Pioneira da PM feminina, subtenente assassinada construiu carreira desde 1988
Marlene, da 3ª turma da corporação, morreu fardada; namorado é suspeito e foi preso
A subtenente da PM (Polícia Militar), Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, foi morta a tiros enquanto estava fardada, no horário de almoço, dentro de casa, nesta segunda-feira (6), em Campo Grande. Pioneira na corporação, ela integrou uma das primeiras turmas femininas da PM em Mato Grosso do Sul.
RESUMO
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Marlene ingressou na Polícia Militar no dia 1º de setembro de 1988, fazendo parte da 3ª turma feminina do Estado, em um período em que a presença de mulheres na instituição ainda era limitada. Durante a trajetória, ela fez parte da CIPMFlo (Companhia Independente de Polícia Militar Florestal), hoje conhecida como Polícia Militar Ambiental , onde tem registros em serviço.
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Ao longo de décadas de serviço, construiu carreira sólida na corporação. Após se aposentar, voltou à ativa por designação, mantendo o vínculo com a atividade policial.
Colegas que trabalharam com ela destacam o pioneirismo e a dedicação. A policial militar Erli Varoni, que atuou ao lado de Marlene desde o início da carreira, relembrou a convivência.
“Eu a conheço desde quando ela ingressou na PM. Trabalhamos juntas na Polícia Militar Ambiental, na época Companhia Independente de Polícia Militar Florestal, sendo das primeiras mulheres a servir naquela unidade, em 1994”, contou.
Segundo ela, a parceria se estendeu por anos. “A Marlene era uma pessoa radiante, por onde passava, espalhava alegria, uma excelente profissional, sempre muito prestativa,” disse.
A colega também destacou o lado pessoal da subtenente. “Era uma mãe forte e guerreira, uma pessoa iluminada”, afirmou.
Erli lembrou ainda que as duas estiveram juntas recentemente. “Há menos de um mês fomos homenageadas em um evento da PMMS. E hoje estamos nos despedindo dela de uma maneira tão trágica”, completou.
A trajetória é lembrada por amigas como marcada por força e independência. A amiga Maria de Fátima Lopes, que conhecia Marlene há mais de 30 anos, conta que recebeu a notícia com incredulidade. “Meu filho me mandou mensagem e eu não acreditei. Quando eu vi que era ela, não dá pra acreditar. Não tenho palavras”, disse.
Segundo ela, a subtenente levava uma vida discreta e sempre foi batalhadora. “Ela criou os filhos sozinha, lutou muito. Era uma pessoa tranquila, calma, muito alegre, extrovertida, nunca teve problema com ninguém”, afirmou.
A relação com o atual companheiro, no entanto, não era de conhecimento de pessoas próximas. “Eu nem sabia que ela estava casada. Quando vi a reportagem, me assustei e fui ver se era ela mesmo”, contou.
A última vez que as duas se encontraram foi após Marlene retornar ao trabalho. “Ela falou que não queria ficar parada, que ficar em casa era muito cansativo. Disse que era bom voltar a trabalhar, se ocupar”, relembra.
O caso segue em investigação para esclarecer as circunstâncias da morte.
Se o crime for confirmado como feminicídio, este será o primeiro registro em Campo Grande e o nono em Mato Grosso do Sul neste ano.
O crime - Marlene foi encontrada morta com um ferimento causado por disparo de arma de fogo no pescoço, dentro da casa onde morava, no Conjunto Habitacional Estrela d’Alva I.
No local, conforme apurado pela reportagem, o namorado, Gilberto Jarson, apresentou versões contraditórias sobre o ocorrido. Inicialmente, afirmou que a subtenente teria tentado tirar a própria vida com um revólver da corporação e que, ao tentar impedir, segurou a mão dela no momento do disparo.
A versão, no entanto, entrou em contradição com outros relatos e com mudanças no próprio depoimento. Testemunhas indicam que ele foi encontrado com a arma em mãos, enquanto em outro momento alegou que o revólver estava no chão.
Diante das inconsistências, Gilberto foi preso e encaminhado à delegacia. Ele possui antecedentes por roubo, homicídio e violência doméstica.
A delegada adjunta da DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Analu Ferraz, informou que não havia registros anteriores de violência envolvendo o casal. No entanto, segundo ela, os elementos colhidos até o momento são suficientes para que o caso seja investigado como suspeita de feminicídio, com o homem sendo ouvido nessa condição.
O caso segue em investigação para esclarecer as circunstâncias da morte. Se o crime for confirmado como feminicídio, este será o primeiro registro em Campo Grande e o nono em Mato Grosso do Sul neste ano.
A Central 180 funciona 24 horas, de graça, e a ligação pode ser anônima. Em caso de emergência, procure a polícia pelo 190. Violência contra mulheres, crianças, idosos ou qualquer pessoa não pode ser silenciada.
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