Aos 66 anos, Edson recomeça vendendo salgado em Kombi movida pelo sol
Após trabalhar até com chopp em praias, Edson Andrade voltou a Campo Grande para ficar perto dos filhos

Quem passou nesta terça-feira (4) pelo cruzamento da Avenida Gunter Hans com a Rua da Praia, no Bairro Coophavila, encontrou uma Kombi difícil de ignorar. Com o teto aberto, placas solares inclinadas em direção ao sol e uma placa anunciando salgados a R$ 3, o veículo parecia misturar lanchonete, oficina de invenções e casa sobre rodas.
RESUMO
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Edson Andrade, de 66 anos, inaugurou nesta terça-feira um ponto de venda de salgados a R$ 3 em uma Kombi adaptada com energia solar no Bairro Coophavila, em Campo Grande. O veículo conta com placas solares no teto e baterias que alimentam os equipamentos internos, permitindo operar sem acesso à rede elétrica. O comerciante, que já usou o modelo em São Paulo, planeja expandir para mais duas ou três Kombis na cidade.
Dentro dela estava Edson Andrade, de 66 anos, estreando um novo empreendimento. Após viajar pelo Brasil trabalhando como comerciante, ele voltou a Campo Grande para ficar mais perto dos filhos e decidiu apostar novamente em um modelo de negócio que já havia usado em São Paulo: uma Kombi adaptada para funcionar de forma independente.
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“Ela tem energia solar. As placas carregam as baterias e a energia é levada para dentro. Então, eu trabalho com tudo usando energia solar”, explicou.
A eletricidade captada no teto mantém os equipamentos usados para conservar e aquecer os alimentos. Os salgados chegam pré-prontos e são finalizados no próprio veículo. A estrutura também pode ser ligada à rede elétrica convencional, mas a principal vantagem, segundo Edson, é poder trabalhar em locais onde não há tomada disponível.
“Ela também trabalha com energia externa, com energia comum. Você pode ligar, mas ela tem essa independência de trabalhar com energia solar”, afirmou.
O teto flexível permite ajustar a posição das placas conforme a incidência do sol. A adaptação transforma a Kombi em uma pequena unidade comercial autossuficiente, capaz de funcionar em ruas, festas ou outros pontos sem estrutura elétrica.
A ideia não nasceu agora. Edson contou que já teve duas Kombis semelhantes quando trabalhava em São Paulo (SP). A que chegou a Campo Grande ficou alguns anos parada e agora passa por uma reforma para voltar à ativa.
“Eu tinha duas Kombis lá. Trouxe essa para cá há alguns anos e agora estou reformando e fazendo novamente”, disse.
Nesta terça-feira, o comerciante realizou o primeiro dia de vendas no ponto da Avenida Gunter Hans. O plano é começar o atendimento diariamente às 5h30, aproveitando o movimento de trabalhadores, estudantes e moradores da região.
Por enquanto, o cardápio tem salgados vendidos a R$ 3. Nos próximos dias, Edson pretende incluir pastel. Mais adiante, a Kombi também poderá vender sorvete, açaí, frutas e outros alimentos.
“Tem um leque de frutas e outras coisas que dá para trabalhar, porque ela tem vida própria. Essa é a alma. Às vezes, você vai trabalhar em um lugar que não tem energia. Quem vai conseguir trabalhar?”, questionou.
O retorno a Campo Grande também tem motivo familiar. Edson chegou à cidade ainda na década de 1980, teve filhos na Capital e depois voltou a viajar. Passou por Cuiabá (MT), trabalhou em diferentes regiões do País, vendeu chopp na praia e atuou como feirante na Grande São Paulo.
Com os filhos já adultos, decidiu voltar e tentar construir um negócio próximo deles. Uma das filhas já participa do empreendimento.
“Meus filhos trabalham comigo. Minha filha está trabalhando aqui agora e pretendo conversar com os outros para ver se querem também”, contou.
Edson tem quatro filhos e planos que vão além de uma única Kombi. Caso o primeiro ponto funcione, ele pretende colocar outros dois ou três veículos semelhantes nas ruas de Campo Grande.
“Estou retornando para começar e ver se posso colocar mais duas ou três nesse estilo. Creio que será legal”, termina.
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