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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

08/05/2018 13:38

Na vizinhança de local de assassinato, insegurança é cotidiana

Sede de uma companhia de teatro foi furtada pela sexta vez, no início da manhã de ontem (7), momentos antes da tentativa de assalto que acabou em morte

Guilherme Henri, Liniker Ribeiro e Mirian Machado
Bandido foi flagrado invadindo companhia de teatro (Foto: Marina Pacheco)Bandido foi flagrado invadindo companhia de teatro (Foto: Marina Pacheco)

A tentativa de assalto que terminou na morte do auxiliar de pedreiro Antônio Marcos Rodrigues de Souza, 34 anos, evidenciou um antigo problema enfrentado pelos moradores da Esplanada Ferroviária, ou o “antigo Centro”: a violência.

Pelos relatos de quem mora ou trabalha na região, roubos e furtos dividem espaço com inúmeros moradores de rua e usuários de drogas que fazem da Orla Ferroviária moradia.

Prova disso, é que minutos antes do assassinato, por exemplo, a companhia de teatro onde Vitor Samudio trabalha foi furtada pela sexta vez, só este ano. O diretor do espaço explicou ao Campo Grande News que, desta vez, o equipamento fotográfico foi levado, o que é um alto prejuízo para a companhia, devido ao valor da câmera.

“A ocupação de rua aumentou demais por aqui e ninguém sabe o que fazer. Está bem complicado. Só este ano fomos furtados seis vezes, fora o caso que registramos no final do ano passado”, afirmou Vitor. Além disso, segundo ele, a segurança pública na região deixa a desejar, o que torna tudo mais difícil.

Aposentado Nenio Roas mora há 30 anos na região (Foto: Marina Pacheco)Aposentado Nenio Roas mora há 30 anos na região (Foto: Marina Pacheco)
Thiago Martins, 34 anos, teve a casa invadida há dois meses (Foto: Marina Pacheco)Thiago Martins, 34 anos, teve a casa invadida há dois meses (Foto: Marina Pacheco)

“Infelizmente estamos presenciando essa situação e observando que as medidas de segurança pública não estão sendo tomadas. Fora que temos relatos de tudo, desde furtos até casos que comprovam a miséria que o pessoal vive por aqui, onde entraram e mexeram apenas na geladeira.

De qualquer jeito, a sensação hoje é de completa insegurança”, revela o diretor de teatro.

Problema antigo - Quem mora na região há aproximadamente três décadas, confirma que a violência aumentou há pelo menos cinco anos. “A situação ficou assim depois que fizeram a Orla Ferroviária. Essa região pode até ser considerada a “cracolândia” da cidade, porque o número de usuários impressiona. Em um único dia eu contei 19 pessoas aglomeradas”, relatou o analista de sistemas, Thiago Martins, 34 anos, que teve a casa invadida há dois meses.

Comandante Claudemir de Melo Domingos Braz (Foto: Marina Pacheco)Comandante Claudemir de Melo Domingos Braz (Foto: Marina Pacheco)

Para o aposentado Nenio Roas, morador há 30 anos na região, o abandono da Orla e falta de policialmente favorecem a onda de furtos e roubos. “Aqui não passa polícia, não vejo viaturas fazendo rondas e quando a gente aciona, eles demoram a chegar. Estamos encurralados”, desabafou.

Além disso, nem mesmo aqueles que investem em segurança escapam da ação dos criminosos. “Os moradores precisam ficar se defendendo, reforçando a segurança em casa, no comércio, porque eles não respeitam nem mesmo a luz do dia. Aqui nós temos câmeras, alarme e até lanças eu instalei, mas a sensação de insegurança continua”, afirma o aposentado.

Carta – Ainda sobre a morte do auxiliar de pedreiro, por meio de carta aberta, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas, Adelaido Vila e o presidente do Conselho Comunitário de Segurança da região Central, Eliezer Melo Carvalho, acreditam que a violência presenciada “contrasta com a inércia da Justiça ao não deixar na cadeia bandidos presos uma, duas, oito, dez vezes”.

Para os representantes, é a banalização dos crimes que precisa ser combatida. “Não pode um homem ser preso sete vezes e ainda voltar às ruas, ficando livre para cometer novos crimes, para assassinar um trabalhador, que num impulso, foi defender uma mulher, também inocente, de um roubo”.

Antônio Marcos Rodrigues de Souza foi morto ao tentar defender uma vítima de roubo (Foto: Saul Schramm)Antônio Marcos Rodrigues de Souza foi morto ao tentar defender uma vítima de roubo (Foto: Saul Schramm)

Policiamento – O comandante do 1º BPM (Batalhão de Polícia Militar), Claudemir de Melo Domingos Braz, explica que os militares “não podem agir na região se não há crime”. “Recebemos chamados sobre a questão de usuários. No entanto, se eles estão no local sem cometer algum delito não podemos impedir o passeio público”, esclarece.

Além disso, o comandante explica que os moradores não sentem a presença da polícia, pois muitas equipes permanecem na região a paisana. “Estou no comando da unidade há três semanas e a estratégia que temos implantado tem dado muito certo. Por exemplo, conseguimos diminuir a prostituição na região e também elevamos o cadastramento de imigrantes. Porém, a questão dos usuários vai muito da escolha, pois mesmo com um trabalho de orientação eles preferem não deixar as ruas”, diz.



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