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Capital

Defesa reforça tese de suicídio e nega culpa de médico após 3ª prisão

Advogado cita mensagens e carta anexadas ao processo e questiona prisão preventiva após audiência de custódia

Por Bruna Marques e Sofia Lupaes | 04/09/2026 10:54
Defesa reforça tese de suicídio e nega culpa de médico após 3ª prisão
Defesa apresenta à imprensa mensagens atribuídas a Fabíola Marcotti e anexadas ao processo para sustentar a tese de suicídio (Foto: Juliano Almeida)

Na saída do Fórum, na manhã desta sexta-feira (4), a defesa do médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, representada pelo advogado José Belga Trad, conversou com a imprensa e voltou a sustentar que Fabíola Marcotti, de 51 anos, não foi assassinada, mas cometeu suicídio. O advogado também classificou a prisão do médico como irregular e disse que vai adotar medidas para tentar reverter a preventiva.

RESUMO

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A defesa do cardiologista João Jazbik Neto, preso por feminicídio pela morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti em Campo Grande, insiste na tese de suicídio e contesta a prisão preventiva. O advogado apresentou mensagens e carta atribuída à vítima como indícios de abalo emocional. A Polícia Civil, porém, descartou o suicídio após perícia apontar golpes na cabeça e trajetória de projétil incompatíveis com a versão da defesa.

Jazbik é réu por feminicídio pela morte da fisioterapeuta, encontrada sem vida em 18 de maio deste ano, na chácara onde o casal morava, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A Polícia Civil concluiu que Fabíola foi assassinada e descartou a versão de suicídio apresentada inicialmente pelo médico.

Nesta sexta-feira, porém, a defesa insistiu na tese contrária e afirmou que existem elementos no processo que indicariam que Fabíola enfrentava um quadro de forte abalo emocional antes da morte.

Defesa reforça tese de suicídio e nega culpa de médico após 3ª prisão
Advogado José Belga Trad conversa com jornalistas após audiência de custódia de João Jazbik Neto, na manhã desta sexta-feira (Foto: Juliano Almeida)

Segundo José Belga Trad, mensagens extraídas do celular da vítima mostram conversas dela com um sobrinho, que teria percebido que a tia estava muito deprimida. De acordo com o advogado, na véspera da morte, o sobrinho chegou a enviar uma mensagem pedindo que ela não atentasse contra a própria vida.

“Tia, pelo amor de Deus, não faça nada contra sua vida”, teria escrito o sobrinho, conforme relato feito pelo defensor à imprensa.

Belga Trad também mostrou uma mensagem atribuída a Fabíola na qual ela falava sobre a intenção de estar com familiares já mortos. Segundo a defesa, uma carta escrita pela fisioterapeuta dois dias antes da morte também reforçaria a hipótese de suicídio.

“Estou indo para meu lugar, ficar com a nossa mãe. Lá vou ficar em paz. Amo todos vocês, minha família. João, eu te amo eternamente, sempre te amei. Dediquei minha vida a você. Eu cuido de você, você cuida de mim”, diz o texto apresentado pelo advogado.

Para a defesa, o conteúdo das mensagens e da carta precisa ser analisado no decorrer do processo e confrontado com as conclusões da investigação.

“Existem elementos nesse processo que demonstram que, lamentavelmente, o que aconteceu no dia 18 de maio de 2026 foi um trágico suicídio”, afirmou Belga Trad.

Defesa reforça tese de suicídio e nega culpa de médico após 3ª prisão
Carta atribuída a Fabíola Marcotti e apresentada pela defesa como um dos elementos usados para contestar a acusação de feminicídio (Foto: Juliano Almeida)

A versão contraria diretamente a conclusão da Polícia Civil. Conforme a investigação, Fabíola sofreu sucessivos golpes na cabeça antes de ser atingida pelo disparo que provocou sua morte. A perícia também apontou que manchas de sangue, lesões e a trajetória do projétil seriam incompatíveis com suicídio.

Jazbik foi denunciado pelo Ministério Público e responde por feminicídio qualificado pelo meio cruel, uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima e emprego de arma de fogo de uso restrito. Ele também é acusado de violência psicológica contra a mulher, posse irregular de armas e fraude processual.

Defesa diz que prisão é irregular - Após a audiência de custódia, José Belga Trad também contestou a nova prisão preventiva do cardiologista. Segundo ele, a medida teria sido determinada com base no resultado das investigações antes que a defesa pudesse confrontar judicialmente as provas.

“Ele foi preso de novo em razão do resultado das investigações. E o Código de Processo Penal veda terminantemente que uma prisão seja decretada como consequência ou avanço das investigações”, declarou.

O advogado afirmou que o médico ainda não teve oportunidade de exercer plenamente a defesa no processo e classificou a preventiva como uma “prisão sem processo”.

Defesa reforça tese de suicídio e nega culpa de médico após 3ª prisão
Médico João Jazbik Neto durante cumprimento de mandado de prisão, em Campo Grande (Foto: Paulo Francis)

“Reafirmamos: é uma prisão sem processo. É uma prisão sem processo. O doutor João tem o direito de se defender do resultado dessas investigações”, disse.

Na audiência de custódia, a prisão foi mantida. Conforme a própria defesa explicou, o juiz responsável pelo procedimento não analisou o mérito da preventiva, mas verificou as condições da prisão e se os direitos do acusado foram respeitados.

A expectativa é que Jazbik seja encaminhado ao Centro de Triagem Anísio Lima. A defesa, no entanto, afirma que existe determinação para que o médico permaneça em prisão especial e pretende questionar eventual permanência dele em local que, na avaliação dos advogados, não cumpra essa condição.

A defesa sustenta que as conclusões da investigação ainda serão contestadas durante o processo. A prisão preventiva não representa condenação, e a responsabilidade criminal do médico será definida no decorrer da ação penal.

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