Com cota chinesa perto do limite, preço da carne deve cair e setor teme prejuízo
A decisão impõe tarifa adicional sobre os volumes excedentes; o teto brasileiro é de 1,106 milhão de toneladas
O Brasil atingiu metade da cota de exportação de carne estabelecida pela China, segundo informação do Ministério do Comércio Chinês, publicada pela Folha de São Paulo. A cota inicial é de 1,106 milhão de toneladas neste ano.
RESUMO
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A medida faz parte de um mecanismo de salvaguarda adotado pela China para regular a entrada de produtos estrangeiros. A decisão estabelece um teto para as exportações e impõe uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que excederem a cota definida.
Para o presidente do Sincadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul), Regis Luis Comarella, a situação é vista com preocupação para o mercado no Estado, já que se não for ampliada a cota, o excedente teria que ser vendido no Brasil e o preço da arroba ficaria pressionado.
“Devemos ter um problema sério se a China não liberar mais nada. Devemos tentar escoar essa produção no mercado interno e, com o mercado desacelerado, temos uma tendência de baixa na arroba do boi, trazendo prejuízos tanto para o produtor rural quanto para as indústrias. O momento é de cautela, com as escalas aguardando notícias do mercado chinês”, destacou.
Ainda de acordo com ele, a cota já deve ser atingida no próximo mês. “A cota deve terminar agora em junho, pois o que conta é a chegada na China, como o tempo de transporte é de 50 a 60 dias. Isso quer dizer que temos os embarque de abril, maio e junho, que fecharia a cota”, detalhou.
Conforme consta no site da Famasul (Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul), a cotação da arroba do boi até sexta-feira (08) estava em R$ 346,50.
O especialista em comércio exterior Aldo Barrigosse avalia o cenário. “Quando cumprir a cota, a carne vai ficar menos competitiva para acessar o mercado Chinês. As entidades representativas já estão buscando outros mercados para colocar esse excedente da carne bovina brasileira, pesquisando a Europa, que tem necessidade comprar carne brasileira, outros países asiáticos para que a gente mantenha a competitividade da carne brasileira", pontuou.
Com isso, Barrigosse também destaca a pressão para baixo nos preços. “Mesmo assim, se não conseguir acessar esses mercados no volume que precisa, o que vai ter é uma sobra da produção de carne colocada no mercado interno. Se isso acontecer, a tendência é que tenha um preço menor por arroba da carne bovina no segundo semestre no nosso País”, disse.
Na visão do titular da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Artur Falcette, não é motivo de pânico, tendo em vista o potencial de MS.
“A medida é acompanhada com atenção, mas não há motivo para alarme neste momento. Mato Grosso do Sul possui uma cadeia da carne altamente competitiva, com forte demanda internacional e capacidade de adaptação aos mercados”, disse ao Campo Grande News.
Ainda assim, reconhece que, caso a salvaguarda seja efetivamente acionada, pode haver impacto sobre volumes e margens de exportação para a China.
Apesar desse risco, a avaliação é de que o setor brasileiro já tem experiência em lidar com mudanças no comércio internacional.
“O setor brasileiro já trabalha historicamente com diversificação de mercados e estratégias comerciais. O Governo do Estado segue monitorando o cenário junto ao setor produtivo e ao Governo Federal”, completou.
Salvaguarda – A medida foi imposta em dezembro do ano passado, com validade de três anos, até 31 de dezembro de 2028.
Para o Brasil, a cota inicial será de 1,106 milhão de toneladas em 2026. Em 2027, o limite sobe para 1,128 milhão de toneladas e, em 2028, para 1,154 milhão de toneladas.
Outros grandes fornecedores também foram incluídos na salvaguarda. A Argentina terá cota de 511 mil toneladas no próximo ano; o Uruguai, 324 mil toneladas; a Nova Zelândia, 206 mil toneladas; a Austrália, 205 mil toneladas; e os Estados Unidos, 164 mil toneladas.
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