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Capital

MPE apura se réu por morte de Brunão burlou proibição de beber

Acusado do assassinato em 2011, o agora confeiteiro teria sido flagrado em restaurante por amigos da vítima: imagem será investigada por promotoria e advogado da família

Por Rafael Ribeiro | 26/06/2017 13:08
Foto tirada por amigos de segurança mostram acusado em restaurante, com cerveja à mostra (Foto: Direto das Ruas)
Foto tirada por amigos de segurança mostram acusado em restaurante, com cerveja à mostra (Foto: Direto das Ruas)

Amigos do segurança da casa noturna Valley Pub, Jeferson Bruno Escobar, o Brunão, de 23 anos, denunciam o acusado pelo seu assassinato, ocorrido em 2011, de desrespeitar normas impostas pela Justiça para que tenha validade o habeas corpus que assegura o direito de responder o processo em liberdade.

O confeiteiro Christiano Luna de Almeida, também de 29, teria sido flagrado bebendo cerveja em um restaurante do Shopping Campo Grande neste final de semana. A imagem será enviada ao Ministério Público e o assistente de acusação e advogado da família, Rodrigo Martins Alcântara, prometem tomar medidas cabíveis para que o acusado perca o direito obtido nos tribunais.

No despacho do desembargador Manoel Mendes Carli, Almeida tem que cumprir uma série de normas para manter seus habeas corpus, tais como estar em sua casa até às 22h, não freqüentar locais como casas noturnas e, claro, consumir bebidas alcoólicas.


“A gente contesta essa acusação (de estar bebendo)”, assegurou o advogado de Almeida, José Belga Assis Trad, ao Campo Grande News.

Segundo o defensor, a norma da Justiça não impede o cliente de freqüentar restaurantes. “Ele não estava bebendo, mas sim acompanhado de duas amigas. O que acontece é que uma delas ainda não tinha chegado, a bebida foi servida e ele foi reconhecido”, disse Trad. “Foi ela (amiga), inclusive, quem marcou a reserva no local.”

A imagem, divulgada através da internet, teria sido feita por amigos de Brunão. Trad confirmou que a presença de seu cliente no local gerou um entrave com Almeida sendo xingado de assassino e seguranças sendo obrigados a agir.


“Com essa informação vamos atrás, investigar e cobrar um posicionamento dos magistrados”, prometeu o advogado Alcântara.


A reportagem procurou o promotor responsável pelo caso, Douglas Oldegardo Cavalheiro dos Santos, por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, mas não obteve resposta até a conclusão desta apuração.

O caso – Brunão morreu em 19 de março de 2011. Na ocasião, ele virou alvo de Almeida ao tentar retirá-lo de dentro da casa noturna após uma briga generalizada. Acabou linchado pelo acusado, bacharel em direito e praticante de artes marciais, do lado de fora do local.

O julgamento do hoje confeiteiro aconteceria em dezembro do ano seguinte, mas o assistente de acusação foi ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) adiar o júri pedindo que a condenação inclua as duas qualificadoras do indiciamento por homicídio retirados pela defesa: motivo fútil e falta de chance de defesa da vítima.


Desde então é esperada uma resposta do recurso que corre em Brasdília para que haja o tribunal do júri. Caso o recurso da acusação seja negado, Almeida seria julgado por assassinato simples, pegando até 20 anos de prisão e benefícios por ser réu primário. Com as qualificadoras se enquadraria em crime hediondo.


“Não se pode dizer que ele tinha a intenção de matar”, ponderou o advogado Trad.


“Estamos otimistas para termos uma resposta positiva ainda neste ano e retornarmos para que aconteça o júri”, apontou o assistente de acusação Alcântara.


À espera de uma decisão, Almeira desistiu do sonho do direito para virar confeiteiro especialista em bolos, começar a freqüentar a igreja e participar de atividades beneficentes, como a produção de bolo de casamento do dia de Santo Antônio.

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