Justiça concede liberdade provisória a filho de líder do clã Haidar
Fahd, investigado na Operação Ifrit, terá de cumprir medidas cautelares, incluindo recolhimento noturno

A Justiça concedeu liberdade provisória a Fahd Haidar, filho de Nasser Haidar, apontado pela Polícia Federal como um dos líderes do grupo familiar investigado na Operação Ifrit. A decisão, desta quinta-feira (5), estabelece medidas cautelares que incluem recolhimento domiciliar noturno e comparecimento periódico em juízo.
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Fahd é investigado por suspeita de integrar a organização criminosa que teria movimentado pelo menos R$ 500 milhões com o tráfico internacional de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro e corrupção de policiais.
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O juiz homologou a prisão em flagrante, mas considerou que não cabia decretar a prisão preventiva naquele processo. A decisão determina a expedição urgente do alvará de soltura, sem afastar eventuais mandados de prisão expedidos em outros procedimentos.
Fahd deverá comparecer a todos os atos do inquérito e de eventual ação penal para os quais for convocado. Também terá de se apresentar à Justiça a cada dois meses para informar suas atividades, manter o endereço atualizado e comunicar previamente mudanças de residência e ausências de oito dias ou mais.
Outra restrição é o recolhimento domiciliar das 22h às 5h30, inclusive aos fins de semana e feriados. O descumprimento das medidas poderá levar à decretação da prisão preventiva.

Patrimônio investigado – Filho de Nasser Haidar e primo de Adule Vasques Haidar e Maroan Fernandes Haidar Ahmed, Fahd aparece nas investigações como possível responsável por manter bens e movimentar recursos em benefício do pai. A PF suspeita que integrantes da família utilizavam empresas e parentes para ocultar patrimônio de origem criminosa.
Um dos principais pontos da investigação é a empresa Pecuária e Hípica C.H.F.H., registrada em nome de Fahd em 2019, quando ele completou 18 anos. O empreendimento ocupa uma área de aproximadamente 30 hectares nos arredores de Ponta Porã, adquirida anteriormente por sua mãe, Tania Hazime Bitencourt.
Segundo a decisão da Justiça Federal que autorizou o sequestro de bens da organização, a empresa declarou ausência de receitas e atividades entre 2020 e 2023. Apesar disso, os investigadores identificaram movimentações financeiras, manutenção de empregados e aquisição de veículos de alto padrão.
Entre os bens registrados em nome da empresa estão uma BMW X6, uma caminhonete Dodge RAM 2500 Laramie e uma Volkswagen Saveiro. A investigação identificou que Nasser pagou 22 boletos relacionados à aquisição da BMW, que somaram R$ 323,1 mil entre julho de 2022 e maio de 2024.
A Polícia Federal também encontrou registros de depósitos em espécie nas contas de Fahd. Foram 90 operações, que totalizaram R$ 302,3 mil no período analisado.
Outro episódio investigado envolve a compra de um cavalo por R$ 400 mil. Conforme a PF, Adule Vasques Haidar, filho de Adel Hassan Haidar, realizou quatro depósitos de R$ 100 mil relacionados à negociação. Os investigadores suspeitam que os recursos utilizados na aquisição possam ter origem criminosa.
A decisão judicial menciona ainda dois imóveis comerciais registrados em nome de Fahd desde 2013, quando ele ainda era adolescente. Os bens foram avaliados em aproximadamente R$ 674 mil e têm Nasser como usufrutuário vitalício.
Armas e violência – A PF também relaciona Fahd a um episódio ocorrido em março de 2024, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Segundo informações reunidas na investigação, ele foi detido com outros brasileiros após disparos contra uma residência.
O relatório menciona mais de 20 disparos e informa que um dos projéteis atingiu um hospital público da cidade. A ocorrência também envolveu Mamede Alhaj Haidar, outro integrante da família investigado na operação.
Os policiais federais encontraram ainda imagens de novembro de 2022 nas quais Fahd e Mamede aparecem com armas longas e pistolas durante uma videochamada com Adule.
Outro registro citado pela investigação mostra Fahd com um fuzil equipado com carregadores de grande capacidade em uma caminhonete, durante encontro com seu tio Bassam Hassan Haidar Ahmed em uma propriedade rural de Mato Grosso.
A Polícia Federal considera esses elementos indícios de ligação do investigado com o núcleo armado da organização.
Operação Ifrit – Deflagrada na quarta-feira (4), a Operação Ifrit investiga uma organização criminosa de base familiar que teria estabelecido uma estrutura para o tráfico internacional de drogas e armas na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.
A ofensiva teve como alvos integrantes da família Haidar, empresários, operadores financeiros e policiais suspeitos de fornecer proteção ao grupo.
A operação incluiu 76 mandados de busca e apreensão, 25 prisões preventivas, uma prisão temporária e medidas de monitoramento eletrônico, além do afastamento de três policiais civis.
Os investigadores apontam os irmãos Adel, Bassam e Nasser Haidar como integrantes da cúpula da organização, que teria utilizado empresas para movimentar recursos do tráfico, corrompido agentes públicos e recorrido à violência contra rivais.
Defesa – Em nota divulgada na quinta-feira (5), a defesa de Fahd Haidar informou que analisa as acusações e os elementos da investigação, que tramita sob sigilo judicial. Os advogados afirmaram que apresentarão suas manifestações sobre o mérito do caso no processo e demonstraram confiança na Justiça.
A defesa também declarou estar convicta de que a inocência de Fahd será demonstrada e ressaltou que a investigação e a imposição de medidas cautelares não representam reconhecimento de culpa.

