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Capital

Levantamento aponta que campo-grandense perde 44 dias por ano no ônibus

Pesquisa ouviu 280 trabalhadores e a maioria passa 4 horas por dia no transporte público

Por Ketlen Gomes e Kamila Alcântara | 11/05/2026 17:34
Levantamento aponta que campo-grandense perde 44 dias por ano no ônibus
Trabalhadores esperando ônibus em ponto na Avenida Afonso Pena. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Uma pesquisa realizada pela CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) Campo Grande e pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) Brasil aponta que os usuários do transporte coletivo na Capital passam cerca de 44 dias inteiros por ano dentro do ônibus. Segundo o estudo, 63% dos entrevistados passam, em média, quatro horas por dia no deslocamento entre casa e trabalho, considerando espera, trajeto e integração.

RESUMO

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Pesquisa da CDL Campo Grande e SPC Brasil revela que usuários do transporte coletivo passam cerca de 44 dias por ano dentro de ônibus. O estudo, feito com 280 trabalhadores entre 27 e 30 de abril de 2026, aponta que 63% despendem quatro horas diárias no deslocamento. Entre os problemas, 70% culpam o estado precário das vias, e a maioria critica a falta de estrutura nos pontos e a oferta insuficiente de ônibus após as 21h.

O levantamento foi feito entre 27 e 30 de abril de 2026, com 280 trabalhadores e consumidores das sete regiões urbanas de Campo Grande, para avaliar o impacto do transporte coletivo na rotina diária, produtividade e qualidade de vida dos usuários.

O diagnóstico também revela casos mais críticos, em que parte dos usuários chega a gastar entre cinco e seis horas diárias no sistema, enquanto uma parcela menor relata trajetos de até duas horas por dia.

Para o presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, o cenário afeta diretamente o comércio e a qualidade de vida dos trabalhadores. Ele afirma que muitos chegam ao trabalho já desgastados pelo tempo gasto no deslocamento e, ao final do dia, enfrentam novamente longas viagens de retorno.

O levantamento aponta ainda que, para a maioria dos entrevistados, a infraestrutura urbana é um dos principais fatores de atraso e desconforto. 70% atribui os problemas ao estado precário das vias, que provoca quebras nos veículos e dificulta o cumprimento de horários. Outro ponto destacado é a falta de estrutura nos pontos de ônibus, que em grande parte não oferecem cobertura, assentos ou iluminação.

A pesquisa também chama atenção para o período noturno. Segundo os dados, a oferta de transporte após as 21h é considerada crítica ou inexistente pela maioria dos entrevistados, o que gera longas esperas ou leva parte dos usuários a depender de transporte particular.

Além disso, o estudo mostra que os corredores de ônibus e terminais de integração ainda são avaliados como insuficientes pela maior parte dos entrevistados, que apontam problemas estruturais e falhas na integração do sistema.

Dureza no dia a dia

Duas horas para ir, mais duas para voltar. Em Campo Grande, a rotina de quem depende do transporte coletivo continua sendo marcada por atrasos, ônibus lotados, perda de conexões e desgaste antes mesmo do expediente começar. Para muitos trabalhadores, o tempo gasto no deslocamento já virou critério decisivo na hora de aceitar ou recusar uma vaga de emprego.

A auxiliar administrativa Suellen Amorim, de 22 anos, mora na Mata do Jacinto e trabalha em uma padaria na Avenida Mato Grosso. Ela conta que, durante a semana, o trajeto costuma ser mais rápido, mas aos fins de semana a situação piora. “Às vezes o ônibus do meu bairro nem passa e eu preciso acompanhar pelo aplicativo ou pelo Google. Quando isso acontece, tenho que andar algumas quadras para pegar outra linha, o 72, que costuma passar mais rápido”, relata.

Mesmo trabalhando relativamente perto de casa, Suellen afirma que passa cerca de uma hora para ir e outra para voltar do serviço. O impacto, segundo ela, vai além do cansaço físico. “A pessoa já chega cansada no trabalho. Passar muito tempo no ônibus é estressante, os ônibus atrasam, às vezes vêm lotados, principalmente nos horários de pico”, afirma.

Ela diz que o deslocamento pesa diretamente nas escolhas profissionais. “Sempre procuro empregos mais próximos da minha casa. Quando vou procurar trabalho, já penso nisso antes”, explica. Ainda assim, reconhece que nem todos têm a mesma possibilidade. “Dependendo da necessidade, a pessoa aceita qualquer oportunidade.”

Suellen também conhece situações ainda mais extremas. “Tem gente que mora longe, como na Mata do Jacinto, e trabalha em regiões como a Moreninha. Essas pessoas precisam acordar até duas horas antes para conseguir chegar no horário.”

No ponto de ônibus em frente ao Comper Ceará, a auxiliar odontológica Sandra Camilo, de 46 anos, aguardava mais uma conexão para conseguir voltar para casa. Moradora da região da Enseada dos Pássaros, ela descreve uma rotina puxada para conseguir chegar ao trabalho.

“Eu saio de casa às 4h30 e chego no serviço por volta das 6h ou 6h05. Quando o ônibus atrasa, chego ainda mais tarde”, conta. Na volta, o problema se repete. Segundo Sandra, o trajeto também leva cerca de duas horas e depende de horários apertados entre uma linha e outra.

“Se eu não pegar o ônibus que passa antes das 18h, eu perco a conexão. Aí chego no terminal depois das 19h e preciso esperar até 19h15 ou até 19h40 pelo próximo ônibus”, relata. Nesta segunda-feira (11), ela já sabia que enfrentaria mais demora. “Como saí às 18h05, perdi o ônibus que conseguiria pegar se tivesse saído mais cedo.”

Para Sandra, a situação deveria ser prioridade na cidade. “É muito cansativo para quem depende do transporte público”, resume.