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Cidades

Ex-major Carvalho volta a julgamento na Bélgica a partir do dia 30

Sérgio Roberto de Carvalho é acusado de enviar ao menos 45 toneladas de cocaína para a Europa

Por Viviane Oliveira | 27/03/2026 09:02
Ex-major Carvalho volta a julgamento na Bélgica a partir do dia 30
Ex-major Sérgio Roberto de Carvalho no momento da prisão, em 2022, na Hungria (Foto: Arquivo)

O ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul Sérgio Roberto de Carvalho, conhecido como Major Carvalho, será submetido a um novo julgamento na Bélgica a partir da próxima segunda-feira (30). A informação foi confirmada pela Justiça do país ao jornal O Globo.

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O ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Sérgio Roberto de Carvalho, enfrentará novo julgamento na Bélgica a partir de 30 de outubro. O processo anterior, que investigava o envio de 45 toneladas de cocaína da América do Sul para a Europa, foi anulado em fevereiro de 2026 por suspeita de parcialidade dos magistrados. Carvalho, que permanece preso, possui histórico criminal que inclui condenações no Brasil por tráfico de drogas e movimentação ilegal de dinheiro. Na Espanha, viveu com identidade falsa e chegou a simular a própria morte por Covid-19. Recentemente, foi autorizado a receber R$ 516 mil em valores atrasados de aposentadoria do Estado de MS.

No início do mês passado, reportagem do Campo Grande News já havia mostrado que o processo anterior foi anulado em fevereiro de 2026 pelo Tribunal de Apelação de Gante, que determinou a substituição dos magistrados por suspeita de parcialidade. Três novos juízes assumirão o caso, que investiga o envio de pelo menos 45 toneladas de cocaína da América do Sul para a Europa. Carvalho permanece preso.

Iniciado em setembro de 2025, o julgamento já havia avançado por quase toda a fase de instrução, com interrogatórios, depoimentos de testemunhas e apresentação de provas, quando foi interrompido. A anulação ocorreu após o juiz encerrar a etapa sem permitir as alegações finais da acusação e da defesa, procedimento obrigatório antes da sentença.

As audiências foram realizadas no complexo de segurança Justitia, em Bruxelas, e ficaram marcadas por sucessivos conflitos entre o tribunal e os advogados do réu. Entre os pontos de tensão estavam restrições impostas à defesa, como a proibição do uso de mesas e tomadas elétricas no plenário, sob justificativa de segurança. Os advogados alegaram que as medidas dificultavam o acesso a documentos e equipamentos necessários.

O impasse provocou interrupções das sessões, abandono do plenário por parte da defesa e até a retirada de advogados pela polícia após discussões. Também foram apresentados diversos pedidos de suspeição contra os juízes, o que contribuiu para a paralisação do processo em diferentes momentos.

Dessa forma, o Tribunal de Apelação considerou comprometida a regularidade do julgamento e invalidou todas as etapas já realizadas, determinando que o caso fosse reiniciado integralmente.

O processo na Bélgica trata da etapa internacional do tráfico, relacionada ao envio de drogas ao continente europeu. Investigações paralelas em Portugal apontam desdobramentos ligados à distribuição da cocaína, com atuação de grupos criminosos em regiões de Lisboa como Martim Moniz, Mouraria e Chelas.

Entre os nomes citados está Rúben Oliveira, conhecido como “Xuxa”, apontado como braço-direito de Carvalho em Portugal. Segundo as apurações, sua organização atuaria na distribuição da droga enviada da América do Sul, em parceria com a rede ligada ao ex-major.

Mesmo após a prisão de Carvalho, primeiro na Hungria e depois de sua extradição para a Bélgica, grupos rivais continuaram disputando o controle do tráfico na capital portuguesa.

Histórico criminal - Carvalho já havia sido condenado no Brasil em 1998 a 15 anos de prisão por transportar 237 quilos de cocaína. Em 2019, recebeu nova condenação, também de 15 anos, por movimentar cerca de R$ 60 milhões por meio de terceiros entre 2002 e 2007. Ele foi expulso da Polícia Militar em 2010.

Na Espanha, vivia sob identidade falsa como Paul Wouter e se apresentava como um empresário do Suriname residente em Marbella. Para evitar a Justiça espanhola, chegou a simular a própria morte por Covid-19, estratégia descoberta após autoridades identificarem irregularidades no atestado de óbito.

O traficante havia sido preso em 2018 em alto-mar com duas toneladas de cocaína, mas foi libertado após pagamento de fiança, sem que sua verdadeira identidade fosse confirmada na época.

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