Moradores da Vila Carvalho reforçam grades e cercas para conviver com furtos
Comunidade tradicional adapta rotina com mais medidas de segurança enquanto valoriza a localização do bairro
Grades reforçadas, cercas elétricas e concertinas passaram a fazer parte do cenário da Vila Carvalho, bairro tradicional de Campo Grande, onde moradores adaptam a rotina para lidar com furtos frequentes de fios de cobre. Uma das estratégias mais comuns tem sido cercar o relógio de energia elétrica com grades de ferro. Mesmo com a preocupação crescente, o sentimento predominante entre quem vive ali é de apego ao lugar, conhecido pelas ruas largas, tranquilas e arborizadas, além da proximidade com o Centro e serviços essenciais.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Moradores da Vila Carvalho, tradicional bairro de Campo Grande, reforçam a segurança com grades e fiação elétrica para combater furtos recorrentes de fios de cobre. Os crimes, frequentes em residências, comércios e até na escola de samba local, geram prejuízos financeiros e sensação de insegurança. Apesar dos incidentes e da presença de imóveis abandonados, os residentes optam por permanecer na região devido à localização privilegiada, infraestrutura completa e proximidade ao centro.
A vila está localizada em uma região valorizada, próxima ao Horto Florestal, ao Mercadão Municipal e às áreas comerciais. Sendo um dos bairros mais tradicionais da Capital, também é reconhecida pela forte identidade cultural, marcada pela escola de samba Unidos da Vila Carvalho, fundada em 1969.
- Leia Também
- "Garganta", homem com 137 passagens é preso por série de furtos
- Furto de fios de cobre deixa universidade sem luz e cancela aulas
Os relatos de furtos, principalmente durante a madrugada, são comuns. Morador há cinco anos, Fábio Horta das Neves reforçou a segurança da casa após invasões. “Eu coloquei essa cerca concertina porque pularam aqui e tive que melhorar e coloquei a elétrica também”, contou, ao mostrar que o relógio de energia foi cercado com grade de ferro. Ao lado da residência, um imóvel abandonado virou foco de preocupação.
Segundo Fábio, o local passou a ser usado para queimar lixo e desencapar fios. “Andei brigando para parar com o fogo. Mostrei que é crime ambiental. A região é boa, só não compram esse terreno por causa de um problema de partilha de bens entre os herdeiros”, afirmou o morador, que não pensa em mudar da residência por conta das facilidades de morar na região central da cidade.
O comerciante Célio Roberto Echeverria, que atua há mais de 20 anos na região, também foi vítima. Ao chegar ao estabelecimento, encontrou o local sem energia. “Minha vizinha disse que ouviu um barulho à noite. Quando olhei, tinha uma mancha preta, acho que deu explosão quando cortaram o cabo”, relatou. Ele diz que evita se ausentar por longos períodos. “Aqui é o caminho deles, que passam rumo ao (bairro) Nhá-Nhá. Passam com saco nas costas. A gente evita até encarar para não arrumar confusão.”
Célio contou que, depois do ocorrido, a empresa de energia foi até o local e substituiu o material dos fios por outro que não é atrativo para os ladrões. Uma casa de aluguel do comerciante também foi alvo ao levarem o portão de ferro. Para evitar novos problemas, ele trocou por madeirite o material dos portões das duas casas que aluga.
Morador desde 1996, o aposentado Edson Vicente Rocha calcula prejuízo próximo de R$ 2 mil com reposição de fiação e reforço da segurança do relógio de energia. “Tive que comprar tudo de novo, pagar eletricista, pedreiro. Depois que coloquei grade de ferro, ninguém mexeu mais”, disse. Segundo ele, a circulação de pessoas suspeitas aumentou nos últimos anos, embora o principal alvo continue sendo a fiação elétrica. “Para conviver, tem que se proteger.”
Nem a escola de samba Unidos da Vila Carvalho escapou da ação dos ladrões. Wlauer Carvalho, representante da escola, afirma que a quadra já sofreu quatro furtos de fios nos últimos dois anos. “Cada vez foi quase mil reais. Já perdemos cerca de R$ 4 mil”, afirmou. Ele observa aumento na circulação de andarilhos. “Eles passam por aqui porque é corredor para outros bairros. Isso começou de uns dois anos para cá, depois da retirada deles da antiga rodoviária.”
Entre os novos comerciantes, o empresário Christian Canale relata tentativa de arrombamento logo no primeiro mês após abrir uma loja de móveis planejados. “Quebraram uma tranca, mas tinha três. Trocamos a fechadura. Se entrassem, o prejuízo seria grande por causa das máquinas”, disse. Ele atribui o problema à falta de iluminação e à presença de imóveis abandonados em algumas ruas.
Apesar da insegurança, os moradores destacam as qualidades do bairro: comércio próximo, acesso fácil ao Centro, ruas tranquilas e convivência entre vizinhos. “É uma região boa, perto de tudo”, resume Fábio. Ao serem questionados sobre o alto volume de casas com placas de vende-se e aluga-se, tanto Célio quanto Edson afirmam que são imóveis de moradores antigos, colocados à venda pelos herdeiros. “Eles moram em outros bairros e não querem vir para cá”, afirma Célio. “Aqui é tranquilo, tem tudo perto: shopping, mercadão, posto de saúde”, conclui Edson.
Confira a galeria de imagens:
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.


























