Juiz que quase largou o Direito volta à sala de aula para falar de escolhas
No Vilas Boas, juiz conversa com oito turmas e encerra ciclo de visitas a 14 escolas

“Vocês sabem quem foi o professor Emygdio Campos Widal?” Foi com uma pergunta sobre o nome da escola que o juiz Jorge Tadashi Kuramoto abriu, nesta sexta-feira (6), uma conversa sobre Justiça e futuro com alunos do ensino médio no Bairro Vilas Boas, em Campo Grande. Em seguida, dividiu com os estudantes uma dúvida que ele próprio teve quando era universitário: se valia a pena continuar no curso de Direito.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Antes de falar da própria trajetória, o juiz contou que Emygdio veio de Corumbá, chegou à Capital em 1920 e é considerado o primeiro professor de música da cidade. A história abriu espaço para as perguntas dos estudantes de oito turmas do primeiro e do segundo ano. Os alunos do terceiro, segundo o diretor Alexandre Fagundes Damian, estavam nas aulas de revisão para o Enem.
- Leia Também
- E se o paciente não puder esperar? Fila do SUS vira assunto em sala de aula
- Constituição na prática: estudantes questionam juiz sobre igualdade
Há 25 anos na magistratura em Mato Grosso do Sul, Tadashi contou que pensou em deixar a faculdade. No terceiro ano do curso, conheceu um professor que também era juiz criminal e encontrou nele uma referência para seguir estudando. Depois de formado, trabalhou três anos como advogado antes de ingressar na carreira de juiz.
Para explicar o que faz no trabalho, recorreu ao futebol. Assim como o árbitro precisa decidir em campo mesmo sob pressão, disse o magistrado, cabe ao juiz julgar com independência, ainda que a decisão desagrade a uma das partes.
A visita à Escola Estadual Professor Emygdio Campos Widal encerrou o semestre do projeto Magistratura Vai à Escola, da Associação dos Magistrados de Mato Grosso do Sul (Amamsul). A iniciativa passou por 14 escolas de Campo Grande para conversar com estudantes sobre direitos, deveres e o funcionamento da Justiça. Tadashi participou de cinco visitas e, nesses encontros, falou com mais de mil alunos.
Caneta preta e recado de incentivo
Enquanto as turmas do primeiro e do segundo ano conversavam com o juiz, a escola preparava kits para os 127 estudantes que vão fazer o Enem. Dentro, canetas pretas, bolinho, balas, chocolate e mensagens de incentivo escritas pelos professores.
Ao mostrar os kits, o diretor explicou que parte dos recursos para ações como essa vem da economia com uma parceria com o Judiciário. Segundo Damian, o trabalho de reeducandos da Gameleira na limpeza, na manutenção e na jardinagem poupa de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês. O dinheiro ajuda a custear reparos no prédio, consertos de aparelhos de ar-condicionado e iniciativas de acolhimento aos alunos.
“Todo mimo tem custo, então nós agradecemos por ter essa possibilidade!”, disse o diretor. Na hora da prova, os alunos vão levar na bolsa o material exigido e um recado de quem os acompanhou até ali.

