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Cidades

Sede de editora investigada era sala na Avenida Paulista para criar caixa postal

Com base em São Paulo, Avante vendia livros para prefeituras em Mato Grosso do Sul

Por Aline dos Santos | 05/08/2026 11:39
Sede de editora investigada era sala na Avenida Paulista para criar caixa postal
Sala em prédio na Avenida Paulista, em São Paulo, foi sede da Avante até abril. (Foto: Reprodução/Processo)

Ponto central no esquema de corrupção de R$ 27 milhões denunciado na Operação Gutenberg, a Editora Avante se resumia, até abril deste ano, a uma sala de coworking (espaço onde empreendedores dividem o mesmo espaço) na Avenida Paulista (SP), que costuma ser utilizada por empresas para criar caixas postais de correspondência.

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A Editora Avante, central no esquema de corrupção de R$ 27 milhões investigado na Operação Gutenberg, funcionava em uma sala de coworking na Avenida Paulista, em São Paulo, usada apenas como caixa postal. Aberta com capital social de R$ 40 mil, a empresa recebeu R$ 27,4 milhões em compras públicas e sacou R$ 9,2 milhões em espécie, segundo o Gaeco, que denunciou 17 investigados.

A constatação foi da equipe da 3ª Delegacia de Investigações Interestaduais - Polinter de São Paulo, que foi ao endereço em 7 de julho, dia da operação, para cumprir o mandado de busca e apreensão. No local, na Avenida Paulista, num trecho ladeado por edifícios, a informação foi de que a sala comercial funciona como coworking, "que tem por uma das suas finalidades criar caixas postais para empresas”.

O alvo da ordem de busca era Valesca Thaís Albuquerque Teixeira, terceira responsável por assinar contratos em nome da Avante no decorrer dos três anos de investigação. Durante a apuração, equipe do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) identificou que ela mora no Jardim Noroeste, em Campo Grande.

O vínculo dela  com o local em São Paulo é a Avante. “O que ocorre é um cadastro da mesma, devido ao fato de uma abertura de empresa chamada Editora Avante Comércio de Livros e Serviços Editoriais Ltda, na qual a senhora Valesca no dia 26.03.2026 procurou os serviços da contratada e assinou eletronicamente o contrato”. A contratação foi encerrada em 10 de abril deste ano.

Sede de editora investigada era sala na Avenida Paulista para criar caixa postal
Sala em São Paulo foi alugada por Valesca, 3ª dona da Avante. (Foto: Reprodução/Processo)

Contudo, a reportagem verificou que essa sala na Avenida Paulista ainda é informada como endereço da Avante à Receita Federal. Mas a editora tem novo sócio-administrador, o quarto desde 2023.

Aberta com capital social de R$ 40 mil em 2021, a Editora Avante recebeu R$ 27.446.110,71 em compras públicas e retirou R$ 9.217.000 em espécie, segundo denúncia apresentada pelo Gaeco contra 17 investigados da Operação Gutenberg.

No começo, a Editora Avante estava formalmente registrada em nome de Rhayane Souza Fanaia. Na denúncia, porém, o Gaeco sustenta que ela atuava como proprietária apenas formal da empresa, que seria controlada, na prática, pela família Jafar, herdeira da Gráfica Alvorada. Rhayane foi casada com Giovanni Jafar.

Segundo o Gaeco, a empresa, que primeiro tinha sede no Centro de São Bernardo do Campo (SP), começou a fechar contratos milionários poucos meses depois, apesar do capital social reduzido. Os quatro primeiros negócios destacados na denúncia somaram R$ 3.196.729,50. O maior deles foi firmado com Miranda, no valor de R$ 1.044.355. Em seguida aparecem Ivinhema, com R$ 874.130; Bonito, com R$ 818.958,50; e Ladário, com R$ 459.286.

Sede de editora investigada era sala na Avenida Paulista para criar caixa postal
Prédio na Avenida Paulista onde ficava a sala de coworking que foi sede da Avante, (Foto: Reprodução)

Somente o contrato de Miranda equivalia a mais de 26 vezes o capital declarado pela empresa. Ao apresentar o caso, o Gaeco chama atenção para o “ínfimo capital social e reduzidas instalações” da editora diante da dimensão dos negócios públicos conquistados. Atualmente, o capital social da editora é de R$ 400 mil.

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