Cazuza partiu, mas foi parceiro de vida e handebol de Keila por 32 anos
Sonho dele pode ganhar vida em projeto esportivo para crianças carentes que esposa quer fazer
A partida de Renato Marcelo Pereira, ou Cazuza, como era conhecido, deixou Keila Cristina Santana de Melo, de 48 anos, com uma dor difícil de traduzir. Para a companheira de vida, não se trata apenas da perda de um marido, mas da ausência de alguém com quem ela dividiu praticamente uma existência inteira. Foram 32 anos juntos e inúmeros momentos que ficarão para sempre. O que uniu o casal foi o handebol, esporte que ele praticou até o fim.
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Keila Cristina Santana de Melo, de 48 anos, perdeu o marido Renato Marcelo Pereira, conhecido como Cazuza, após um ano e meio de tratamento contra um câncer diagnosticado com metástase. O casal, unido pelo handebol há 32 anos, formou uma família com duas filhas. A viúva, que também perdeu a mãe 30 dias antes, planeja criar um projeto esportivo para crianças carentes em homenagem ao legado do marido.
“Eu e Renato somos um só corpo, e ele estará sempre vivo em mim”, resume. A partida dele veio apenas 30 dias depois de Keila perder a mãe.
O encontro que mudaria a vida dela e de Cazuza aconteceu dentro das quadras. Primeiro, ela jogava como pivô e ele como ala. Depois, os dois passaram para a armação. Mais do que posições, eles construíram ali uma parceria que atravessou décadas, viagens, vitórias, desafios, sonhos e a formação de uma família com duas filhas. Ao lado delas, não existia tempo ruim.
Ela conta que o apelido de Cazuza foi herdado pela semelhança com o cantor. “Ele era bem magrinho quando jovem, cabelinho escorrido igual ao Cazuza”. Renato era lembrado por todos como uma pessoa de bondade rara. Ajudava quem estivesse ao seu redor, muitas vezes sem fazer alarde.
No velório, Keila conta que abraçou mais de mil pessoas. Cada uma trazia uma história com ele. Uma lembrança de como ele havia feito diferença na vida de alguém. “Ele era a alegria e a bondade em pessoa, ajudava todos à sua volta. De jovens a pessoas mais sênior, sempre com uma história linda com ele”.
O diagnóstico de câncer veio depois de uma dor de estômago, justamente em uma fase em que Renato estava forte, treinando e vivendo um grande momento no esporte. Após a endoscopia, a família recebeu a notícia de que a doença já apresentava metástase em alguns órgãos.
Cazuza iniciou o tratamento e, durante cerca de um ano e meio, respondeu bem, com bons resultados. Até que, no último mês, as dores abdominais voltaram. Os exames mostraram que a doença havia avançado. “Era atleta de handebol e destaque no Estado. Pegou a Seleção Brasileira Master e, mesmo diante do tratamento oncológico, foi campeão”.
Além do esporte, Renato trabalhava como representante de medicamentos. Mas, fora da rotina profissional, uma de suas grandes paixões era viajar. Orlando era seu destino preferido. Ele foi várias vezes e nunca se cansava. “Ele tinha a alma que combinava com aquele lugar cheio de alegria, famílias unidas, um mundo mágico como ele era”.
A despedida veio em um período ainda mais doloroso para a família, marcado também pela perda da mãe de Keila cerca de 30 dias antes. “Era uma mulher de 78 anos, forte, guerreira, batalhadora, e deixou esta raiz em mim. Eu sofro por dois lutos. Ela era parte do meu tudo também. Me ajudou quando tive minhas filhas, cuidando delas para eu trabalhar”.
Para Keila, Renato não será lembrado apenas pela doença, nem pela partida precoce. Ele será lembrado pelo amor construído desde a adolescência, pela família que formou, pelas quadras que percorreu, pelas pessoas que ajudou e pela alegria que espalhou.
Agora, em meio à dor, ela deseja transformar saudade em ação. Seu objetivo é criar um projeto no handebol para crianças carentes, levando a marca e o legado de Renato. Era algo que ele sempre pensou em fazer. E talvez seja esse um dos caminhos para manter Cazuza presente, fazer com que a bola continue girando.
"Nos conhecemos no Handebol, eu também sou atleta e viajamos para Chapeco. Começamos o namoro e nunca mais nos separamos ate chegar a Kamila quando eu só tinha 23 anos e 4 anos depois a Karina nossas meninas guerreiras fortes e maravilhosas. Seu Legado jamais será apagado"
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