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Capital

Depois de matar Patrícia, assassino pediu ajuda de irmão para cavar "fossa"

Mulher foi morta pelo próprio irmão na residência onde moravam no Bairro Tiradentes

Por Dayene Paz e Mirian Machado | 28/05/2022 13:00
Lençol de sangue usado pelo assassino para cobrir corpo. (Foto: Kísie Ainoã)
Lençol de sangue usado pelo assassino para cobrir corpo. (Foto: Kísie Ainoã)

Antônio Benites, de 38 anos, apontado como principal suspeito de matar a irmã, Patrícia Benites Servian, de 31 anos, agiu friamente durante as mais de 20 horas em que esteve com o corpo escondido no quintal da residência, no Bairro Tiradentes, em Campo Grande. "Me pediu ajuda para cavar uma fossa, mas não desconfiei", lembrou o irmão, Abel Benites, de 35 anos, que mora na mesma casa onde ocorreu o crime.

Abel cumpre pena e dorme na Casa do Albergado, saindo pela manhã todos os dias. Na manhã desta sexta-feira (27), não foi diferente. Por volta das 8 horas seguiu até a casa dos pais, onde também morava Antônio e Patrícia com os filhos menores, de 3 e 5 anos.

Quando chegou, estranhou que o quintal estava limpo, pois sabia que os irmãos estavam bebendo na noite anterior. Abel também suspeitou o fato da irmã não estar em casa. No entanto, Antônio estava agindo naturalmente.

Latas de cerveja que irmãos estavam tomando e cova feita para enterrar a vítima. (Foto: Kísie Ainoã)
Latas de cerveja que irmãos estavam tomando e cova feita para enterrar a vítima. (Foto: Kísie Ainoã)

Durante a tarde, Abel foi questionado por um vizinho sobre gritos que ouviu vindos da casa. "O vizinho falou que ouviu gritos e perguntou se algo havia acontecido, voltei para casa e questionei o Antônio. Ele disse que a Patrícia estava chamando a mãe, não desconfiei porque quando ela bebe, ela chama a mãe", revelou.

As desconfianças começaram a aumentar aos poucos. "Toda hora que eu andava nos fundos da casa ele me seguia, mas até então era normal. Até vi o tanque, mas não sei o que dava em mim, tinha vontade de olhar e não ia". Abel passou o dia questionando o irmão sobre o paradeiro de Patrícia, até que disse que ela retornaria por volta das 16h. Nesse intervalo, Antônio chegou a pedir a ajuda de Abel para cavar uma fossa. "Eu falei que não precisava, ele ficou cavando lá", lembra Abel.

Abel conversou com a reportagem nesta manhã. (Foto: Kísie Ainoã)
Abel conversou com a reportagem nesta manhã. (Foto: Kísie Ainoã)

A frieza de Antônio também assustou a outra irmã, que conversou com a reportagem, mas preferiu não ter o nome divulgado. "Ele estava ali, tomando café e comendo bolinho", lembra.

A mulher mora perto da casa dos pais e estranhou o sumiço da irmã Patrícia. "Fui lá e perguntei, ele falou que ela tinha ido trabalhar, ai peguei vim embora. Quando deu 12h fui de novo, falou que não tinha vindo ainda. Perguntei se as crianças tinham almoçado, ele respondeu que já e eu vim embora".

Marca de sangue e tanque usado para esconder o corpo da vítima. (Foto: Kísie Ainoã)
Marca de sangue e tanque usado para esconder o corpo da vítima. (Foto: Kísie Ainoã)

Minutos depois, Antônio avisou que Patrícia retornaria às 16 horas. "Veio e falou assim: 'ela acabou de me ligar e falou que quatro e meia está aqui'. Por volta das 17h15 meu guri veio da escola e perguntou se a tia Patrícia já tinha aparecido e eu respondi que não", lembra. Nesse momento, o adolescente comentou que o priminho, filho da Patrícia, falou que o "tio Ninho tinha matado ela".

Naquele momento, a irmã custava a acreditar. "Mas eu chamei minha amiga que mora comigo e fomos lá, fui direto no fundo e ele não deixou a gente tirar o pau. Nós estávamos na angústia o dia inteiro, mas como ele não deixou, pegamos as crianças e saímos".

Ferramentas usadas por Antônio para cavar buraco na intenção de enterrar irmã. (Foto: Kísie Ainoã)
Ferramentas usadas por Antônio para cavar buraco na intenção de enterrar irmã. (Foto: Kísie Ainoã)

Foi nesse momento que a irmã perguntou sobre o que havia ocorrido para o sobrinho de cinco anos. "Eu trouxe meu sobrinho, coloquei no meu colo e falei 'conta pra tia tudindo'. Ele começou a contar falando que a mãe estava morta 'meu tio Ninho matou ela'. Meu sobrinho falou que pegou pelo pescoço, ergueu ela, soltou e caiu no chão", revela.

Diante da situação, a mulher chamou o outro irmão. "Foi a hora que ele chegou, invadiu lá dentro, começou a tirar os paus e aí estava ali enrolada. Ele [Antônio] ficou olhando, quando meu irmão levantou o negócio da pia, ele fugiu", lembra.

Entenda o caso - Patrícia Benites foi asfixiada até a morte pelo próprio irmão Antônio Benites - que saiu recentemente da prisão e usa tornozeleira eletrônica - em sua residência, no cruzamento das ruas Dalva de Oliveira com Francisco da Silva, no Bairro Tiradentes, em Campo Grande. O homem chegou a cavar uma cova no quintal para enterrar a irmã. Familiares também suspeitam que ele tenha estuprado a vítima.

Quintal da casa onde a vítima morava com os pais e o irmão assassino. (Foto: Kísie Ainoã)
Quintal da casa onde a vítima morava com os pais e o irmão assassino. (Foto: Kísie Ainoã)

O corpo de Patricia foi encontrado embaixo de um tanque e de pedaços de madeira, nos fundos do imóvel, a poucos metros da cova. Marcas de sangue ficaram no local e pela manhã o suspeito foi até o trabalho de um familiar buscar a pá usada para cavar o buraco. Na ocasião, ele disse que Patrícia havia "sumido" com os dois filhos, de 3 e 5 anos.

Entretanto, as crianças foram mantidas presas na residência junto do corpo. Ao longo do dia, o suspeito não teria deixado ninguém entrar no imóvel, o que levantou suspeitas dos vizinhos. No começo da noite, contudo, dois familiares forçaram a entrada e encontraram a vítima sob o amontoado de entulho. Eles ainda tentaram agarrar o assassino, mas ele fugiu.

Boletim de ocorrência descreve que Patrícia e Antônio estavam usando drogas antes do irmão cometer o crime. A Polícia Militar, peritos e investigadores da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) estiveram no local e continuam à procura do suspeito. Na fuga, o assassino se desfez da tornozeleira.

Ficha criminal - O homem acumula diversas passagens pela polícia, inclusive, por estupro e chegou a passar cinco anos preso, conforme apurado. O retorno à prisão ocorreu há poucos meses, após ele agredir a companheira. Colocado em liberdade, a previsão era de que ele retirasse a tornozeleira eletrônica no próximo dia 15 de junho.


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