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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

08/03/2016 08:40

A cada dia, 21 mulheres denunciam companheiros à polícia por agressões

Viviane Oliveira e Luana Rodrigues
Sangue na porta do hospital; Vilma, que era funcionária do local, foi morta pelo ex-marido. (Foto: Fernando Antunes)Sangue na porta do hospital; Vilma, que era funcionária do local, foi morta pelo ex-marido. (Foto: Fernando Antunes)

A cada 24 horas, em média 21 mulheres vítimas de violência denunciam os companheiros à polícia por agressão em Campo Grande. Nos dois primeiros meses deste ano foram registrados 1.267 boletins de ocorrência na Delegacia da Mulher, o que também representa 30% mais que no mesmo período do ano passado, quando foram 971 casos.

Durante o ano de 2015, foram registradas 7.255 ocorrências, quatro feminicídios e 17 tentativas de homicídios. Segundo a polícia, o número é considerado alto, mas não quer dizer que aumentou a violência, refletindo que cada vez mais as mulheres estão denunciado os agressores. 

O único feminicídio registrado este ano ocorreu dentro do Hospital Regional Rosa Pedrossian. Vilma Alves de Lima, 57 anos, funcionária do setor administrativo foi assassinada a golpes de faca pelo ex-companheiro em frente à entrada principal de unidade de saúde.

Após o crime, o pedreiro Wilson Lima, 69 anos, tentou suicídio jogando o carro que conduzia contra um caminhão. Ele foi socorrido, internado na Santa Casa sob escolta e após receber alta foi direto para um presídio.

Casos de agressão psicológica, física e até sexual acontecem toda hora. Na madrugada de ontem, por exemplo, uma jovem de 20 anos foi agredida a pauladas e coronhadas na cabeça, no Jardim Sumatra.

O principal suspeito de ter cometido o crime é o marido dela, Elias Eugênio Xavier, 37 anos, conhecido como Elias Gordo. Ele, que já tinha mandado de prisão em aberto, ainda não havia sido encontrado até o fechamento deste texto. A garota recebeu alta na tarde desta segunda. 

Mudança - Quem trabalha na Casa da Mulher Brasileira, complexo que integra todos os serviços especializados para atender mulheres vítima de violência, comemora uma mudança de comportamento e o empoderamento das mulheres. Porém, das 11 mil vítimas atendidas na casa, ainda há uma minoria com motivos em comum, que fazem a voltar a conviver com os agressores: amor e medo.

“Temos empoderado as mulheres e o que mais tem me chamado atenção é que e elas estão percebendo que não precisam viver essa situação. Mas, nós também temos casos em que a vítima mesmo depois de agredida ou ameaçada insiste no relacionamento, por amor e até medo”, conta a assistente social da Casa, Letícia Couto.

Casa da Mulher foi inaugurada há pouco mais de 1 ano.  (Foto: Marcos Ermínio)Casa da Mulher foi inaugurada há pouco mais de 1 ano. (Foto: Marcos Ermínio)

Segundo Letícia, a situação não é frequente, mas ainda ocorre e segue um ciclo. “O ciclo é assim, começa com agressão psicológica, passa para a física e elas denunciam. Depois vem a medida protetiva e, em seguida, o arrependimento. Ai elas vêm aqui para retirar a medida. São poucas, mas ainda existem as que caem nesse conto dos companheiros que pedem desculpa. Ficam por amor, e uma semana depois a tragédia está feita”, diz.

Se não pelo amor, pela dor, que também dá lugar ao medo. “Apesar das medidas protetivas, ainda tem mulheres com medo de deixar os maridos e serem agredidas ou mortas”, relata.

Para evitar que casos como o de Vilma, que era perseguida pelo marido que não aceitava o fim da separação, a Casa da Mulher tem a Patrulha Maria da Penha realizada por uma equipe de Guardas Civis Municipais, que faz o acompanhamento das mulheres que tiveram medidas protetivas concedidas.

“São visitas periódicas, feitas de acordo com ordem do Tribunal de Justiça, justamente para garantir que elas não corram riscos. É a nossa colaboração para acabar com a violência”,explica a coordenadora da patrulha, Michelle Carpezani. A Casa da Mulher Brasileira fica na Rua Brasília, nº 1, no Jardim Imá.

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