Praça é tomada pelo lixo; Na Câmara, sujeira coube em saco de 100 litros
Sujeira, pichação e cartazes no chão, cercas e muros lembram na manhã desta sexta-feira que 30 mil pessoas saíram às ruas de Campo Grande na noite de ontem. O patrimônio público não escapou do vandalismo. A Concha Acústica na praça do Rádio, ponto de concentração dos manifestantes, foi pichada. De um lado, foi escrito “Governo safado”. Em outro ponto, foi pichada a frase “Polícia corrupta, governo ladrão”.
Depois da multidão, a praça amanheceu tomada por lixo. Resto de cartazes, papel, jornais, garrafas de vodka, lata de cerveja e copos forravam o chão. “O protesto tem muito a perder quando deixam essa sujeira. Protesto é uma coisa, isso aqui é patrimônio público, não dá para deixar assim”, afirma a técnica em radiologia Joicy Moura Isaías, de 19 anos.
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“O barulho não atrapalhou, o que atrapalhou é a sujeira”, reclama a dona de casa Rosa Maria de Araújo, de 62 anos. Para o engenheiro civil Nilton Souza Chagas, de 24 anos, havia alternativas para não deixar tamanha sujeira. “Podiam trazer uma sacolinha, colocar na mochila mesmo”, diz.
Na praça, algumas lixeiras ainda tinham espaço, indício de que faltou boa vontade em jogar o lixo no lixo. Depois da praça do Rádio, o local mais sujo era na quadra entre a Pedro Celestino e a Padre João Crippa. No Obelisco, no cruzamento da Afonso Pena com a José Antônio, foi pichada com a palavra corrupção.
Trabalhando na limpeza próximo à Prefeitura de Campo Grande, o gari Saturnino de Souza Vargas, de 62 anos, não viu problemas em ter tanto trabalho. “Tem que fazer protesto mesmo, a roubalheira é muita. O país está de um jeito difícil. Não tem saúde, estudo, nada”, reclama.
Também ponto de concentração de manifestantes, a Câmara Municipal amanheceu sem danos e a sujeira coube num saco de lixo de cem litros. No terreno em frente à Casa de Leis, cartazes foram colocados no chão e cerca, ecoando, ainda, o protesto da noite. Com a chuva, a cartolina foi de desfazendo. No chão do local, utilizado como estacionamento, restos de cartazes, garrafas e embalagens de salgadinhos.


