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Capital

Com fim de aterro irregular, quem gerar terá de pagar para jogar entulho fora

Aluguel de caçamba e descarte restos de construção em depósitos privados custam até R$ 280; serviços são contratados e cobrados separadamente

Por Anahi Zurutuza | 17/01/2017 18:53
Caçamba chegando ao antigo aterro de entulho da Capital, no Noroeste (Foto: Fernando Antunes/Arquivo)
Caçamba chegando ao antigo aterro de entulho da Capital, no Noroeste (Foto: Fernando Antunes/Arquivo)

Para onde vai o lixo que eu produzo? O fechamento do aterro do Jardim Noroeste, que funcionava irregularmente no leste de Campo Grande, não só transformou as ruas da cidade em estacionamento de caçambas lotadas de entulho, mas também expôs mais uma das falhas na política de destinação dos resíduos sólidos na Capital.

Até o dia 15 de dezembro, restos de construção, de poda de árvores, móveis e equipamentos eletrônicos velhos e tudo que era descartado em caçambas ou em caminhões-baú podia ser levado para o depósito mantido pela prefeitura à beira da BR-163. O local se transformou em um verdadeiro lixão e caos se instalou na cidade quando Justiça determinou a interdição.

A solução emergencial partiu da própria administração municipal. Conforme anunciou o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Antônio Lacerda, nesta terça-feira (17), a Solurb –empresa responsável pela coleta de lixo doméstico– cederá espaço no aterro sanitário da Capital e fará a triagem do entulho já acumulado em 3,8 mil caçambas espalhadas pela cidade.

Mas, daqui para frente, os geradores, sejam eles empresas ou qualquer cidadão que decidir fazer uma obra em casa, terão de arcar com o custo do descarte. Significa que quem for fazer uma reforma, por exemplo, tem de pôr no orçamento não só o aluguel da caçamba para os restos de construção, mas também o custo para comprar o espaço em um aterro de entulho privado ou contratar empresa para que os resíduos sejam triturados e reciclados.

O custo pode chegar a R$ 280 para a destinação correta do que encher cada caçamba. Até agora, geradores desembolsavam de R$ 95 a R$ 120, pois pagavam aos caçambeiros apenas pelo aluguel do depósito provisório e transporte até o aterro.

Espaço privado preparado para o descarte de entulho na Capital (Foto: CGEA/Divulgação)
Espaço privado preparado para o descarte de entulho na Capital (Foto: CGEA/Divulgação)

O que diz a lei – A resolução 307 do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) determina que o gerador de mais de 1 metro cúbico de entulho –que corresponde a até 1/4 de uma caçamba– arque com o descarte. O poder público é responsável por volumes menores e, por isso, deveriam haver os Ecopontos na Capital. 

“Quem sujou tem de limpar, em resumo esta é regra”, afirma Anagildes Caetano de Oliveira, o dono de uma das empresas licenciadas para receber os resíduos em Campo Grande.

Em Campo Grande duas empresas fazem o manejo correto dos restos de construção. A CGEA Ambiental, localizada na região do bairro José Abrão, cobra de R$ 100 a R$ 120 para receber as quatro toneladas de entulho que cabem em uma caçamba, separar e armazenar o material para depois encaminhá-los para a reciclagem.

Já a Progemix Resilix, que fica na avenida Coronel Antonino, trabalha com reciclagem de papelão, alumínio, pneus e madeira, além da fabricação de pré-moldados com restos de alvenaria, cobrando R$ 30 por caçamba deixada no local, por enquanto, de acordo com Anagildes.

Caçambas acumuladas em área do aterro interditado (Foto: Fernando Antunes/Arquivo)
Caçambas acumuladas em área do aterro interditado (Foto: Fernando Antunes/Arquivo)

Cálculo – O aluguel de uma caçamba também deve ficar mais caro -em média R$ 160-, segundo Carlos Yoshimitu Ujiie, vice-presidente da Associação Campo-grandense de Locação de Bens Móveis. Isso porque as empresas gastarão mais com o transporte. “Para levar na CGEA são 8 km de estrada de chão”, explicou.

Embora o trabalho da Resilix seja mais barato, ainda conforme o representante dos caçambeiros, há restrições para fazer o descarte no local.

O dono da empresa confirma. “O resíduo não pode estar contaminado com nada orgânico. Alguns móveis velhos a gente até consegue fazer o processamento da madeira, mas tem gente que aluga a caçamba e descarta bicicleta, lixo doméstico, até animais mortos”.

Educação ambiental – De acordo com Carlos Ujiie, o caçambeiro é apenas o transportador do material, mas acabará fazendo o trabalho de educação ambiental. “Nós temos de explicar para as pessoas que elas tem de fazer contato com um das empresas que recebem o material e contratar. É assim que vai ser, mas com certeza vamos perder clientes”.

“Em São Paulo, Curitiba, Ribeirão Preto é assim. Mas, é preciso educar a população, a prefeitura também de fazer a sua parte, campanhas para explica como proceder e fiscalizar para que as pessoas não optem por jogar entulho pela cidade”, completou o gerente da CGEA, Ivan Garcia de Oliveira.

O secretário de Governo afirma que campanhas publicitárias estão sendo preparadas e que a prefeitura vai exigir da Solurb a instalação de Ecopontos.

SERVIÇO – A CGEA atende pelos telefones 98404-5874 ou 99134-4754. Já a Resilix pelo (67) 3355-1532.

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