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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

22/12/2010 19:38

Professor demitido diz que lutou pela biblioteca da UFMS e critica “doentes”

João Humberto
Professor Cezar Benevides, demitido ontem pela reitora da UFMS, diz que há falta de diálogo na instituição e que vai entrar na Justiça. (Foto: João Garrigó).Professor Cezar Benevides, demitido ontem pela reitora da UFMS, diz que há falta de diálogo na instituição e que vai entrar na Justiça. (Foto: João Garrigó).

O professor doutor Cezar Augusto Benevides, que ontem foi demitido pela reitora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), professora Célia Maria da Silva Oliveira, conforme portaria publicada no Diário Oficial da União, procurou o Campo Grande News para repercutir a decisão e também para falar de sua atuação à frente da pró-reitoria de ensino de graduação, no mandato do ex-reitor Manoel Catarino Paes Peró.

Cezar conta que constantemente apresentava plano de metas e mecanismos visando obter receita para a aquisição de livros para todos os campi da UFMS. A prioridade em sua gestão como pró-reitor de ensino e graduação era a construção da biblioteca, além da ampliação do acervo institucional.

“Eu lutei para estabelecer uma política de aquisição e atualização do acervo bibliográfico, dando ênfase a publicações nacionais e estrangeiras para a contribuição do avanço do crescimento científico. Nem sempre tínhamos recursos do MEC [Ministério da Educação] e por isso trabalhava com recursos excepcionais”, relata o professor Cezar.

Benevides ainda frisa que chegou a pensar em atingir 0,7% do valor do Orçamento destinado a UFMS para a aquisição de livros, visando expandir o acervo da biblioteca, inaugurada há dois anos. “Quero saber quantos livros a gestão atual comprou?”, questiona o professor.

Ele explica que o acervo de 2,5 mil livros de uma coleção da professora Nanci Leonzo, coordenadora do curso de licenciatura em História da UFMS, e que também foi demitida ontem pela reitora Célia Maria, foi o fator que solidificou o curso, até mesmo para obter nota positiva via avaliação do MEC, ocorrida neste ano.

Segundo a assessoria de imprensa da UFMS, a decisão da reitora é baseada nessa compra de livros, em que ela cita que “houve desvio de finalidade do convênio Fadems (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Educação de Mato Grosso do Sul)/UFMS Vestibular 2007, sem licitação dispensa ou inexigibilidade”.

Só que o professor Cezar reitera que a reitora, assim como todo o Conselho Universitário realmente estavam cientes sobre a compra dos livros, feita no mandato de Peró. “Todas as contas são aprovadas com base no conselho fiscal para o MPF (Ministério Público Federal) examinar. Se tem alguém que está mentindo é a reitora", ataca.

Quem criou todo o tumulto a respeito do caso foi a reitora, de acordo com o professor Cezar. Ele detalha que ela estaria agindo influenciada por professores que permaneceram por um tempo no curso de história e que há quase um ano “sumiram do mapa” alegando problemas de saúde.

A perseguição contra Cezar e Nanci é atribuída pelo professor Benevides à chegada dos professores Jérri Roberto Marin (Aquidauana), Ana Paula Squinelo (Coxim) e Tais Leão ao curso em Campo Grande. “Esses professores foram transferidos para o campus da Capital para acrescentar ao curso e não delapidar a biblioteca e promoverem uma série de acusações como fizeram”.

Como o problema foi levado à Justiça pelo professor Benevides, os três professores decidiram apresentar atestado médico e até hoje não botaram os pés na instituição, conforme disse à reportagem. “Eu tive que ser nomeado pela direção de centro da universidade e como o curso não poderia ficar abandonado para que o MEC não desse nota negativa, a reitora se viu obrigada a nomear a professora Nanci como coordenadora”.

Benevides cita que o professor Jérri foi transferido do campus de Aquidauana para Campo Grande para poder ajudar na criação do curso de mestrado em história, mas que acabou focando seu trabalho em arrecadar recursos para realizar um simpósio de história, no ano passado. “Ninguém sabe até hoje quanto ele ganhou nisso tudo, as contas para o investimento desse simpósio também nunca foram postas à tona”.

