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Capital

Grandes e caros: o desafio de dar destino à “herança” dos prédios dos bancos

Os imóveis no Centro de Campo Grande vão da “cara nova” à porta fechada

Por Aline dos Santos e Gabi Cenciarelli | 06/03/2026 10:47
Grandes e caros: o desafio de dar destino à “herança” dos prédios dos bancos
Prédio do antigo Itaú passa por reforma na Barão do Rio Branco. (Renan Kubota)

Herança do tempo dos bancos no Centro de Campo Grande, quando era preciso grandes agências para comportar o público que diariamente ia em busca de serviços, os imóveis tentam nova sorte, diante da digitalização.

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Os antigos prédios de bancos no Centro de Campo Grande enfrentam desafios de ocupação após a digitalização dos serviços bancários. O edifício do antigo Itaú, na Barão do Rio Branco, passa por revitalização e abrigará auditório, coworking e restaurante, sob gestão do Sistema Comércio. Enquanto isso, as salas no topo da antiga rodoviária, com 2.028,70 m² e estacionamento para 160 veículos, estão à venda por R$ 4,9 milhões. Comerciantes locais esperam que as renovações atraiam mais público ao Centro, que enfrenta esvaziamento e altos custos de aluguel.

Mas enquanto o antigo Itaú, na Barão do Rio Branco, avança na revitalização, salas que já abrigaram banco na antiga rodoviária seguem de portas fechadas.

Na Barão, o projeto é levar auditório, salas de reunião, coworking, restaurante e praça elevada ao prédio de nove andares.

A fachada já exibe as logomarcas do Sistema Comércio, com os nomes da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), Sesc (Serviço Social do Comércio), Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e IPF (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio).

As obras começaram em agosto de 2025, com a previsão de finalização após 18 meses

Grandes e caros: o desafio de dar destino à “herança” dos prédios dos bancos
 A fachada de prédio em obras já exibe as logomarcas do Sistema Comércio. (Foto: Renan Kubota)

No mesmo ritmo, avança a esperança de que o Centro ganhe mais frequentadores.

“Na verdade, é bom sair desse cenário de prédios antigos, obras paradas e ver coisas novas surgindo no Centro. Ali perto tem o antigo Hotel Campo Grande, que já inaugurou e ficou bem bonito. Quando tudo terminar, acredito que vai ficar lindo”, afirma a proprietária do Doce Café, Andréa Teodoro Caramalac, de 54 anos.

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No detalhe, tranalhador em prédio que passa por reforma no Centro. (Foto: Renan Kubota)

A empresária relata que o Centro ainda não conseguiu reverter a sina do esvaziamento. “O Centro caiu bastante, várias lojas estão fechando por falta de movimento. O aluguel aqui é muito caro e não tem redução. Então, esperamos que uma obra desse tamanho traga mais gente e ajude a alavancar o comércio”.

Mas Andréa se mostra confiante que a Barão do Rio Branco terá mais movimento quando o prédio for aberto.

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Andréa espera chegada de mais clientes quando o prédio reabrir as portas. (Foto: Renan Kubota)

“Vai trazer funcionários para trabalhar e mais gente circulando. Quem estiver por aqui pode aproveitar para passar nas lojas, comer alguma coisa. Para quem trabalha com alimentação, como eu, isso ajuda bastante”.

Kauan Oliveira de Mello, promotor de vendas e responsável pelo marketing de uma agência na Barão do Rio Branco, conta que trabalha no Centro há seis anos.

“Quando eu comecei a trabalhar ainda era banco. Depois o prédio ficou um tempo parado e, no fim do ano passado, começou esse projeto novo. Eu trabalho no comércio e acredito que, para todos os comerciantes, vai ser muito positivo, porque aumenta o fluxo de pessoas”.

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Kauan trabalha no Centro de Campo Grande há seis anos. (Foto: Renan Kubota)

André Correia, 30 anos, dono de uma banca de revistas e acessórios avalia que o prédio reformado vai deixar a região mais bonita. “Aqui é bem no coração da cidade, então estamos na expectativa de que abra logo e ajude a valorizar o Centro”.

No topo da antiga rodoviária - Com uma bela vista para Campo Grande, salas, que somam 2.028,70 m² (metros quadrados) no topo do prédio da antiga rodoviária, o Condomínio Terminal Oeste, seguem ociosas.. O imóvel é comercializado junto com estacionamento para 160 veículos, no subsolo do prédio. O valor de ambos é de R$ 4,9 milhões.

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Sala no topo da antiga rodoviária qiue já foi agência bancária. (Foto: Henrique Kawaminami)

“É um espaço muito grande, tem dois pisos. Poderia ser feito um restaurante, popular ou de alto padrão, considerando que ali a vista é linda. Também pode ser uma escola. É um lugar amplo e a pessoa que comprar o andar de cima, compra o estacionamento”, afirma a corretora Ana Beatriz Maiolino Volpe.

Ela acredita que os investimentos no Centro, tanto da Prefeitura de Campo Grande quanto da iniciativa privada, possam dar novas perspectivas à antiga rodoviária, cujo entorno é marcado por insegurança e muitos dependentes químicos, que consomem drogas pelas calçadas.

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Cofre em meio a corredor durante reforma da antiga rodoviária. (Foto: Henrique Kawaminami)

“Vai ser uma região muito próspera. A reforma da antiga rodoviária está indo de vento em popa. A reforma está sendo rápida e ficando muito bonita, diz Ana Beatriz.

Parte do centro comercial está em obras, num projeto de R$ 50 milhões, liderado pelo Ecossistema Dakíla, grupo fundado por Urandir Fernandes de Oliveira, o mesmo que ficou famoso pela criação da cidade esotérica de Zigurats e pela figura do ET Bilu. A parte do prédio que pertence à Prefeitura de Campo Grande é reformada desde 2022.

A herança - “Nós temos inúmeros prédios que antes eram bancos. A pandemia trouxe modificação significativa no sistema bancarizado. Hoje, o banco está na nossa palma da mão, não tem mais aquela necessidade da agência grande. Aquela volumetria enorme de funcionários e tudo mais. Então, temos esse monte de espaços que estão ociosos”, afirma o presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), Adelaido Figueiredo.

 Ele avalia que os grandes imóveis são boas opções para projetos habitacionais ou órgãos do poder público. “É uma das propostas. Mas tem inúmeros espaços hoje grandiosos que precisavam ser ocupados. Você veja a ocupação que esses órgãos públicos têm feito em bairros como Chácara Cachoeira, Cidade Jardim, áreas nobres. Eles poderiam, ao invés de fazer esse investimento lá, trazer para o Centro, trazer um novo público”.

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