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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

21/07/2016 16:47

Polêmica, taxa paga sistema em que poste consome igual uma casa

Aline dos Santos
Figura clássica na cidade, postes com luminárias em formato de estrela têm eficiência colocada em xeque por novas tecnologias (Foto: Alcides Neto)Figura clássica na cidade, postes com luminárias em formato de estrela têm eficiência colocada em xeque por novas tecnologias (Foto: Alcides Neto)

Com previsão de ter a cobrança suspensa a partir de segunda-feira (dia 25) em Campo Grande, a Cosip (Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública) paga um sistema obsoleto, deficiente e em que um poste com luminária em formato de estrela consome por mês o equivalente a um imóvel de alto padrão.

A análise parte de um especialista ouvido pela reportagem. Com formação em engenharia elétrica e 30 anos de experiência no sistema de iluminação da Capital, ele alerta de que a baixa eficiência energética, falta de manutenção e de planejamento rondas as 150 mil luminárias da cidade.

Conforme o engenheiro, o ideal é que a eficiência energética de uma luminária chegue a 60%. Porém, as luminárias em formato de estrela, por exemplo, marca da gestão do ex-governador Pedro Pedrossian, eram solução para iluminação na década de 90.

“As estrelas têm eficiência de 11%. Perdendo quase 70% da energia que você deveria traduzir em luz. Você só utiliza 30%. São luminárias antigas, com mais de 30 anos. A luminária de estrela é o modelo mais crítico da cidade”, avalia o especialista.

Segundo ele, cada uma das cinco pontas tem uma lâmpada de 400 watts de vapor de sódio. Num cálculo em que entra dados como a energia para o reator, 12 horas de funcionamento diário, o resultado é consumo por mês de 792 kWh (quilowatts hora). Uma casa de alto padrão consome, por exemplo, 700 kWh por mês. “Um poste consome isso. Custa caro e não é eficiente”, afirma. A média nas residências é de 150 kWh por mês.

Detalhe da cúpula em formato de estrela: segundo especialista, luminária tem 11% de eficiência e gasta como uma casa de alto padrão (Foto: Alcides Neto)Detalhe da cúpula em formato de estrela: segundo especialista, luminária tem 11% de eficiência e gasta como uma casa de alto padrão (Foto: Alcides Neto)

Já as lâmpadas de led não chegaram às ruas da Capital. Apesar de uma luminária com led custar entre R$ 1.300 e R$ 1.500, a lâmpada tem 25 mil horas de vida útil. Enquanto o modelo de valor de sódio tem cinco mil horas. A luminária tradicional custa R$ 400.

O led poderia ser utilizado nas avenidas. “Traz conforto para quem dirige, segurança para as proximidades de escolas, praças”, salienta o engenheiro.

Nos bairros, ele analisa que poderia ser mantida a lâmpada tradicional, mas com luminárias que assegurem a eficiência energética de 60%. A estrutura para a lâmpada deve ter boa chapa refletiva e isolamento para evitar passagem de poeira e insetos, que se acumulam no vidro e tornam a luz opaca.

Além da qualidade da luminária, a altura do poste também interfere no alcance da iluminação. Nas ruas, a altura máxima é de 7m30, limite para não chegar à rede de alta tensão. Nas avenidas, são liberados postes maiores, como no canteiro da avenida Afonso Pena, com postes de 20 metros, e na avenida Gury Marques, com as luminárias de estrelas a 17 metros do chão.

Conforme o especialista, a arrecadação da Cosip deveria ser usada para dar manutenção à rede de iluminação pública e também para modernização. Invertendo esse cenário em que se “consome muito e ilumina pouco”.

Num prazo de quatro anos, a estimativa é de que investimento em maior eficiência das lâmpadas reduzisse o consumo e a conta, que todos pagam com o desconto na fatura de energia elétrica, possa ter redução. “Com os recursos arrecadados e o saldo atual de caixa de mais de R$ 60 milhões, o município conseguiria substituir de imediato 35% das luminárias e em quatro anos trocaria a iluminação de toda a cidade”, pondera.

Ele sugere que a Cosip seja cobrada conforme a metragem de fachada do imóvel, informação que pode ser obtida por meio do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Atualmente, a cobrança exclui terrenos e imóveis desocupados.

Postes na Afonso Pena, com 20 metros de altura; taxa de iluminação pública pode ser suspensa por seis meses (Foto: Alcides Neto)Postes na Afonso Pena, com 20 metros de altura; taxa de iluminação pública pode ser suspensa por seis meses (Foto: Alcides Neto)

Seis meses sem ela – O vereador Edil Albuquerque (PTB) afirma que deve ser promulgada nesta sexta-feira (22) a lei suspendendo a cobrança da Cosip por seis meses. A proposta foi vetada pelo prefeito Alcides Bernal (PP). Porém, os vereadores derrubaram o veto. A previsão de Edil é de que a taxa deixe ser cobrada a partir de segunda-feira.

O vereador conta que fez cálculos e identificou que a prefeitura tinha R$ 53 milhões em caixa até 16 de maio de 2016. “Cheguei a esse número pelo conhecimento que tenho e fazendo contas. Fui sete vezes secretário do município”, explica.

A estimativa é arrecadação de R$ 6 milhões por mês. Do montante, a concessionária de energia cobra R$ 3 milhões pela iluminação pública. A outra metade vai para o cofre público. Segundo o vereador, uma projeção é que seja gasto R$ 1,5 milhão com manutenção. “Mas isso é exageradamente, porque não está fazendo manutenção”, diz.

Neste cálculo, sobraria R$ 1,5 milhão para modernizar a iluminação. “A prefeitura fala que está elaborando projeto, mas cadê a licitação?”, questiona o vereador. Com a suspensão por seis meses, o dinheiro em caixa custearia a iluminação pública. Neste período, conforme o vereador, será criado dum grupo de trabalho para rever o modelo de cobrança da Cosip.

“Na realidade, a tabela de hoje é muito madrasta, penaliza demais as empresas. Campo Grande tem característica de serviços. Mas escritórios pagam três vezes mais do que residência. Não podemos acabar com a Cosip, mas rever dispositivos que constam na lei. Terrenos não são cobrados”, afirma.

Edil reclama que das sete regiões urbanas da cidade, apenas duas recebem manutenção. Ainda conforme o vereador, a prefeitura descumpre a obrigação de enviar à Câmara Municipal anualmente, nova tabela com alíquotas menores e compatíveis à redução de custos

Pedido – A reportagem solicitou dados sobre a Cosip à assessoria de imprensa da prefeitura. Na semana passada, o Poder Executivo informou ao Campo Grande News que já apresentou a prestação de contas do quadrimestre e que o projeto de modernização do sistema de iluminação não precisa passar pelo Poder Legislativo.



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