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Capital

Após fugir do ex escondida no porta-malas, mulher recomeça com auxílio-aluguel

Ela foi uma das selecionadas para receber R$ 500, por 12 meses, para arcar com os custos do aluguel

Por Izabela Cavalcanti e Geniffer Valeriano | 24/02/2026 11:26
Após fugir do ex escondida no porta-malas, mulher recomeça com auxílio-aluguel
Mulher que sofreu violência psicológica sendo atendida pela equipe do Programa Recomeçar Moradia (Foto: Marcos Maluf)

Durante mais de duas décadas, ela viveu entre o medo e o silêncio. Precisou se esconder dentro do porta-malas de um carro para não ser morta pelo seu ex-marido. Hoje, aos 57 anos, ela começa a escrever um novo capítulo da própria história ao ser escolhida para receber auxílio mensal de R$ 500 pelo Programa Recomeçar Moradia.

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Uma mulher de 57 anos, vítima de violência doméstica por mais de duas décadas, foi selecionada para receber auxílio mensal de R$ 500 pelo Programa Recomeçar Moradia em Campo Grande. Ela enfrentou perseguições, ameaças e chegou a se esconder no porta-malas de um carro para escapar do ex-marido. O programa, iniciativa da Emha e Semu, atenderá 60 mulheres vítimas de violência doméstica. Para participar, as beneficiárias devem residir em Campo Grande há mais de dois anos, ter renda familiar de até três salários mínimos e possuir medida protetiva vigente, entre outros requisitos.

Nesta segunda-feira (23), a Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) e a Semu (Secretaria Executiva da Mulher) iniciaram o atendimento de 60 mulheres vítimas de violência doméstica convocadas para continuidade no processo de seleção do programa. A triagem é realizada na Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande.

A mulher da história se casou aos 16 anos, e ele tinha 20. Foram 15 anos de casamento marcados por um tipo de violência que, na época, ela nem sabia que existia: a psicológica.

“Não era violência física, mas era psicológica. Até então, antigamente eu não sabia que era uma violência, achava que aquilo era uma coisa normal”, lembrou.

A separação aconteceu em 1999. Mas o fim do casamento não significou o fim do sofrimento. Mesmo depois de deixá-la, ele continuou manipulando, ameaçando e perseguindo.

Ela se mudou para o Acre, onde viveu por 18 anos. Nem a distância foi suficiente. As perseguições continuaram por lá. Em um dos episódios mais graves, ele sequestrou duas filhas e as trouxe para Campo Grande. Ela precisou voltar para buscar as crianças.

Segundo ela, ele usava as visitas como pretexto para continuar a violência. “Ele foi lá e sequestro duas filhas minha, veio para cá e tive que vir aqui buscar as crianças, ele ia lá toda vez e me incomodava, usava as visitas para os filhos como pretexto para me martirizar”, contou. Hoje, os filhos já são adultos, com idades entre 30 e 40 anos.

Em 2018, ela retornou definitivamente para Campo Grande após uma das filhas se mudar para a cidade. Ao descobrir que ela havia voltado, ele tentou localizar onde ela morava, tirou fotos do portão e retomou as ameaças.

O medo era constante. Ela conta que não conseguia trabalhar, vivia trancada e em pânico. “Eu vivia correndo, vivia muitas vezes trancada dentro de casa. Eu ficava com medo de ele chegar, de ele ir fazer um escândalo, ou fazer alguma coisa”, lamentou.

O momento mais extremo foi quando precisou literalmente se esconder para sobreviver. “Eu me senti muito coagida, falei isso tem que acabar porque tive que me esconder dentro do porta-malas do carro da minha filha, me esconder dentro do guarda-roupas para falar para ele, que eu não estava lá. Para sair da casa tive que sair escondida, dentro do porta-malas para conseguir chamar a polícia e me trazer aqui para fazer a medida protetiva, porque eu estava com muito medo dele. Chegou uma hora que isso teria que acabar e eu coloquei um fim”, relembrou.

A medida protetiva veio há três anos. E, com ela, a liberdade. “Entrei com a medida protetiva para ficar livre dele, só assim, depois de 20 e poucos anos de separação foi que me livrei dele. Depois da medida protetiva, eu me sinto segura, porque ele nunca mais se aproximou de mim. Depois de ter sofrido tanto, eu estou tendo uma vitória. Para mim, foi uma libertação”, comemorou.

Programa – As mulheres convocadas devem comparecer para apresentação de documentos pessoais e comprovação dos critérios exigidos, entre eles: residir em Campo Grande há mais de dois anos, possuir renda familiar de até três salários mínimos, não possuir imóvel próprio, estar inscrita no Cadastro Geral da Emha e no Cadastro Único para Programas Sociais, além de apresentar medida protetiva de urgência vigente, expedida por autoridade judicial.

Após fugir do ex escondida no porta-malas, mulher recomeça com auxílio-aluguel
Assistente social da Emha, Julienne Araújo, dando entrevista ao Campo Grande News (Foto: Marcos Maluf)

A assistente social da Emha, Julienne Araújo, explica que são oferecidos cursos para que a mulher tenha independência financeira.

"Oferecemos cursos para a geração de renda. Pelo programa ter um prazo, a gente quer que a mulher tenha uma independência financeira. A geração de renda é o nosso foco para ela ter essa independência financeira, trabalhamos isso com elas e cobramos também. É um critério da participação do programa, para elas participarem", explicou.

O Programa Recomeçar Moradia oferece auxílio mensal de R$ 500, pelo período de 12 meses, com o objetivo de garantir que pessoas em situação de vulnerabilidade social tenham condições de arcar com os custos do aluguel. O chamamento das mulheres selecionadas segue até sexta-feira (27).

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