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Projeto de escola pública de MS ganha prêmio nacional ao combater desperdício

Sistema de reuso escolar criado em Mato Grosso do Sul ficou entre os melhores projetos educacionais do país

Por José Cândido | 13/05/2026 13:30
Projeto de escola pública de MS ganha prêmio nacional ao combater desperdício
Na etapa nacional, os terceiros colocados de cada categoria receberam notebooks e mochilas como premiação. Crédito imagem: Tulio Vidal

Enquanto muitos estudantes desmontam cenários de festas juninas e feiras científicas sem imaginar o destino dos materiais usados, uma professora de Mato Grosso do Sul decidiu transformar o desperdício em oportunidade. A ideia nasceu dentro de escolas públicas de Naviraí e acabou ganhando reconhecimento nacional ao mostrar que sustentabilidade também pode começar na sala de aula.

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Professora de Naviraí, no Mato Grosso do Sul, conquistou o 3º lugar no Prêmio Educador Transformador com o projeto SIRE, plataforma digital que conecta escolas para reaproveitar materiais de eventos escolares. O resultado foi anunciado em São Paulo, durante a Bett Brasil, maior feira de inovação educacional da América Latina. O sistema reduz custos e desperdício aplicando economia circular nas escolas.

O projeto “SIRE – Sistema de Reuso Escolar”, criado pela educadora Daniele Bassanesi, conquistou o 3º lugar na categoria Jornada de Inclusão e Sustentabilidade na Educação durante a 3ª edição do Prêmio Educador Transformador. O resultado foi anunciado no último dia 6 de maio, em São Paulo, durante a Bett Brasil, considerada a maior feira de inovação e tecnologia educacional da América Latina.

A premiação, promovida pelo Sebrae, Instituto Significare e Bett Brasil, reconhece iniciativas capazes de criar soluções inovadoras para desafios reais da educação brasileira. Neste ano, o tema central foi “Educação para enfrentar crises e construir futuros regenerativos”.

Foi justamente olhando para um problema cotidiano das escolas que Daniele encontrou a inspiração para o projeto. Ao acompanhar a rotina de eventos escolares, percebeu que materiais produzidos para feiras culturais, apresentações, saraus e festas juninas eram frequentemente descartados pouco tempo depois de serem utilizados, mesmo ainda estando em boas condições.

A partir dessa percepção surgiu o SIRE, uma plataforma digital criada para conectar escolas e estimular o reaproveitamento de recursos. O sistema funciona como uma espécie de rede colaborativa: cada instituição pode cadastrar materiais sem uso, permitindo que outras unidades solicitem os itens, utilizem e depois devolvam ao local de origem.

Na prática, o projeto amplia a vida útil dos materiais, reduz custos e diminui o desperdício dentro das escolas, aplicando conceitos de economia circular no ambiente educacional.

Segundo a analista-técnica do Sebrae, Priscila Veloso, a conquista coloca Mato Grosso do Sul em evidência no cenário da educação inovadora.

“Projetos como o SIRE mostram como a educação pode unir inovação, sustentabilidade e protagonismo, ao possibilitar um melhor aproveitamento de materiais e recursos escolares com base na economia circular”, destacou.

O projeto começou a ser desenvolvido junto à gestão da Escola Estadual Eurico Gaspar Dutra, onde Daniele atua atualmente como professora coordenadora de suporte à aprendizagem.

Antes de colocar a proposta em prática, a educadora decidiu validar a ideia ouvindo quem vive o problema diariamente. Um questionário aplicado em três escolas reuniu respostas de 78 professores e confirmou que o desperdício de materiais é uma realidade comum em diferentes redes de ensino.

“A aceitação foi imediata porque essa é uma dor recorrente nas escolas. Acreditamos que o projeto também ajudará os estudantes a desenvolver consciência sobre sustentabilidade”, afirma Daniele.

A trajetória da professora com projetos de inovação educacional já vinha sendo reconhecida anteriormente. Em 2024, ela conquistou o primeiro lugar na segunda edição do Prêmio Educador Transformador na categoria Ensino Médio. Agora, voltou ao cenário nacional com uma proposta ainda mais ampla, voltada à integração entre escolas e, futuramente, até entre diferentes redes de ensino.

Mesmo ainda em fase de prototipagem, o SIRE já ganhou visibilidade nacional e reforça um movimento crescente dentro das escolas: o de transformar problemas cotidianos em soluções sustentáveis e colaborativas.

“Estamos vivendo um momento de transição na educação, e ninguém melhor do que nós, educadores, para conduzir essa mudança. Inovar por meio de projetos é uma forma de inspirar os estudantes a encontrarem soluções inteligentes para problemas sociais que impactam diretamente o cotidiano das escolas e da sociedade”, resume Bassanesi.

Na etapa nacional do prêmio, os terceiros colocados de cada categoria receberam notebooks e mochilas como premiação.