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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

17/01/2015 15:16

Moradores de favela sofrem com o dilema de mudar ou não de endereço

Michel Faustino
Impasse continua e transferência de moradores da Cidade de Deus ainda não tem data para acontecer. (Foto: Marcos Ermínio)Impasse continua e transferência de moradores da Cidade de Deus ainda não tem data para acontecer. (Foto: Marcos Ermínio)
Mariana diz que está com mudança pronta aguardando fim do impasse. (Foto: Marcos Ermínio)Mariana diz que está com mudança pronta aguardando fim do impasse. (Foto: Marcos Ermínio)
José Carlos diz que falta informações sobre transferência. (Foto: Marcos Ermínio)José Carlos diz que falta informações sobre transferência. (Foto: Marcos Ermínio)
Moradora há seis anos na favela diz que não irá sair. (Foto: Marcos Ermínio)Moradora há seis anos na favela diz que não irá sair. (Foto: Marcos Ermínio)

Os moradores da favela Cidade de Deus, localizada nas imediações do lixão, no bairro Dom Antônio Barbosa, saída para Sidrolândia, estão vivendo um verdadeiro dilema. Diante do impasse quanto a transferência para uma nova área, localizada no bairro Jardim Noroeste, há quem defenda a permanência no local até que a situação seja resolvida e há aqueles que exigem a mudança imediata.

Segundo a líder comunitária, Mariana Gonçalves, 22 anos, a favela está divida. Há aqueles que aceitaram a transferência, como também há aqueles que não querem deixar o local “de jeito nenhum”. Segundo ela, a situação ficou mais evidente pelo impasse em relação a transferência que estava prevista para acontecer na quinta-feira (15), no entanto, foi adiada.

“Aqui tinha um monte de gente com às coisas prontas para sair, e ai ficamos sabendo que não iriamos mais sair, pelo menos por agora. Eu por exemplo já estou com minhas coisas prontas e não vou me opor a sair daqui, mas tem muita gente que está batendo o pé. Hoje a favela está dividida. Tem gente impaciente querendo ir logo e tem gente que não quer”, disse.

José Carlos Xavier, 53 anos, é um dos que defendem a permanência no local, mas diz, que também não irá se opor caso haja uma determinação definitiva para que eles deixem a favela. José Carlos alega que todos os moradores estão angustiados, em decorrência da falta de informação sobre a situação deles.

“Todo dia tem uma coisa nova. Não sabemos mais de nada. Um dia chegam aqui e falam que vamos sair, outro dia falam para ficar. Eu penso que já que tem alguma coisa travando que deixe aqui logo até resolverem e até mesmo arrumarem uma casinha para nós. Porque lá vamos ter que morar em barraco também e barraco por barraco preferimos ficar aqui. Mas, agora se pedirem para sair vamos sair, fazer o que?”, comentou.

Morando há seis anos na favela, Mariluce Magalhães afirma que não irá sair do local. Segundo ela, a nova área destinada aos moradores não oferecem condições para que eles possam viver. Até mesmo porque, segundo ela, o local não tem estrutura para receber às cerca de 200 famílias que seriam transferidas para lá.

“Eu não vou sair daqui. Pode vir polícia o que for. Daqui eu não saio. Até porque querem nos colocar em um lugar que não tem condições de a gente ficar. Querem que nós troquemos uma favela por outra e não é isso que queremos. Não queremos sair daqui onde a gente trabalha e os nossos filhos estudam para ir para outro lugar que não tem nem escola para eles”, disse.

Impasse - No dia 30 de dezembro do ano passado, o aposentado Arthur Altounian obteve na Justiça a reintegração de posse da área. No entanto, no dia 07, a prefeitura desapropriou o terreno que mede 4,8 mil metros quadrados. O decreto foi publicado na segunda-feira (12).

Prevista para acontecer na quinta-feira, a mudança das 240 famílias foi adiada à espera de reforço policial. Nesta sexta-feira, o prefeito afirmou que a estrutura está pronta para os novos moradores.



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