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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

18/01/2013 14:10

Polícia investiga se, além da mãe, mais alguém estava com bebê morto

Paula Maciulevicius
“Que ela morreu em virtude de agressão física não há dúvida nenhuma”, diz a delegada responsável pelo caso, Regina Márcia Rodrigues. (Foto: Simão Nogueira)“Que ela morreu em virtude de agressão física não há dúvida nenhuma”, diz a delegada responsável pelo caso, Regina Márcia Rodrigues. (Foto: Simão Nogueira)

A Depca (Delegacia Especializada na Proteção da Criança e do Adolescente) já ouviu a filha de Marlene Romeiro da Rocha, 37 anos, uma adolescente de 17, na manhã desta sexta-feira. Vizinhos e familiares também serão ouvidos na investigação que apura os maus tratos que resultaram na morte de uma criança de 1 ano e dois meses na madrugada de hoje. Kemely Romeiro Rocha morreu na Santa Casa depois de dar entrada com sinais de espancamento. A mãe, Marlene, está presa desde a madrugada, suspeita pela agressão.

“O que a gente quer esclarecer é em que circunstância que a criança morreu. Que ela morreu em virtude de agressão física não há dúvida nenhuma”, disse a delegada responsável pelo caso, Regina Márcia Rodrigues.

Em depoimento, Marlene disse à Polícia que saiu as 19h30 de casa para pegar leite na casa da filha e que deixou a criança dormindo e que ao retornar, meia hora depois, a menina estava desacordada e o padrasto, Francisco Gomes de Carvalho Filho, 54 anos, que havia ficado em casa com a criança, contou que Kemily caiu da cama.

Da casa a criança foi levada para o posto de saúde do bairro Nova Bahia onde chegou em estado grave e teve uma parada cardiorrespiratória. De lá, o bebê seguiu para a Santa Casa e morreu.

“A investigação vai esclarecer essa circunstância. Se realmente ocorreu os maus tratos durante a saída dela ou se já havia ocorrido antes e quem estava na casa no momento da agressão”.

A adolescente confirma que a mãe pegou leite em casa e que passou pouco tempo longe do bebê. (Foto: Simão Nogueira)A adolescente confirma que a mãe pegou leite em casa e que passou pouco tempo longe do bebê. (Foto: Simão Nogueira)

A filha que prestou depoimento na Depca nesta manhã confirma a versão de que a mãe chegou até a casa dela pedindo leite por volta das 19h30. Marlene que é usuária de pasta base não estava, conforme relatos da adolescente, sob o efeito de drogas.

A testemunha contou que ela permaneceu por meia hora e voltou para a casa dela. A distância entre uma casa e outra é de pouco mais de quatro quadras. Sobre a filha bebê, Marlene respondeu à adolescente que deixou a criança dormindo, com o padrasto.

Vizinhos da casa de Francisco serão ouvidos na tarde de hoje pela Polícia. Um deles chegou a relatar que ouvia brigas entre o casal com frequência. Eles estavam juntos há cinco meses.

Na versão da mãe à Polícia, os maus tratos ocorreram quando ela estava fora. Na versão de Francisco, foram antes de Marlene ter saído para buscar leite.

A mãe que está presa teve nove filhos no total. Com a morte do bebê, é a segunda filha de Marlene que morreu. Um dos filhos foi adotado e outro está sob cuidado do Conselho Tutelar há três anos.

“Falaram que a agressão foi 20h. Ela chegou em casa essa hora, então não foi ela. Lá pelas 20h30 ela ligou para minha tia dizendo que ela tinha caído da cama”, diz a adolescente.

A menina conta que ficava por muitas vezes cuidando da irmã durante o dia e que nunca viu marcas de agressão na criança. “Nem quando ela estava sob efeito de droga. Pelo contrário, era quando ela mais cuidava”, descreveu a adolescente.

Sobre a relação com o padrasto, a menina diz que Kemely tinha medo dele. “Ela tinha pavor, não gostava. Porque criança sente”.

Criança deu entrada no posto Nova Bahia em estado grave. Teve parada cardiorrespiratória, foi reanimada, mas morreu na Santa Casa.Criança deu entrada no posto Nova Bahia em estado grave. Teve parada cardiorrespiratória, foi reanimada, mas morreu na Santa Casa.

A filha relatou estar em choque. “Nunca vi nada de diferente nela. Para mim, foi um choque e até agora eu não acredito. É porque ela é usuária de drogas e tem passagem. É claro que vai cair nela”, fala sobre a prisão da mãe.

A tia de Kemely foi quem socorreu junto do marido, o bebê até o posto de saúde. Ao Campo Grande News ela disse que não acredita que Marlene tenha sido a autora das agressões. “Ela não fez isso com os outros filhos dela”, argumentou.

Ela disse ainda que a irmã estava desesperada quando ligou pedindo ajuda e que o padrasto foi chegar na unidade de saúde 45 minutos depois e tranquilo.

“Ele era violento com a Marlene, mas ela falava não vou fazer BO porque não foi nada”.

Kemely não será velada por decisão da família. Segundo a adolescente de 17 anos, ela será enterrada direto.

“Não vou falar que a culpa é dele porque não sei a versão dele. Mas eu não desacredito não, como ela ficava com ele. Medo, trauma, choro, uma criança não fica daquele jeito. A Kemely era uma criança que não chorava, era quieta, não fazia bagunça”, finaliza a irmã.



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