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Cidades

TCE pede flexibilização nas regras para emendas de pequeno valor pagas em MS

Tribunal questiona exigências do STF após prefeituras relatarem dificuldades para receber e executar repasses

Por Jhefferson Gamarra | 13/05/2026 14:57
TCE pede flexibilização nas regras para emendas de pequeno valor pagas em MS
Prédio do TCE-MS no Parque dos Poderes (Foto: Divulgação)

O TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul) encaminhou ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta-feira (13) uma série de questionamentos apresentados por municípios sul-mato-grossenses sobre as dificuldades operacionais para cumprimento das exigências relacionadas à execução de emendas parlamentares.

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O TCE-MS encaminhou ao STF questionamentos de municípios sul-mato-grossenses sobre dificuldades no cumprimento das exigências para execução de emendas parlamentares, especialmente a obrigatoriedade de contas bancárias exclusivas para repasses de pequeno valor, entre R$ 500 e R$ 1 mil. O tribunal, que já suspendeu emendas em 31 municípios por irregularidades, pede ao Supremo possíveis flexibilizações e mecanismos alternativos de controle.

As dúvidas surgiram principalmente em relação à obrigatoriedade de abertura de contas bancárias exclusivas para o recebimento de recursos provenientes de emendas parlamentares municipais de pequeno valor. Segundo o Tribunal, os questionamentos foram levantados durante reuniões e atendimentos presenciais e virtuais realizados com diversos municípios do Estado.

A iniciativa ocorre após o TCE-MS intensificar a fiscalização sobre a aplicação desses recursos públicos e determinar a suspensão da execução de emendas parlamentares em 31 municípios de Mato Grosso do Sul. A medida foi adotada depois que relatório técnico apontou inconsistências relacionadas à transparência, execução financeira e adequação legal das emendas.

Conforme entendimento do STF, a liberação de recursos oriundos de emendas parlamentares está condicionada à abertura de contas bancárias específicas em instituições financeiras oficiais, como forma de garantir rastreabilidade e controle dos repasses.

TCE pede flexibilização nas regras para emendas de pequeno valor pagas em MS
Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, Osmar Domingues Jeronymo (Foto: Divulgação)

No entanto, segundo o conselheiro relator Osmar Domingues Jeronymo, a operacionalização dessa exigência tem gerado dificuldades administrativas, especialmente nos casos de emendas de pequeno valor destinadas ao apoio de projetos sociais.

No documento encaminhado à Suprema Corte, o relator explica que é frequente o recebimento de emendas entre R$ 500 e R$ 1 mil. Nessas situações, a obrigatoriedade de abertura de uma conta bancária individualizada para cada repasse, além da necessidade de formalização prévia de instrumentos como termos de fomento junto às instituições financeiras, tem dificultado a execução prática dos recursos pelos municípios.

Entre os questionamentos enviados ao STF, o TCE-MS pede esclarecimentos sobre a possibilidade de flexibilização da exigência de contas bancárias exclusivas para emendas de pequeno valor, mediante definição de um teto financeiro. O Tribunal também questiona se seria possível adotar mecanismos alternativos que permitam a gestão consolidada desses recursos sem comprometer a rastreabilidade e a transparência.

Outro ponto levado ao Supremo trata da possibilidade de utilização do histórico do empenho e da ordem de pagamento como elementos suficientes para assegurar o controle dos repasses, substituindo a necessidade de abertura de contas específicas em determinadas situações.

O Tribunal também pediu orientação sobre os procedimentos adequados quando o próprio município for o beneficiário direto da emenda parlamentar e responsável pela execução do objeto, especialmente nos casos envolvendo recursos de menor valor.

As indagações apresentadas pelo TCE-MS ocorrem em meio ao processo de adequação dos municípios às exigências estabelecidas pelo STF no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854/DF, que trata da transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares.

Na decisão anterior do Tribunal, municípios como Dourados, Alcinópolis, Brasilândia e Cassilândia tiveram emendas suspensas após a identificação de irregularidades. Também foram apontadas falhas em transparência digital e ausência de comprovação adequada da execução financeira dos recursos.

O TCE-MS informou que continuará acompanhando as definições do STF sobre o tema e que novas orientações técnicas serão divulgadas aos jurisdicionados assim que houver manifestação da Suprema Corte sobre os questionamentos encaminhados pelos municípios sul-mato-grossenses.