Riedel diz que 100 milhões gastos com remédios levaram à operação contra fraude
Governador diz que estranhou nível de judicialização por medicamentos, alvo de ação da PF na semana passada
A judicialização de um medicamento oncológico específico levantou suspeitas dentro da Secretaria Estadual de Saúde, que acionou a Corregedoria e a Polícia Civil para apurar o caso. A investigação, segundo o governador do Estado, Eduardo Riedel, desencadeou a Operação OncoJuris, que apura esquema de desvio de recursos da saúde para compra fraudulenta de remédios de alto custo.
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A Operação OncoJuris, deflagrada em 23 de abril, investiga esquema de desvio de recursos públicos para compra fraudulenta de medicamentos oncológicos de alto custo em Mato Grosso do Sul. Cinco pessoas foram presas, entre farmacêuticos, advogados e um ex-servidor. O grupo, organizado em quatro núcleos, pode ter movimentado R$ 78 milhões, com remédios revendidos por até 70 vezes o valor original, muitos sem registro na Anvisa.
O fio começou a ser desenrolado há cerca de cinco meses, segundo Riedel, que falou sobre a apuração durante a inauguração do 5º andar do Hospital do Câncer, em Campo Grande.
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Riedel diz que estava preocupado com o “nível de judicialização” para compra de medicamentos que, no ano passado, alcançou desembolso de R$ 100 milhões para aquisição de medicamentos.
Segundo Riedel, a secretaria levantou o caso de um remédio específico, o que levou ao acionamento da Corregedoria e da Polícia Civil.
No dia 23 de abril, quando a operação foi deflagrada, a informação divulgada foi de que a investigação começou em setembro de 2025, a partir de alerta do NAS (Núcleo de Atenção à Saúde), setor da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, que identificou um padrão atípico em ações judiciais.
A ofensiva do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), da Defensoria Pública e da Receita Federal cumpriu mandados em MS, São Paulo e Minas Gerais.
Cinco pessoas foram presas na ação: os farmacêuticos Reginaldo Pereira dos Santos, de 54 anos, e Luiz Henrique Marino, de 50 anos; os advogados Altair Penha Malhada, de 40 anos, e Victor Guilherme Lezo Rodrigues, de 27 anos. O quinto investigado é o ex-servidor Guilherme de Oliveira Neto, de 37 anos.
Os cinco são investigados pelos crimes de organização criminosa, falsidade documental, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e irregularidades na área da saúde.
Os mandados de prisão preventiva, expedidos pela Justiça, são válidos por cinco dias e expiram amanhã.

Esquema – De acordo com informações da força-tarefa, o esquema era dividido em quatro núcleos: administrativo, jurídico, empresarial e de importação.
Os advogados teriam papel central na judicialização das demandas, ingressando com ações que obrigavam o Estado a fornecer medicamentos de alto custo. Já os integrantes ligados à administração pública seriam responsáveis por facilitar fluxos internos e dar respaldo às demandas.
Na outra ponta, o núcleo empresarial e técnico, onde se encaixam os farmacêuticos de pequenos estabelecimentos, viabilizaria a compra e o fornecimento dos produtos, muitas vezes importados sem registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e revendidos com valores até 70 vezes superiores.
O grupo criminoso pode ter movimentado ao menos R$ 78 milhões em recursos públicos.
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