Diálogo - O professor aponta que a falta de diálogo tem sido crucial no mandato da reitora. “Ela acredita em pessoas e passa a julgar a conduta de outras com base em denúncias infundadas. Tudo isso poderia ser esclarecido se houvesse diálogo”.

Mas, de antemão, o professor diz que vai agir na esfera judicial, afinal, “nossas exonerações não são ‘soluções finais’, como aquelas praticadas nas universidades alemães no tempo de Hitler”.

Cezar argumenta que em outubro deste ano, a reitora entrou com representação no MPF (Ministério Público Federal) o acusando de ter se beneficiado com a compra de um acervo de livros. Por conta disso, ele decidiu ingressar com mandado de segurança, em maio deste ano, apresentando toda a lista dos livros adquiridos da professora Nanci, bem como aproveitou para reforçar a "mania" de perseguição da reitora para com ele.

Os professores Cezar e Nanci, conforme a UFMS, já responderam a outros processos administrativos disciplinares, tendo recebido duas advertências e uma suspensão por 90 dias. Neste processo da suspensão, a reitora inclusive reduziu os riscos da sanção proposta pela comissão processante, que era de demissão.

Por conta de das denúncias, a reitora não poderia ter agido diferente, diante dos pareceres constantes do processo e relatório da comissão processante, finaliza a nota de esclarecimento sobre as demissões, encaminhada hoje ao Campo Grande News.

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O curso de história da UFMS deve muito a capacidade do Doutor Cezar Benevides e a Doutora Nanci Leonzo , não podemos esquecer que Cezar quando era professor no Campus de Aquidauana ,provocou uma verdadeira revolução incentivando professores e alunos para a iniciação científica , trabalhou e contou com apoio da Doutora Nanci que naquela época era professora da USP ,para que seus companheiros realizassem Mestrado e Doutorado ,tanto é verdade que a maioria de Mestres e Doutores eram do Campus de Aquidauana , o mestrado era para ser em Aquidauana ,mas com a transferência de muitos mestres e Doutores o curso de mestrado em História acabou sendo criado em Dourados , hoje UFGD, tive o prazer de conhecer e conviver Cezar e Nanci que tanto contribuíram promovendo grandes eventos e seminários , inclusive trazendo historiadores de renome internacional este trabalho deu um novo impulso e credibilidade para o curso de História em Aquidauana ,pois anteriormente existia um movimento de professores que simplesmente estavam interessado em mudar para Campo Grande pregavam abertamente o fechamento do curso de História em Aquidauana e fosse criado em Campo Grande , realizou um brilhante trabalho em Aquidauana ficando conhecido em todo o Estado ,sua eleição para exercer o função de Pró-Reitor , foi graça ao reconhecimento de sua capacidade e trabalho , mas burocracia que existe nos órgãos públicos no Brasil acaba criando este tipo de revanchismo que nada contribui para a melhoria da educação e o que é pior procura-se ofender a moral de excelentes profissionais que tem coragem de se posicionar , argumentar e provar a seriedade de suas ações , enfim a Universidade foi criado para isso o livre debate para que possamos operar transformações na sociedade. Mas a incapacidade e inveja de algumas pessoas procuram criar problemas onde não existe .
 
Paulo Roberto Marques Pereira em 06/01/2011 12:08:32
Enquanto isso, os alunos são os mais prejudicados!

Já está na hora do Curso de História da UFMS ser levado a sério. Essas brigas e disputas por poder fazem com que vários academicos sejam prejudicados.

Todos estudantes de História da UFMS tem direito a uma educação com qualidade, fato que não vem ocorrendo devidos a brigas e picuinhas entre professores e a administraçao atual!

Já está na hora de isso chegar ao fim.
 
Gabriel Pinheiro de Deus em 23/12/2010 11:50:26
Não há perseguição alguma contra esses professores. Apenas sofreram as consequências de suas ações desastradas. Durante o periodo em que estiveram na UFMS agiram como se fossem donos da instituição. A Reitora apenas seguiu a recomendação das 5 sindicâncias instaladas contra eles.
 
Eduardo Figueiredo em 23/12/2010 09:36:24
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