Após relatório, Consórcio diz que crise é financeira e rejeita intervenção
Empresa afirma que problemas são consequência da crise e quer acordo com a prefeitura para renovação da frota
Após a divulgação do relatório da comissão especial da Prefeitura de Campo Grande que recomendou uma intervenção no transporte coletivo da Capital, o Consórcio Guaicurus divulgou nesta terça-feira (9) uma nota pública em que contesta os principais fundamentos do documento e defende uma solução negociada para enfrentar os problemas do sistema.
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O Consórcio Guaicurus divulgou nota contestando o relatório da comissão especial da Prefeitura de Campo Grande que recomendou intervenção no transporte coletivo. A empresa atribui os problemas a um desequilíbrio econômico-financeiro e propõe solução negociada, com renovação de frota e revisão contratual. A prefeita Adriane Lopes deve anunciar sua decisão até sexta-feira (12).
A concessionária afirma que os indicadores utilizados pela comissão, como o elevado número de autuações, o envelhecimento da frota e dificuldades operacionais registradas nos últimos anos, não representam a origem da crise do transporte coletivo, mas seriam consequência de um desequilíbrio econômico-financeiro que, segundo a empresa, se agravou ao longo dos últimos anos.
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Em nota, o consórcio sustenta que o sistema enfrenta um “descompasso estrutural crônico” entre a tarifa técnica, que corresponde ao custo real da operação, e a tarifa efetivamente paga pelos passageiros. A empresa também aponta a ausência de subsídios integrais para custear gratuidades previstas em lei como um dos fatores que impactam a sustentabilidade financeira do serviço.
Sobre as mais de 21 mil autuações registradas entre 2021 e 2025 e destacadas no relatório da comissão, o Consórcio Guaicurus argumenta que os números precisam ser analisados proporcionalmente ao volume de viagens realizadas no período. Segundo a concessionária, quando comparado ao total de operações executadas, o sistema teria alcançado índice de eficiência de 99,99% no cumprimento de suas metas operacionais.
Em relação à idade média da frota, apontada pela comissão como uma das irregularidades mais graves encontradas durante a apuração, o consórcio afirma que o atraso na renovação dos veículos é resultado direto das dificuldades financeiras enfrentadas pela operação.
De acordo com a empresa, sem a recomposição das receitas e o reequilíbrio econômico do contrato de concessão, torna-se inviável manter o ritmo de investimentos exigido pelo contrato firmado com o município.
O consórcio também rebate questionamentos envolvendo seguros e outras obrigações contratuais. Na nota, a empresa afirma que as apólices estão vigentes e que discussões relacionadas a multas e demais pendências regulatórias seguem sendo tratadas nas instâncias administrativas e judiciais competentes.
Outro ponto abordado pela concessionária foi a paralisação do transporte coletivo registrada em dezembro de 2025. O episódio foi citado pela comissão como um dos fatos analisados durante a investigação. Segundo o consórcio, a interrupção não ocorreu por negligência operacional, mas foi consequência da situação financeira enfrentada pelo setor.
A empresa também se posicionou contra uma eventual intervenção no sistema. A diretoria afirma que a medida seria precipitada e que o próprio relatório reconhece o caráter fiscalizatório da intervenção, sem representar punição ou rompimento automático do contrato.
Para o consórcio, a prioridade deveria ser a realização do estudo econômico-financeiro referente ao 14º ano da concessão, previsto contratualmente. A empresa argumenta ainda que análises semelhantes deveriam ter sido realizadas anteriormente e que a revisão contratual é fundamental para restabelecer o equilíbrio da operação.
Como alternativa à intervenção, o Consórcio Guaicurus informou ter protocolado junto ao município uma proposta de solução negociada e um plano de modernização do sistema.
Segundo a concessionária, a proposta prevê a formalização de um termo de ajuste que permitiria a captação de recursos para promover a renovação da frota, a revisão de linhas e a otimização dos tempos de viagem. A empresa defende que essas medidas permitiriam corrigir as falhas apontadas pelos órgãos de fiscalização sem os impactos jurídicos e operacionais que, na avaliação do grupo, poderiam decorrer de uma intervenção.
Ao final da nota, o Consórcio Guaicurus reafirma disposição para manter diálogo com a prefeitura e os órgãos de controle, defendendo uma solução construída de forma consensual para garantir a continuidade e a sustentabilidade do transporte coletivo em Campo Grande.
A manifestação foi divulgada um dia após a comissão especial instituída pela prefeitura recomendar a intervenção na concessionária. A decisão final caberá à prefeita Adriane Lopes (PP), que informou que deverá anunciar seu posicionamento até a próxima sexta-feira (12), após análise técnica do relatório elaborado pela comissão.


