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Cidades

Lado a lado em evento, Estado e União divergem sobre vacina de adolescentes

Ministério da Saúde quer suspender, enquanto estados brasileiros defendem vacinar jovens de 12 a 17 anos

Por Guilherme Correia e Caroline Maldonado | 17/09/2021 11:15
Secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende (à esq.) e a secretária de Enfrentamento à Covid, Rosana Leite de Melo, em evento hoje. (Foto: Marcos Maluf)
Secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende (à esq.) e a secretária de Enfrentamento à Covid, Rosana Leite de Melo, em evento hoje. (Foto: Marcos Maluf)

Durante o lançamento do Plano Nacional de Expansão da Testagem para covid-19, feita pelo Ministério da Saúde em seis estados brasileiros, incluindo Mato Grosso do Sul, autoridades sanitárias do Estado e governo federal defenderam posicionamentos diferentes sobre a vacinação de adolescentes.

A titular da Secretaria de Enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite de Melo, que emitiu a nota recomendando que a imunização de pessoas com menos de 18 anos seja suspensa, afirmou que os pais não deverão buscar, por enquanto, a segunda dose de vacina contra o coronavírus, para os jovens.

Quem vacinou seus filhos, a nossa recomendação, por enquanto, é que não receba a segunda dose, fique apenas na primeira dose. Estamos em constante discussão entre a câmara técnica, composta por vários especialistas", disse.

O secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, no entanto, afirma que pedirá uma revisão da recente suspensão recomendada pelo governo federal em relação a vacinação de pessoas entre 12 a 17 anos, sem comorbidades. “Vamos pedir à secretária que nos ajude a reverter essa decisão”.

Segundo ele, tal decisão não encontra respaldo em nenhuma sociedade médica, tais como a Sociedade Brasileira de Pediatria, de Infectologia, ou de Imunologia. “Ou de alguma área da saúde, de doenças infecciosas”, completa.

Vamos continuar fazendo imunização em adolescentes. Porque a Organização Mundial da Saúde preconiza fazer doses de vacinas com e sem comorbidades, porque todas as sociedades médicas no País preconizam a utilização", disse em live.

Segundo dados da SES (Secretaria Estadual de Saúde), cerca de 58,4% dos adolescentes de 12 a 17 anos já receberam a primeira dose de Pfizer. Após 21 dias, deverão ser contemplados com a segunda, para que haja maior eficácia dos imunizantes. “Em Mato Grosso do Sul, não houve nenhum caso de adolescente com efeito adverso”, reforça Resende.

Além disso, outros estados também seguiram com a mesma contrariedade, tais como São Paulo ou Maranhão. “Falta explicar que existem reações que são normais em qualquer tipo de vacinação. Toda a comunidade científica, desaprova a conduta do Ministério da Saúde”, diz.

O que diz o Ministério da Saúde - No entanto, o governo federal tem sido taxativo quanto ao processo de imunização dos adolescentes sem comorbidades.

A situação gerou muita repercussão ontem, quando o Ministério da Saúde emitiu nota informativa pedindo a suspensão do uso de doses da Pfizer, única patente permitida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para jovens, em pessoas de 12 a 17 anos sem comorbidades.

Entre um dos motivos para isso, a pasta justificou que teria havido caso com reações graves em um adolescente vacinado.

A titular da secretaria do Ministério da Saúde e ex-diretora do Hospital Regional de MS, Rosana Leite de Melo, explicou ao Campo Grande News nesta semana, que estados não deveriam nem ter começado essa etapa, e sugeriu até que tivesse havido uso indevido de vacinas.

O governo brasileiro alega que a OMS (Organização Mundial da Saúde) não recomenda a imunização de adolescentes. No entanto, a entidade diz somente que a prioridade não deve ser a desse grupo. Caso haja disponibilidade de doses, essas vacinas poderiam ser aplicadas sim, de acordo com a OMS.

"A covid muda muito a todo momento. Por isso, é importante seguir o PNO [Plano Nacional de Operalização da Imunização]. Algo que é falado há duas semanas, hoje, pode ser diferente", defende Leite.

Testagem em massa - Meses após o anúncio, feito em maio, o governo federal deu início à campanha de testagem em massa em seis cidades brasileiras. Além de Campo Grande, houve eventos em Porto Velho (RO), Macapá (AP), Belo Horizonte (MG), Foz do Iguaçu (PR) e Natal (RN).

Segundo o jornal Metrópoles, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que foram adquiridos 60 milhões de testes rápidos de antígenos junto à Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que serão entregues a todos os estados brasileiros até o fim do ano, sendo que 5 milhões já foram entregues nesta semana.

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