Alvo de operação dos perfumes é preso com munições guardadas há 35 anos
Motorista de aplicativo foi detido durante buscas e disse que guardava o material como lembrança do Exército
Preso em flagrante durante a Operação Perfume de Mulher, nesta terça-feira (22), o motorista de aplicativo Antônio Fernandes, de 54 anos, foi encontrado com 15 munições em casa, no Bairro Santa Emília, em Campo Grande. Alvo da ação, ele relatou em depoimento que guardava o material havia cerca de 35 anos, como recordação da época em que serviu no Exército Brasileiro.
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Motorista de aplicativo preso durante a Operação Perfume de Mulher, em Campo Grande, foi encontrado com 15 munições em casa. Antônio Fernandes, de 54 anos, afirmou guardar o material há 35 anos como recordação do tempo em que serviu no Exército. A operação investigou organização suspeita de movimentar mais de R$ 300 milhões com contrabando de perfumes estrangeiros vindos do Paraguai.
A prisão ocorreu por volta das 6h de ontem, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão expedido pela 3ª Vara Federal de Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, a equipe do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) localizou, dentro de uma caixa, 13 munições calibre .762 e duas munições calibre 9 mm, todas da marca CBC.
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Questionado sobre o material, Antônio afirmou que havia adquirido as munições em 1991, quando estava no Exército, durante um procedimento de descarte. Segundo ele, na época trabalhava na limpeza do paiol e recebeu autorização de um sargento para ficar com algumas munições que seriam inutilizadas.
Antônio contou que o material seria descartado no rio e que decidiu guardar algumas munições como lembrança. “Quando eu estava no quartel, eu estava fazendo uma limpeza no paiol. Aí o sargento falou: ‘Isso aqui é descarte. Essas coisas aqui tem um monte’. Aí ele mandou descartar no rio lá. Daí eu falei: ‘Ah, vou pegar uma disso aqui pra mim, pra recordação’, porque é vencida, né? Não tinha serventia nenhuma. Aí eu peguei pra fazer um charme”, disse.
O motorista afirmou ainda que não possui e nunca possuiu porte de arma. Segundo ele, não tinha conhecimento de que guardar as munições poderia configurar irregularidade, pois acreditava que se tratava apenas de material antigo e sem utilidade.
“Na minha cabeça era uma recordação que eu guardei do quartel. Agora, se fosse uma arma, eu teria receio de alguma coisa. Mas era uma munição que estava ali, uma 7.62”, afirmou.
Ele não soube informar o nome do sargento que, segundo sua versão, teria permitido que levasse as munições, alegando que o episódio ocorreu há aproximadamente 35 anos.
Após a apreensão, a polícia prendeu Antônio em flagrante e o encaminhou à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol.

Perfume de Mulher - A operação foi deflagrada pela Receita Federal, MPF (Ministério Público Federal) e MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para investigar uma organização suspeita de movimentar mais de R$ 300 milhões com a entrada e distribuição clandestina de perfumes estrangeiros. A ação cumpriu 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco, sendo 10 deles em Campo Grande.
Segundo as investigações, os perfumes, principalmente da linha árabe, entravam no Brasil pelo Paraguai, pela região de Ponta Porã, e eram levados inicialmente para depósitos em Campo Grande. Depois, as mercadorias seguiam para centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco e eram comercializadas para diferentes estados.
A apuração começou após sucessivas apreensões de mercadorias entre 2024 e 2026. Uma das principais ocorreu em outubro de 2025, quando cerca de R$ 10 milhões em perfumes foram apreendidos em um depósito no Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande.
A investigação aponta ainda o uso de notas fiscais supostamente fraudulentas, empresas de fachada, pessoas usadas como “laranjas”, ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e criptoativos em negociações com fornecedores no exterior. A Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 100 milhões em bens e valores dos investigados.
Durante a operação, o homem apontado como líder do grupo foi preso em Foz do Iguaçu (PR). Em Campo Grande, além de perfumes, foram apreendidos veículos, celulares, documentos e outros produtos estrangeiros.
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