MS é indiciado por golpe de R$ 58 milhões a produtor
Sérgio Pereira Assis foi alvo da Operação Agro-Fantasma em março, quando acabou preso por posse de munições
O ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul Sérgio Pereira Assis foi indiciado pela Polícia Civil de Mato Grosso por estelionato e associação criminosa na investigação que apura um golpe milionário contra um produtor rural de Comodoro (MT). O prejuízo apontado no relatório final da operação Agro-Fantasma, deflagrada em março deste ano, é de R$ 57,7 milhões.
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Além de Sérgio, foram indiciados o filho dele, Mário Sérgio Cometki Assis, e os empresários Pedro Henrique Cardoso e Wanderley Soares Barboza Júnior. A investigação foi concluída no dia 4 de agosto e encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso, que agora poderá oferecer denúncia, pedir novas diligências ou arquivar o caso. O indiciamento ainda não significa que os investigados se tornaram réus.
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Segundo a imprensa local, o grupo ficou sabendo da investigação no dia anterior com o bloqueio de R$ 70 milhões nas contas bancárias. Os empresários vão responder por fraude processual porque teriam retirado, destruído e queimado caixas de documentos, além de apagar imagens de câmeras de segurança.
Esquema
Conforme a investigação, o caso começou a partir do relato de um produtor rural de 56 anos, que afirmou ter sido procurado durante a colheita da soja de 2025 por um corretor que se apresentou como representante das empresas Imaculada e Santa Felicidade.
Conforme relato do produtor, inicialmente foram realizadas operações menores de venda de soja, todas pagas regularmente, conquistando a confiança dele. Em uma das negociações, 17 caminhões de grãos chegaram a permanecer retidos até a confirmação da compensação bancária, sendo liberados apenas após a confirmação do pagamento.
Até novembro de 2025 os pagamentos ocorreram normalmente. A partir de dezembro, quando venceram parcelas de maior valor, os investigados teriam cessado abruptamente os pagamentos, tornando-se inadimplentes e deixando o produtor responsável pelas dívidas contraídas junto a diversos fornecedores.
Para honrar parte das obrigações assumidas, o produtor declarou ter contraído empréstimo de R$ 16 milhões junto a uma cooperativa, além de R$ 5 milhões em outro banco e a prorrogação de financiamento de R$ 2,5 milhões.
O boletim também relata que parte significativa dos grãos adquiridos teria sido revendida por valores inferiores aos de compra, sem que os recursos fossem utilizados para quitar os compromissos.
Venda de aeronave
Além das negociações com soja, o produtor afirma ter vendido uma aeronave ao grupo por R$ 5.817.660,00, recebendo apenas R$ 2.071.563,03, restando saldo em aberto desde janeiro de 2026. O avião foi apreendido.
Como garantia das negociações, os envolvidos teriam indicado um imóvel registrado no 6º Serviço Notarial da 3ª Circunscrição de Cuiabá (MT). Mas, segundo o registro policial, o bem estaria envolvido em disputas judiciais e com indícios de sucessivas alienações sem comprovação de pagamento.
Operação
A investigação veio a público em março, quando a Polícia Civil deflagrou a Operação Agro-Fantasma e cumpriu 5 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Cuiabá e Alto Taquari (MT). Na ocasião, houve bloqueio de contas e indisponibilidade de bens dos investigados, além da apreensão de uma aeronave avaliada em cerca de R$ 5,8 milhões.
Sérgio foi alvo de busca em Campo Grande e acabou preso em flagrante após policiais encontrarem munições na residência. Ele pagou fiança de R$ 5 mil e foi liberado. Na época, a defesa negou que o ex-deputado tivesse qualquer vínculo com as empresas investigadas ou participação no suposto esquema.
A operação investigava as empresas Imaculada Agronegócios e Santa Felicidade Agroindústria. Com as dívidas acumuladas, o produtor precisou buscar financiamentos para honrar parte dos compromissos. Segundo o relatório final, as operações envolvendo grãos e a aeronave movimentaram R$ 81,6 milhões, dos quais R$ 23,9 milhões teriam sido pagos, resultando no prejuízo de R$ 57,7 milhões apontado pela polícia.
Na época, a defesa de Sérgio negou a participação dele no esquema. Em março, o advogado afirmou que o ex-deputado não fazia parte do quadro societário da Imaculada Agronegócios e não exercia funções de administração ou gestão na empresa.
A defesa também sustentou que Sérgio não tinha procuração para representar ou negociar em nome da companhia e que seu envolvimento no episódio da operação policial ocorreu apenas em razão das munições encontradas em sua residência.
Com a conclusão do inquérito, o caso agora será analisado pelo Ministério Público de Mato Grosso. Somente se houver denúncia e ela for recebida pela Justiça é que os quatro investigados passarão à condição de réus. Até o momento, não há condenação pelos fatos investigados.
Além da investigação criminal, o caso também já havia provocado desdobramentos na Justiça. Em março, o empresário Pedro Henrique Cardoso afirmou ter sido ameaçado pelo produtor rural durante a disputa comercial e disse ter apresentado garantias patrimoniais superiores a R$ 150 milhões para tentar negociar o débito, incluindo uma aeronave.
A Justiça chegou a conceder medida protetiva ao empresário. Em outro processo, a 9ª Vara Cível de Cuiabá suspendeu a cobrança de R$ 70.298,72 feita pela Imaculada Agronegócios contra a empresa MK Comércio de Grãos, após uma carga de soja ser retida durante fiscalização da Sefaz-MT. A decisão também impediu o protesto do boleto e eventual restrição de crédito contra a empresa.
O Campo Grande News procurou novamente a defesa de Sérgio nesta quarta-feira (12) e aguarda o retorno.Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.





